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Luciana Bugni

Gusttavo Lima e Andressa Suita: existe divórcio repentino?

Andressa Suita e Gusttavo Lima: uma conversa na hora certa teria salvado a relação? - Reprodução/Instagram
Andressa Suita e Gusttavo Lima: uma conversa na hora certa teria salvado a relação? Imagem: Reprodução/Instagram
Luciana Bugni

Luciana Bugni é gerente de conteúdo digital dos canais de lifestyle da Discovery. Jornalista, já trabalhou na "Revista AnaMaria", no "Diário do Grande ABC", no "Agora São Paulo", na "Contigo!" e em "Universa", aqui no Uol. Mora também no Instagram: @lubugni

Colunista do UOL

15/10/2020 04h00

A modelo Andressa Suita foi acordada na madrugada de domingo com uma informação: seu casamento de oito anos estava acabando ali. O marido, o cantor Gusttavo Lima, não deu, segundo ela, motivos para a separação. Não se queixou, mas também não deu abertura para que ela tentasse salvar a relação. Foi um comunicado repentino.

Na semana passada, os fãs já haviam levantado dúvidas sobre a estabilidade do casal porque Gusttavo lançou uma música cujo refrão diz "Melhor terminar, cada um por si, às vezes é o começo e não o fim". Eles, no entanto, seguiam sua vida de mil maravilhas no encantador planeta Instagram, viajando, sorrindo para fotos etc. Mas já sabemos que não é de vida real que a rede social é feita. Aí foi que o barraco (uma mansão em Goiânia com 7 metros de pé direito no hall) desabou. Metaforicamente, claro.

A quarenta que acaba com casamentos

Entendo que Gusttavo Lima não acordou de sonhos intranquilos naquela madrugada e decidiu que não queria mais ser um casal. Ele devia estar maturando essa ideia há algum tempo, sem dividir com a esposa. Complicado, né? Em maio, durante a febre das lives que movimentou um pouco nossas quarentenas, ele disse em seu show que queria fazer um neném com ela. Ela recusou ao vivo, com testemunho de milhares de pessoas. Ou estaria grávida de cinco meses agora. O que será que houve nessa quarentena eterna que foi minando os casamentos silenciosamente?

Conheço muita gente que se separou nos últimos meses, mas chama a atenção a unilateralidade dos términos. Parece que não existe mais aquele velho consenso do "não dá mais, né". É de repente, de uma forma que uma das partes fica perplexa. Estão lá, os dois, fazendo um molho de macarrão e "não somos mais um casal". Ou então escovando os dentes e "estou voltando para a casa da minha mãe". Ou pior, parado no semáforo a duas quadras de casa, depois de passar no pronto-socorro com o filho que quebrou o braço e "eu não te amo mais". Pô, gente. Sério?

Conversa salva, mas olhar para o outro é um lance também

O dolorido desses avisos gera também um questionamento. Há a evidência de que é leal e legal falar sobre sentimentos durante todo o tempo da relação, de modo a não deixar virar essa bola de neve, claro. Mas o quanto estamos ocupados com nossos próprios trabalhos, filhos, casa, e nossas próprias questões? Será que dá tempo nessa doideira de olhar para o outro? De entender o que o outro está sentindo? Não acho que dê para adivinhar, mas o simples fato de perguntar como o par está se sentindo em relação ao casamento pode ser o motor necessário para uma longa conversa na hora certa. E meses depois, o que vai ser lembrado pode ser aquele dia em que se conversou o suficiente para salvar o casamento.

Mas não dá para estar ligado nisso o tempo todo nessa vida que a gente leva. Será? E a gente quer essa vida?

Acho complicado que decisões de divórcio sejam tomadas de maneira solitária. Namoros e casamentos não podem começar com uma pessoa só, nem deviam terminar com a decisão de uma das partes apenas. Mas uma vez tomada essa decisão, é difícil que a outra parte, sozinha, possa consertar qualquer coisa — ainda mais se ela nem souber direito o que se quebrou.

Diálogo salva relações, salva depressões, salva questionamentos quase sem solução. Salva até 2020 — não fossem as conversas, onde é que a gente ia parar?

Gusttavo disse que, do mesmo jeito que entrou no relacionamento, quis sair pela porta da frente. "Sem sacanagem, sem traição" Legal. Mas podia ter parado um pouquinho no hall da porta da frente (aquele com 7 metros de pé direito) e conversado. Ia ser um pouco menos dolorido para todo mundo.

Que Suita e todo mundo que se separou nos últimos meses sintam verdadeiramente o refrão da música de Gusttavo: é o começo e não o fim. Na hora da separação, no turbilhão das despedidas, na dor do rompimento e tentativa de atribuição de culpas, a gente nem percebe que também está ganhando uma oportunidade de reconstruir a própria vida, rever os erros e triunfar. Eu sempre digo que tem uma vida maravilhosa depois do divórcio, e acredito nisso mesmo. Ela demora um pouco para se notar, mas quando isso acontece... ficamos invencíveis.

No mais, é o que disse Barbara dos Anjos, a editora aqui de Universa: acordar uma mãe de criança pequena para comunicar separação? Que sacanagem. Avisa no dia seguinte, Gusttavo. A gente tem que definir prioridades e respeitar o sono da mulher que carrega bebês no colo.

A gente pode falar mais de amor e dor no Instagram.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL