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Ana Paula Xongani

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Lewis Hamilton mostrou que poder também é porta aberta para a diversidade

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Imagem: Reprodução/Instagram
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Ana Paula Xongani

Ana Paula Xongani é multiempresária: no Ateliê Xongani, de moda afro-brasileira, e também na empresa que leve o seu nome, de criação de conteúdo. Apresenta o programa Se Essa Roupa Fosse Minha, no GNT, sobre moda consciente. Fala com leveza e responsabilidade sobre temas sempre importantes para que todo mundo junto construa um mundo mais justo e acolhedor para todos, especialmente para as mulheres pretas. Ativismo afetivo, como costuma dizer.

Colunista do UOL

16/09/2021 04h00

O poder "oportuniza" diversidade. Acredito que algumas pessoas ainda não validam uma lógica muito concreta - e a lógica não precisa ser singular, existem muitas lógicas possíveis - sobre o que é o projeto da ascensão negra consciente.

Trago aqui alguns exemplos: Hamilton, Beyoncé, Rihanna, Djamila Ribeiro e Taís Araujo. São pessoas que, a partir de algumas leituras possíveis, detêm certos poderes em mãos. O caminho trilhado por cada uma destas pessoas, sobretudo as mulheres, pode gerar uma ideia de encantamento atrelado ao poder financeiro e midiático muito forte. E o que eu quero propor de reflexão aqui é que esse poder tem capacidade de ampliar o caminho da diversidade.

Sempre haverá questionamentos sobre o capital e a possibilidade ao que, de fato, esse capital - somado à consciência - pode levar. Então, trago um exemplo. Nesta semana, tivemos Lewis Hamilton comprando uma mesa no baile do museu Metropolitan, de Nova Iorque, o Met Gala, para levar designers negros com ele. São profissionais que, certamente, em razão das estruturas sociais, levariam mais tempo para entrar em espaços como aquele.

Ele, assim como outras personalidades negras, muitas vezes são questionadas e cobradas sobre o que de fato estão fazendo, sobre o quanto suas intenções estão, de fato, atreladas às causas que carregam na pele, literalmente.

Então, quando o Hamilton leva os designers, ele está agindo de forma prática. E esse é o movimento que o ativismo deseja e busca — para além da representatividade, também queremos uma cadeia produtiva negra em diferentes níveis de poder. Ele já seria uma representação potente e forte sozinho nesse ambiente, mas quis propor ainda um diálogo sobre quem faz a moda, cria e se destaca. O baile, que é promovido pela revista Vogue norte-americana, é uma vitrine gigantesca para mundo e se relaciona diretamente com a moda. Algumas personalidades negras já estão lá, mas precisamos mudar as cadeiras ou, objetivamente, trabalhar para impactar na cadeia produtiva desta indústria.

Vamos conhecê-los também?

Edvin Thompson
Estilista jamaicano-americano, o nome por trás da Theophilio, marca de moda contemporâneo sediada no Brooklyn, em Nova York.

Jason Rembert
Jason é designer e stylist. Coleciona trabalhos em veículos importantes desta indústria, como "Vogue", "L'Officiel","Paper", "Essential Homme", "GQ UK", "Sports Illustraded", "Variety", "Billboard Magazine", além de campanhas para marcas como Adidas, Moncler e Google.

Kenneth Nicholson
Estilista americano avançadíssimo nas abordagens da moda masculina, desafiando as "regras estreitas" sobre gênero.

Law Roach
É o stylist responsável por looks espetaculares usados por artistas também espetaculares em tapetes vermelhos, como Zendaya, Cèline Dion, Anya Taylor-Joy, Ariana Grande e Kerry Washington.

É muita gente talentosa, com trabalhos respeitados e admirados, mas que, sem dúvidas, tiveram seus alcances amplificados quando entraram para o bonde do Hamilton. É sobre isso. Não só sobre isso, mas também sobre isso.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL