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Wanessa e o relacionamento abusivo: a vítima nunca está sendo permissiva

Wanessa Camargo contou dos relacionamentos abusivos que já viveu - Reprodução/Instagram @wanessa
Wanessa Camargo contou dos relacionamentos abusivos que já viveu Imagem: Reprodução/Instagram @wanessa
Luciana Bugni

Luciana Bugni é gerente de conteúdo digital dos canais de lifestyle da Discovery. Jornalista, já trabalhou na "Revista AnaMaria", no "Diário do Grande ABC", no "Agora São Paulo", na "Contigo!" e em "Universa", aqui no Uol. Mora também no Instagram: @lubugni

Colunista do UOL

26/09/2020 04h00

Uma pessoa está andando na rua falando ao celular. Alguém rouba seu telefone. Ela foi permissiva?

Alguém está atravessando a rua à noite. Ela é atropelada por um motorista embriagado. Ela foi permissiva?

Claro que não. Elas foram vítimas. Errado é quem comete o crime. A vítima não pode ser responsabilizada. Isso está bem claro?

Então vamos imaginar essa situação: alguém está andando na rua de vestido. Ela é estuprada. Ela foi permissiva?

E uma pessoa está apaixonada, mas sem nenhum amor-próprio. O namorado a xinga e a humilha. Ela está sendo permissiva?

A resposta para todas as anteriores é não. Vítimas são vítimas. Não tem culpa do que aconteceu, seja o que for que tiver acontecido.

Nessa semana, Wanessa Camargo mencionou a permissividade ao comentar que teve relacionamentos abusivos no passado. A cantora acaba de lançar uma música sobre o assunto: "Lábios de Navalha".

Em sua fala, as mulheres que passaram por relacionamentos abusivos podem se reconhecer: "Não adianta amiga falar, psicólogo, mãe e pai, não adianta. A pessoa tem que ter amor-próprio muito grande para se libertar disso". É verdade. Não há conselhos que tirem a mulher de um relacionamento abusivo. Ela precisa entender que seu lugar não é ali. Mas é importante dizer que os conselhos podem ser salvadores para nos colocar nesse caminho.

Eu digo que meus amigos salvaram minha vida em um período em que eu não via nada no horizonte que não fosse as próprias culpas que carrego. E isso só foi possível porque eu falei com eles sobre elas. Sabia que, num relacionamento abusivo, a mulher não conta para ninguém o que está acontecendo? Sabia que, cheia de vergonha, ou proibida pelo cara de falar, ela guarda as violências para si?

Falar sobre o que acontece é o primeiro passo para se libertar. O outro é perceber que não é aquilo que você merece. Aquele lugar não é o que você quer. Aí, pronto, como diz uma amiga, é o que faz você ligar o carro e sair fora. Que alívio. Que tristeza também, claro, quantas marcas. Mas que alívio.

"Eu não sou vítima, eu que me coloquei nesse lugar. Quando alguém faz mal para você, é você que permite, então fui permissiva", diz Wanessa. Discordo. Quem está fraca, apaixonada, com amor próprio minado é vítima. Não devia ser mal tratada, humilhada, ferida. A culpa é de quem maltrata, usa, machuca. Não de quem está sofrendo.

Digo tudo isso que parece óbvio e direi muitas outras vezes, porque não é claro para quem está no meio de um relacionamento abusivo. Não é sua culpa. E tem uma vida maravilhosa aqui fora. Conversa com seus amigos. Eles podem salvar sua vida só por amarem você. Aí você fica forte e sai fora. Dói, a gente fica cheia de marca. Mas dá um alívio.

A gente pode falar mais disso no Instagram.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL