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Ana Paula Xongani

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Estamos prontes para abrir mão do conforto da roupa usada no home office?

Volta ao trabalho presencial traz dúvidas sobre que roupa usar, após meses vestindo peças confortáveis no home office  - PeopleImages/Getty Images
Volta ao trabalho presencial traz dúvidas sobre que roupa usar, após meses vestindo peças confortáveis no home office Imagem: PeopleImages/Getty Images
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Ana Paula Xongani

Ana Paula Xongani é multiempresária: no Ateliê Xongani, de moda afro-brasileira, e também na empresa que leve o seu nome, de criação de conteúdo. Apresenta o programa Se Essa Roupa Fosse Minha, no GNT, sobre moda consciente. Fala com leveza e responsabilidade sobre temas sempre importantes para que todo mundo junto construa um mundo mais justo e acolhedor para todos, especialmente para as mulheres pretas. Ativismo afetivo, como costuma dizer.

Colunista de Universa

27/10/2021 04h00

Hoje nesta coluna quero compartilhar uma conversa que eu tive com uma grande amiga sobre moda. Mas antes quero reafirmar o que sempre trago aqui: falamos, vivemos e pensamos moda todos os dias, mesmo quando não nos damos conta disso! Eu adoro quando essas conversas acontecem de forma orgânica e espontânea, provando mais uma vez que moda e sociedade andam lado a lado.

Passamos por mais de 18 meses de pandemia severa, que mudou muito os nossos hábitos em diversas esferas. Nossas escolhas na moda é uma delas. As pessoas que tiveram oportunidade de ficar em casa experimentaram uma nova forma de se vestir. Meias, calças largas, camisetas e até pijamas completos ou da cintura pra baixo fizeram parte do "vestuário de trabalho"

A indústria da moda se adaptou, grandes lojas e pequenos produtores inclinaram suas criações para o conforto que o home office pedia! Conforto, sem dúvida, foi a palavra diretriz de muitas coleções.

Retomada do trabalho presencial

Agora a vida social do trabalho presencial está começando sua retomada e, com ela, temos que encarar nosso guarda-roupa de tempos atrás ou recorrer ao novo guarda-roupa que se formou a partir da necessidade de tempos pandêmicos.

Nessa decisão pode haver um conflito, principalmente para as pessoas que, a partir do que vestem, precisam performar conceitos definidos como social, chique e elegante para estarem "adequados" a trabalhar nas suas empresas.

A pergunta que minha amiga fez e que repasso a você que está me lendo agora é:

Estamos prontes para voltar atrás depois do conforto que experimentamos com as roupas do home office?

O resultado de um bom trabalho depende de variantes. Principalmente para quem pensa a humanização trabalhista, se sentir bem é algo fundamental. Precisamos pensar na possibilidade de que, a partir de agora, para muitos de nós, se sentir bem é se vestir de forma mais parecida com o que fizemos nos últimos tempos. As empresas e o ambiente corporativo estão dispostos a aceitar isso?

E, nós trabalhadores, principalmente as trabalhadoras, estamos dispostas a continuar a alta produtividade com os desconfortáveis saltos altos e as sapatilhas sociais?

Será que essa não é uma boa hora para repensarmos o que realmente importa na hora de se vestir e quais as implicações do desconforto do vestuário nos ambientes de trabalho? E, quem sabe, deixar a nossa necessidade falar mais alto do que a roupa que alguém definiu como ideal?

Eu acho que sim. E você, o que acha?

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL