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Débora Miranda

Ginasta viraliza com apresentação inspirada no movimento Black Lives Matter

A ginasta americana Nia Dennis faz o gesto de por uma coroa na própria cabeça - Reprodução/Instagram
A ginasta americana Nia Dennis faz o gesto de por uma coroa na própria cabeça Imagem: Reprodução/Instagram
Débora Miranda

Débora Miranda é jornalista e editora do UOL. Neste blog, conta histórias de mulheres no esporte, mostrando como a atividade física pode transformar vidas e o mundo.

Colunista do UOL

31/01/2021 04h00

O que Michelle Obama, Viola Davis e Camila Pitanga têm em comum? Elas estão entre as milhares de pessoas —celebridades ou não— que postaram em suas redes sociais o vídeo da apresentação de ginástica artística da norte-americana Nia Dennis.

A jovem de 21 anos viralizou na internet após usar trechos de canções de Kendrick Lamar, Tupac, Missy Elliott e Beyoncé em sua performance —criando um tributo a artistas negros, segundo ela, inspirado pelo movimento Black Lives Matter (vidas negras importam).

"Queria que a apresentação fosse uma celebração a tudo que as pessoas negras podem fazer, a tudo que podemos superar. No meio de toda adversidade e opressão que enfrentamos, aqui estamos", afirmou a ginasta ao "The Lily", publicação feminina do jornal "The Washington Post".

Entre tantas acrobacias incríveis, Nia eternizou em sua coreografia um movimento menos complexo do que duplos mortais, mas muito mais profundo: o gesto de colocar uma coroa imaginária no topo da própria cabeça. Gesto esse que já fazia parte de sua apresentação anterior —embalada por canções de Beyoncé e que também viralizou há cerca de um ano, fazendo dela uma celebridade nos EUA. A ginasta chegou a ir até ao programa de TV de Ellen DeGeneres.

Segundo Nia, o conceito da apresentação foi inspirado nos protestos recentes contra o racismo. "O assunto de que fala o Black Lives Matter é tão pesado, é difícil para as pessoas discuti-lo. Às vezes, você precisa encontrar as pessoas onde elas estão, com uma celebração. Cada canção [usada na coreografia] é de um grande artista negro, que teve um grande impacto na cultura negra, que teve um grande impacto em mim. Então, estou literalmente celebrando o que eles fizeram e curtindo", afirmou ao "The Lily".

A alegria, a vibração e o gingado que Nia mostra na apresentação de solo tornam óbvio o que ela diz. Além de encantador. Mas a ginasta, que faz parte da célebre e inovadora equipe da UCLA (Universidade da Califórnia, em Los Angeles), lembra também que enfrentou problemas e discriminação na ginástica —um esporte que tem estrelas negras, como a supercampeã Simone Biles, mas que ainda é majoritariamente branco.

"Tem sido uma luta tentar me encontrar como uma mulher negra na América. Sempre me disseram que eu não era boa o suficiente, e eu tentei mudar para me encaixar na imagem ideal que todos queriam que eu tivesse. Aí eu vim para a UCLA, um lugar onde eu posso celebrar a excelência negra, onde posso me celebrar. Não posso imaginar nenhum outro lugar onde eu poderia ser eu mesma da forma que sou aqui."

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