PUBLICIDADE

Topo

Juliana Borges

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Noiva eclética, noivo músico e o caos para definir as músicas do casamento

Peopleimages/Getty Images/iStockphoto
Imagem: Peopleimages/Getty Images/iStockphoto
Conteúdo exclusivo para assinantes
Juliana Borges

Juliana Borges é escritora, feminista e pisciana, logo, romântica e sonhadora. Já chegou a negar a instituição casamento, mas está noiva e já pensando em filhos. É fã de Beyoncé, Nina Simone e Miles Davis. Autora dos livros "Encarceramento em Massa" (2019) e "Prisões: Espelhos de Nós" (2020).

Colunista de Universa

14/03/2022 04h00

A música do casamento. As músicas do casamento. Na minha cabeça, essa seria uma das questões mais fáceis de serem resolvidas. Ora, tudo na minha vida envolve música. Para me inspirar e escrever qualquer texto, eu sempre crio playlists. Meus livros escritos têm playlists próprias, privadas, mas com um conjunto de músicas que me inspiraram, que serviram, muitas vezes, como o incentivo final para que um texto deslanche.

Antes de cair no sono, eu escuto lá meus 40 minutinhos de músicas, selecionadas a partir do espírito do dia. E eu vou, sem culpa, de BTS a System of a Down; de Beyoncé a Shostakovich; de Barões da Pisadinha a Nina Simone; de Gonzaguinha a Rolling Stones. Minhas playlists são miscelâneas, ao gosto do freguês, do momento, dos amigos, do "mood". E aí que começou o meu périplo. Como definir as músicas do casamento?

Além de tudo isso, eu ainda me apaixonei por um músico. Meu noivo é produtor musical, DJ e beatmaker. Suas influências principais são jazz, rap e drum and bass, além de, claro, muita música popular brasileira. No nosso segundo encontro, ele ficou chocado ao presenciar minha animação com um estourado "forronejo".

E isso se deu menos por algum preconceito, que ele tem pouco, apesar de suas preferências, e mais porque muito das nossas conversas de aproximação se deram em torno de jazz. Eu amo jazz. Nina Simone é uma deusa, uma força cósmica que passou pela Terra e ainda emana energia em cada um de nós. Então, como a gente resolve isso? Como garantir uma lista da mais ecléticas possível?

As músicas da cerimônia em si já estão sob júdice. A gente ainda não encontrou um denominador sobre a música das nossas entradas. Mas, graças aos orixás, avançamos na música em que sairemos da cerimônia. Um reggae de Peter Tosh, com uma mensagem de amor e esperança para lá de inspiradora. Mas, paramos por aí.

Ele prefere clássicos do rap, da black music e sambas, passando por nossos jazz preferidos. Eu quero tudo isso e mais o momento clássicos dos anos 80, pisadinha e sertanejo. E como a gente resolve? Por enquanto, estamos empurrando com a barriga. Ao chegar nesse ponto, a gente ensaia, já discorda, se olha, ri e decide que resolvemos depois. Mas uma hora ou outra, isso vai ter que ser resolvido.

O que não pode sair do nosso radar é o fato de que as músicas devem espelhar nossos gostos, focando nas músicas que compartilhamos o gostar. E que também é importante que os convidados se sintam bem e animados para se jogar na pista conosco. E aí, como fazemos?

Pelos sites especializados em casamento, o ideal é que definamos a parte de som cerca de dois meses antes do casamento. O que me dá uma margem de 3 a 4 meses de negociações com o noivo. Até lá, sigo sofrendo para chegar na lista ideal, nos estilos musicais que mais amaremos. E aceito dicas de vocês também!