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Luciana Bugni

Sheila Mello e a sina das mulheres que não podem namorar porque são mães

Sheila Mello e Feijão: um ano de namoro e o pessoal dizendo que não é sério - Reprodução/ Instagram
Sheila Mello e Feijão: um ano de namoro e o pessoal dizendo que não é sério Imagem: Reprodução/ Instagram
Luciana Bugni

Luciana Bugni é gerente de conteúdo digital dos canais de lifestyle da Discovery. Jornalista, já trabalhou na "Revista AnaMaria", no "Diário do Grande ABC", no "Agora São Paulo", na "Contigo!" e em "Universa", aqui no Uol. Mora também no Instagram: @lubugni

Colunista do UOL

07/01/2021 04h00

Uma amiga separada na pandemia me perguntou essa manhã se eu já tinha notado como as pessoas estranham mulheres viajando sozinhas sem os filhos.

É raro que o pai escute alguma coisa por dar um rolê por aí sem o filho. Mas experimente a mulher fazer um passeio e arriscar mostrar sua solteirice no Instagram — na melhor versão da vida boa, curtindo uma piscina sem crianças. Nossa!

Eu ouvi minha amiga contar as barbaridades que tem escutado pensando: imagina quando começar a namorar.

Aconteceu com Sheila Mello essa semana, ao postar uma foto do namorado João Souza, o Feijão. O casal estava na água se divertindo com a filha de Sheila, Brenda, do casamento com Xuxa. Bastou para uma seguidora comentar que era errado apresentar o namorado para a filha.

Sheila namora há um ano. Não é um casinho. Esse ano ainda foi pandêmico, o que fez com que casais recentes se unissem ainda mais rapidamente na mesma casa. Já tive relacionamentos que considerei sérios que duraram pouco menos que isso — e você também. Certamente se ela decidiu apresentar o namorado para a filha é porque isso cabe somente a ela e ao namorado, que aparentemente foi de boa conhecer a enteada.

A galera acha que pode dar palpite nesse tipo de coisa. Sabe por quê?

Por que Sheila é mãe, esse ser imaculado que não transa, que não goza, que não bebe, que não viaja. Que tem apenas uma bênção nessa vida que é ser mãe e criar filhos. Então quando ela ousa namorar alguém, mostrar que há uma vida após o divórcio, que além de mãe, veja só, ela é mulher também — ah, isso não é possível.

Na concepção dessa patrulha, mulheres que já pariram não podem sensualizar na internet. Não podem paquerar. Não podem nem viajar solteiras com as amigas que escutam perguntas como: você não sente falta do seu filho?

Uma resposta que pode apaziguar o coração de quem está tão preocupado com a criação de crianças alheias: a gente sente falta do filho. Viajei umas três vezes sem o meu desde que pari e pensei nele muito frequentemente. No resto do tempo, me diverti. "Nossa, como você consegue?" Meu amor, eu tenho 34 anos de experiência em viver antes do meu filho existir, você acha realmente que eu esqueci como se vive só porque ele nasceu?

Sheila foi muito bem e rebateu a seguidora como uma oferta de boletos para melhor formação de Brenda. Está preocupada? Pague alguns. Minha amiga que viajou para uma casa com uma amiga igualmente confinada por uns diazinhos (sem colocar a quarentena em risco nem para ir para o mercado) respondeu as críticas com uma foto linda de biquíni na piscina, com um céu azul maravilhoso atrás. Eu acabei de curtir, aliás. Porque, não sei você acredita, mas tem mãe que até tem tempo às vezes para ficar de bobeira em rede social.

Você pode discordar de mim no Instagram.