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Luciana Bugni

Chá revelação de Virginia: espetáculo com torcida por gênero é atual?

20.nov.2020 - Chá revelação Zé Felipe e Virginia - Divulgação/Redes sociais
20.nov.2020 - Chá revelação Zé Felipe e Virginia Imagem: Divulgação/Redes sociais
Luciana Bugni

Luciana Bugni é gerente de conteúdo digital dos canais de lifestyle da Discovery. Jornalista, já trabalhou na "Revista AnaMaria", no "Diário do Grande ABC", no "Agora São Paulo", na "Contigo!" e em "Universa", aqui no Uol. Mora também no Instagram: @lubugni

Colunista do UOL

29/11/2020 15h57

A influencer Virgínia e o cantor Zé Felipe, filho de Leonardo, fizeram o chá revelação de sua filha, Maria Alice, nesse sábado (28). A festa foi devidamente transmitida no Youtube e nos stories, e ainda teve uma votação no Twitter que dividia os fãs em times por hashtags - os que preferiam menina e os que achavam que a criança seria um menino.

Os chás revelação surgiram há alguns anos e viraram uma febre. Dentro os métodos de apresentar o gênero do bebê para parentes e amigos, está cortar um bolo que por dentro pode ser rosa ou azul. Tem também estourar balão e fazer voar confete de uma das duas cores.

A prática acaba ficando um pouco datada em tempos em que tentamos lembrar a todos que rosa e azul não deveriam ser cores estereotipadas. E que sabemos também que o próprio gênero de nascimento não é uma garantia de masculinidade ou feminilidade eterna. E isso deve ser cada vez menos importante.

O fato é que a internet ficou ensandecida com a festa de Virgínia. Ela ganhou centenas de milhares de seguidores. Em seus stories, visto por milhões de pessoas, dezenas de profissionais preparavam o evento - vários deles sem máscara. Durante a festa, então, teve boomerang, teve post, teve abraço e teve muito amor. E teve publicidade. Tudo sem proteção.

Eu acho interessante saber o gênero da criança ainda na gravidez. Não consigo nem imaginar como seria estar no ultrassom e escolher não saber disso, para descobrir depois, na frente de todo mundo, ou no parto, no caso das mães mais desencanadas. Na prática, não fez muita diferença saber como era o órgão sexual de meu filho seis meses antes de ele nascer. O quarto seria cinza e amarelo de qualquer jeito. No máximo não teria sido possível bordar o quadrinho que ficou na porta da maternidade.

Zé Felipe e Virginia - Divulgação/Redes sociais - Divulgação/Redes sociais
Imagem: Divulgação/Redes sociais

Não vejo muito sentido em fazer um mega evento para descobrir algo se qualquer um dos resultados será celebrado. Se fosse menino, Virgínia também ficaria feliz, claro. A própria torcida que levou a hashtag #teammariaalice para o primeiro lugar nos trends do Twitter nesse sábado não iria reclamar caso o bebê chamasse José.

Mas cada mãe é de um jeito. Eu, apesar de ser baladeira por ideal, não gostava da ideia de ser anfitriã de grandes festividades durante a gestação. Talvez por saber que o pai de meu filho, como o marido de Virgínia, não sabe muito bem a hora de parar com o evento: inimigos do fim acabam tornando a balada puxada para quem está gerando um outro ser. Mas, se a influencer topa e fatura com isso, não haveria porque condenar o rolê - isto é, se o contexto não fosse pandêmico.

O avô da criança, Leonardo, estava com dengue e participou na festa com febre. A própria Virgínia foi se deitar na madrugada de hoje reclamando que estava com dor de garganta - algo normal depois de uma noitada, mas que nos dias de hoje acende vários alertas.

Que ninguém está respeitando a pandemia, já sabemos há meses. Agora, dividir milhões de seguidores entre time de menina e de menino me parece um pouco ultrapassado. Tudo bem que vale tudo pelo espetáculo, mas talvez o próprio espetáculo devesse ser um pouco mais modesto em tempos em que o que importa mesmo, mais que nunca, é que o bebê venha com saúde.

A vacina está ali na esquina. Se der para segurar a aglomeração, segura. Se não der, use máscara. Ela pode ser até rosa ou azul. Vale tudo.

Você pode discordar de mim no Instagram.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL