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Luciana Bugni

Home office, 7 meses depois: você trabalha em casa ou mora no trabalho?

Não está tranquilo, nunca vai ser favorável - Getty Images
Não está tranquilo, nunca vai ser favorável Imagem: Getty Images
Luciana Bugni

Luciana Bugni é gerente de conteúdo digital dos canais de lifestyle da Discovery. Jornalista, já trabalhou na "Revista AnaMaria", no "Diário do Grande ABC", no "Agora São Paulo", na "Contigo!" e em "Universa", aqui no Uol. Mora também no Instagram: @lubugni

Colunista do UOL

07/10/2020 04h00

Eu não sei se eu vou conseguir terminar esse texto.

Se você estiver em casa, entre o home office, a roupa pra lavar e a educação dos filhos, duvido que consiga terminar de ler também. Mas vamos acreditar: afinal, é outubro e nesse ano a gente deu conta de coisas inimagináveis.

No primeiro episódio de Emily em Paris, a série da Netflix que todo mundo está adorando criticar, um colega francês da protagonista americana faz a pergunta clássica: você vive para trabalhar ou trabalha para viver? Pergunta difícil de responder nesse 2020 em que o escritório entrou dentro de nossas casas e ninguém mais saiu. Afinal, você trabalha dentro de casa ou só dorme (com sorte) aí entre uma reunião e outra?

Claro que o home office é um privilégio. A preocupação de contrair o vírus por aí é mais desgastante do que passar um dia no Zoom. O fato de ter um emprego em 2020 é já sair em vantagem e motivo para ser grato. Seguimos na torcida para que os governantes tenham medidas mais efetivas contra o desemprego, que atinge 9 milhões de brasileiros.

Mas também é importante falar dos expedientes de 10 horas ou 12 horas por dia dentro de reuniões infinitas. De como as horas se desdobram entre cuidados com a casa e com os filhos. Depois que a pandemia passar, os médicos alertam, a consequência mais grave será a da saúde mental. E passar os dias sem olhar para si não ajuda a melhorar o nosso bem-estar. Tem solução?

A hora de parar

Perguntei para os seguidores no Instagram qual era o ponto mais difícil do home office. As respostas variaram entre cachorros, crianças, pia de louça e de roupa, sujeira na casa, aulas online dos filhos, reuniões online... e todas terminaram em foco e saber hora de parar.

Todo dia eu acho que não vou dar conta de entregar o que preciso. Que estou colaborando de menos nas atividades domésticas. Que estou cuidando muito mal do meu filho perto de como cuidava antes (com a imprescindível especialização em educação da escola, claro). Está todo mundo nessa. Mas a gente sabe a hora de parar?

Tem um relógio ali do lado dizendo que deu 19h. Dá para virar o celular para baixo e curtir a vida um pouquinho? Eu sei que vai começar o outro expediente, aquele da dona de casa em tempo integral. Mas quem sabe as crianças durmam um pouquinho antes hoje e você consiga uns minutinhos para não fazer nada. Esperança a gente sempre tem.

Eu passo o dia inteirinho morando no trabalho. A resposta que dou para as amigas que perguntam como estou é "exausta". Mas, no fim da noite, tento não trabalhar em casa. Tento olhar nos olhos das pessoas que moram aqui. Às vezes consigo um tempinho para falar com os amigos online. Sorrir. Tomar um banho de mais de 3 minutos. Ler. Obviamente, não tudo no mesmo dia. O tempo é racionado.

Mas, sinto que se eu reclamar menos, sobra uns minutos para ver uma série bobinha como Emily em Paris. Cheia de moço bonito, numa cidade linda. Para fazer de conta que não é 2020, já em pleno outubro, com aquela sensação de que não vou dar conta de nada.

Eu vou, você vai. E ainda sobra um tempinho para a gente bater um papo no Instagram.

E não é que a gente conseguiu terminar esse texto? <3

Emily - STEPHANIE BRANCHU/NETFLIX - STEPHANIE BRANCHU/NETFLIX
Uma série bem bobinha porque não pensar em nada pode ser bom demais
Imagem: STEPHANIE BRANCHU/NETFLIX

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL