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Cris Guterres

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

"Run The World" tem as referências negras que faltam nas séries nacionais

Protagonistas da série Run The World, do Starzplay, que se passa em NY - Jabari Jacobs/Divulgação
Protagonistas da série Run The World, do Starzplay, que se passa em NY Imagem: Jabari Jacobs/Divulgação
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Cristiane Guterres Cris Guterres

Cris Guterres é jornalista, empreendedora e sonhadora. Proprietária do Atrium Restaurante, palestra sobre diversidade, motivação e liderança feminina. Sua especialidade é mostrar o quanto somos fortes e podemos mudar, com competência, qualquer situação opressora ao nosso redor.

Cris Guterres

Colunista de Universa

25/05/2021 04h00

"Who Run The World?" A resposta nós já sabemos: girls. Beyoncé foi uma das mulheres que nos convenceram da nossa força para comandar o mundo cantando este refrão de maneira explosiva. A nova série da plataforma Starzplay, disponível no Brasil pela Amazon Prime, leva o mesmo nome da canção: "Run The World".

Escrita por Leigh Davenport e produzida por Yvette Lee Bowser, a trama é protagonizada por amigas que se divertem, vivem conflitos, ascendem profissionalmente, amam, traem, são traídas e se jogam em suas aventuras tendo a cidade de Nova Iorque como cenário. Alguma semelhança deste roteiro com a icônica série dos anos 90 "Sex And The City"? Muitas.

Mas, para além das semelhanças, são quatro mulheres negras. Lindas, glamurosas e ambiciosas de 30 e poucos anos, elas vão tentando conquistar o mundo. Whitney (Amber Stevens West) está prestes a se casar, mas suas dúvidas sobre seu relacionamento a levam a conhecer um outro homem. Sondi (Corbin Reid) é uma estudante de doutorado que vive há anos um romance escondido com seu orientador. Ella (Andrea Bordeaux) tenta se reerguer após o fracasso do lançamento do seu primeiro livro e uma separação dolorosa, enquanto Renee (Bresha Webb) está em conflito no casamento por não concordar com as escolhas profissionais do marido.

No cenário, o bairro negro do Harlem — que sou suspeita para falar qualquer coisa. Quando me perguntam qual é a minha cidade favorita no mundo, eu respondo Harlem. Meu amor por Nova Iorque é imenso por conta das descobertas de identidade e liberdade que fiz neste lugar.

Quando, na primeira cena da série, as quatro amigas se divertem em uma animada noite no Red Rooster, a minha memória me teletransportou ao número 310 da Lenoxx Avenue e eu me senti nas intermináveis noites que tive neste restaurante ao lado da minha amiga Elis Clementino.

Não seria nada de novo no entretenimento televisivo, não fosse o fato de que nós, mulheres negras brasileiras, não termos acesso a programas assim aqui no Brasil.

Acompanhar mulheres negras enquanto personagens principais em uma trama em que nossos anseios, desejos, dúvidas e desafios estão no centro da tela é um sonho que só conseguimos realizar assistindo a produções americanas

Uma história leve, nenhuma revolução política, nenhuma tentativa de mudar o status quo por meio de umas horas na frente da televisão. "Run The World" é, na verdade, uma série para te levar para fora de todos os horrores que estamos vivendo na atualidade. É assistir para se distrair, se encantar com os figurinos intensos e maravilhosos de Patricia Field, que aliás, também foi a figurinista de "Sex and The City".

É para você assistir sem ter que pensar em nada além do que um bom motivo para conhecer Nova Iorque e se hospedar no Harlem, assim que brasileiro deixar de ser persona non grata pelo mundo

Se você for uma mulher negra entre 20 e 40 anos, com uma vida financeira equilibrada, é uma bela oportunidade de se sentir representada pelas histórias que cada uma das personagens vive no dia a dia.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL