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Fabi Gomes

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Melasma não tem cura, mas tratamento: é preciso aprender a conviver com ele

A genética é um fator importante para o desenvolvimento ou não do melasma - VLG/Getty Images/iStockphoto
A genética é um fator importante para o desenvolvimento ou não do melasma Imagem: VLG/Getty Images/iStockphoto
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Fabiana Gomes

Fabi Gomes é maquiadora e bonne vivante ? gosta de das coisas boas da vida, como artes, literatura, sexo, cinema, culinária, viagens. Está sempre atenta ao poder transformador e aos rumos da beleza.

Colunista de Universa

06/07/2022 04h00

Sabem aquele lance de ter uma boa e uma má notícia? Pois é, trago as duas aqui.

Vamos começar pelo começo -melasma é uma doença de pele, portanto, deve ser tratada por profissional competente. Receitas caseiras, pesquisas no Google e o tratamento da tua amiga ou influenciadora favorita não vão ajudar. Ao contrário, podem agravar o problema.

Bora pra má notícia? Jogando todas as cartas da honestidade, do inconformismo e da resignação na mesa, lhes digo: não tem cura. Segure sua marimba e o choro --dá pra arrasar na manutenção do problema e obter (e manter) resultados surpreendentes! Quem me acompanha sabe que sou parte interessada nesse rolê, já que o quadro se apresentou à minha face em 2008.

Conversei com três das maiores autoridades em dermatologia no país. Por suas mãos passam desde celebridades, figurões, até pacientes da clínica social que as rainhas atendem: Katleen Conceição, deusa suprema no cuidado de peles negras; Carla Vidal, especialista em cirurgia dermatológica (a mulher que recuperou minha pele); e Mamy Honda, imperadora no tratamento de peles asiáticas.

Afinal, o que é melasma e quais as razões do seu surgimento? Katleen responde: "Melasma é uma condição que se caracteriza pelo surgimento de manchas escuras na pele, mais comumente na face, mas também pode ser de ocorrência extrafacial, com acometimento dos braços, pescoço e colo. Afeta mais frequentemente as mulheres, podendo ser vista também em homens.

Não há uma causa definida, mas muitas vezes essa condição está relacionada ao uso de anticoncepcionais femininos, à gravidez e, principalmente, à exposição solar. O fator desencadeante é a exposição à luz ultravioleta e, até mesmo, à luz visível. Além dos fatores hormonais e da exposição aos raios solares, a predisposição genética também influencia no surgimento desta condição".

Ou seja, a gente nem precisa sempre acionar o superego na causa. Pode ser que você tenha desenvolvido melasma apenas porque já tava escrito no código genético da tua família e, por enquanto, nenhum pesquisador conseguiu descobrir a fórmula de apagar essa inscrição (atenção, cientistas, olha aí uma puta oportunidade! Boto maior fé na ciência).

Seguindo nessa exploração, quis saber quais são os fatores endógenos (internos) e exógenos (externos) que podem piorar o melasma. Segundo Carla, "a genética é um fator importante para o desenvolvimento ou não do melasma, por isso, se você sabe que existem casos na sua família, deve prestar atenção especial à saúde e cuidado da sua pele. Além da hereditariedade, desequilíbrio hormonal (inclusive cortisol, o hormônio do estresse, progesterona e estrógeno) e doenças da tireoide são os principais fatores endógenos que podem potencializar o problema. Externos são fontes diretas de calor (sol, banho quente, sauna), uso de produtos inapropriados para a pele e até mesmo alguns ativos medicamentosos podem potencializar o melasma na pele de um paciente".

Se liga sobre quão importante é prestarmos atenção de modo integral na nossa saúde e no que mandamos pra dentro do corpo, tanto quanto o que aplicamos sobre a superfície ou ainda em como ela é afetada pelas condições externas. Como mencionou Carla, há inclusive remédios que podem piorar o melasma.

O calor, gente! O calor pode piorar o melasma. Então, nunca mais poderei fazer sauna? E quanto às pessoas que moram em regiões muito quentes? Mamy alerta que "sim, o calor pode piorar o melasma. Pacientes que moram em regiões quentes têm maior predisposição também. Nesses locais, o ideal é proteção solar bem reforçada, com associação de antioxidantes tópicos, como a vitamina C e o resveratrol. E antioxidantes orais, como Polypodium Leucotomos, que potencializam a proteção solar".

Carla Vidal arremata: "Ocasionalmente, uma pessoa com melasma pode frequentar a sauna, desde que seja -como eu disse- ocasionalmente e não como um hábito. O mesmo vale para uso de secadores de cabelo. Eles podem ser usados, mas é preciso cuidado para que o vento quente não atinja diretamente o rosto da pessoa". E Katleen faz um alerta que me toca pessoalmente: até o vapor quente do banho, Brasil! Afemaria!

Quis saber também sobre como diferentes tons de pele são afetados pelo problema. Quais as principais diferenças no tratamento? Segundo Katleen, "todos os tons de pele podem ser afetados e o tratamento é igual, mas com diferenças de indivíduo para indivíduo." As três especialistas foram unânimes quanto à individualização do tratamento. Cada pele é uma pele, cada organismo é um organismo. Portanto, devem ser tratados de modo personalizado. Ainda não há fórmula mágica que resolva o melasma!

Em linhas gerais, as três médicas concordam sobre a importância da associação de tratamentos --rotina recomendada e adotada em casa, junto com procedimentos em clínica.

Falando de ativos mais eficazes no tratamento do melasma, aparecem: ácido kójico, ácido glicólico, ácido retinóico, ácido azeláico, arbutin, ácido fítico, ácido tranexâmico e ácido dióico.

Já em consultório, os protocolos podem incluir: peelings, lasers picossegundos, microagulhamento e, ainda, microagulhamento com entrega de ativos, como drug delivery (infusão de ativos).

Meu depoimento pessoal e recomendação (baseada em orientações médicas e experiência própria):

- Procure sempre um dermatologista.
- Respeite o tratamento recomenda do para sua pele.
- Aplique filtro solar em TODO seu corpo.
- Prefira filtro solar com cor para as regiões com melasma.
- Na praia, cachoeira e afins, reaplique o filtro a cada duas horas.
- Use bonés, guarda-sol ou chapéus com proteção UV.
- Evite fontes de calor.

Mas viva a vida, amora! Se o chatão do melasma quiser chamar atenção depois daquelas férias maravilhosas, lembre-se de como curtiu a vida e se divertiu, retome o tratamento e vida que segue. Dá certo, garanto!

Vem conversar comigo? Aqui no @fabi.gomes.