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Juliana Borges

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Derby em casa: e quando seu noivo torce para o time arquirrival?

blackCAT/Getty Images
Imagem: blackCAT/Getty Images
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Juliana Borges

Juliana Borges é escritora, feminista e pisciana, logo, romântica e sonhadora. Já chegou a negar a instituição casamento, mas está noiva e já pensando em filhos. É fã de Beyoncé, Nina Simone e Miles Davis. Autora dos livros "Encarceramento em Massa" (2019) e "Prisões: Espelhos de Nós" (2020).

Colunista de Universa

16/05/2022 04h00

Quando você conhece um cara que te dá o clique, quais coisas essenciais vêm na sua cabeça para saber sobre ele? O que você acha importante perguntar para saber mais dele? Eu confesso para você que, quando conheci o Anderson, deixei de perguntar algumas coisas que sempre disse às minhas amigas que seriam fun-da-men-tais.

Ao seguir minha lista, até então rigorosa, perguntei sobre signos, sobre trabalho, interesses na vida, visão política e de mundo. Mas só fui perguntar sobre o time de futebol quando ele já havia me conquistado. E, para algumas pessoas, isso poderia se enquadrar na categoria "perguntas supérfluas", e até é um pouco para mim, mas quando envolveu o que envolveu, a coisa ficou, no mínimo, engraçada.

A família de minha mãe é, praticamente, inteira de corintianos. Acho que devo ter um ou dois parentes torcedores de outros times, mas o fato é que, principalmente, o núcleo mais próximo, formado por minhas tias, irmãs de minha mãe, é todo corintiano.

Uma lembrança que tenho de infância é de uma final de campeonato em que ficamos super preocupados com uma de minhas tias que estava grávida, perto de parir, e torcia com tanto afinco que chegava a ficar com uma veia saltada na testa. É, isso aconteceu.

Uma outra memória é dessa mesma tia brigando com um vizinho, porque ele ousou falar mal do Corinthians - detalhe: o vizinho era um dos meus melhores amigos e, na época, tinha 12 anos. Até uns 15, 16 anos, eu acompanhava essa febre familiar pelo Corinthians.

Mas meu interesse por futebol nunca passou muito da animação de Copa do Mundo e essa minha participação e atuação torcedora foi se perdendo com o tempo. Hoje, me considero uma torcedora mequetrefe. Não abro mão do meu Timão, mas não sei mais nada sobre jogadores, comissão técnica, dias de jogos. Mas a família continua na mesma toada. Então, você imagina o que pensei quando Anderson me disse que é palmeirense.

Assim como a minha família, a do Anderson torce fervorosamente para o Palmeiras. Para terem uma ideia, o Palmeiras faz um gol e minha sogra envia áudios para o Anderson. O próprio, já chegou a ser torcedor fanático, de viajar quilômetros para ver o time jogar, de acompanhar caravanas das torcidas. E tem coleção de camisetas históricas do Palmeiras.

Hoje, ele é muito mais tranquilo sobre isso. Mas, enquanto eu sequer sei quando o Corinthians vai jogar, ele acompanha toda a agenda de jogos do Palmeiras. E encontrou no nosso vizinho, um parceiro de torcida. É o Palmeiras fazer um gol, que eles correm para as sacadas e se cumprimentam.

Então, imaginem vocês quando eu falei para a minha família que o futuro novo membro do clã é torcedor do time arquirrival? A sorte de tudo isso é que eu sou a "torcedora mequetrefe" e não me incomodo com a animação maior da parte dele sobre o time. Na verdade, acho que o amor ajuda bastante nessa minha tranquilidade para lidar com a situação.

O imbróglio, agora, é a gente resolver como fazer com os futuros filhos. Mas decidi superar uma etapa por vez. Uma coisa é fato: não teremos hino dos times na festa de casamento. Imagina a cena? A família já compreendeu a situação e aceitou os fatos. Pelo menos por hoje.