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Ana Paula Xongani

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Elegância, estilo e corpos plurais: 5 stylists para ficar de olho

Salisa Barbosa é uma estilista chic - Divulgação
Salisa Barbosa é uma estilista chic Imagem: Divulgação
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Ana Paula Xongani

Ana Paula Xongani é multiempresária: no Ateliê Xongani, de moda afro-brasileira, e também na empresa que leve o seu nome, de criação de conteúdo. Apresenta o programa Se Essa Roupa Fosse Minha, no GNT, sobre moda consciente. Fala com leveza e responsabilidade sobre temas sempre importantes para que todo mundo junto construa um mundo mais justo e acolhedor para todos, especialmente para as mulheres pretas. Ativismo afetivo, como costuma dizer.

Colunista do UOL

12/08/2021 04h00

Muitas coisas me levaram para a moda, muitas mesmo. Uma delas, sem dúvida, é a possibilidade de, a partir da moda, construir uma estética bela e positiva para corpos como o meu, corpos negros e volumosos. Para além das roupas, na moda, a "imagem" é composta de outros elementos, como sapatos, acessórios, cabelo, make. E juntar tudo isso é o trabalho das "stylists".

Em razão dos meus trabalhos, principalmente como apresentadora de TV, internet e criadora de conteúdo, seja nos projetos autorais, seja na publicidade, tenho estado muito perto dessas profissionais. E é muito interessante sacar os movimentos em torno disso.

Temos cada vez mais espaços sendo ocupados por mulheres negras e a pluralidade de existências também tem sido cada vez mais buscada nos diferentes tipos de conteúdo. Corpos não padrão que precisam comunicar do início ao fim. Nesse sentido, comecei a perceber a importância de figurinistas negras nos meus trabalhos quando saquei a diferença que faz o fato de essas mulheres conhecerem corpos como o meu. Para definir cores, cortes e tamanhos. Para valorizar a beleza da minha corporalidade exatamente como ela é.

Por isso, para criar e registrar referência, além, é claro, de exaltar o trabalho delas, compartilho com vocês 5 stylists fundamentais para você conhecer, admirar, indicar, compartilhar. Vamos lá?

1 - SALISA BARBOSA
Ela é uma estilista chic. Eu diria que é uma pessoa que pensa a moda com elementos diversos de estilistas brasileiros, mas sempre numa alta-costura, numa alfaiataria muito presente, sempre buscando oferecer um imaginário de um lugar pouco comum, que é o da elegância negra, da elegância negra feminina, das cores superpresentes, de uma forma extremamente harmônica e muito elegante. Ela é também muito criativa na hora de vestir. Então ela vai vestir uma roupa ao contrário para testar, vai fazer combinações ousadas (eu falo isso porque ela já me vestiu de roupa ao contrário três vezes), sem perder a elegância. Um talento só!

2 - SUYANE YNAYA
Suyane é um ícone, uma referência. Para além de produzir estilo, ela também comunica sobre estilo. Ela é diretora da "ELLE", onde tem um papel importante de construir imagens nesse lugar muito específico que são as capas de revista. Ela forma novas pessoas a partir do que ela faz. As pessoas seguem ela para entender sobre esse trabalho, sobre essa profissão, sobre esse lugar. E é só reparar nas capas e editoriais da revista para entender que o que ela faz é incrível e muito admirável.

3 - NANÁ MILUMBÊ
Naná é uma estilista urbana, muito criativa também, mas em outro lugar. Ela é criativa no sentido de transformar qualquer peça num belo look. Ela tem uma riqueza que é a de misturar Moda Brechó com Moda Alfaiataria com Moda Negra. Nada tem limite. Ela não cria limites do tipo ''ai, eu não gosto de''. Não existe isso para ela, que combina múltiplos códigos de um jeito muito harmônico e legal.

4 - MAIWSI AYANA
A Maiwsi é uma estilista que, a meu ver, tem como diferencial a Moda Street, a Moda de Rua, a Moda do Esporte, todas muito importantes nas culturas negras. Ela traduz isso de uma forma muito incrível. O tênis, a roupa hip-hop, a roupa do skate, a roupa da rua, tudo muito confortável. Ela sempre consegue um lugar muito especial de você se sentir extremamente adequada com o que ela te propõe a vestir, mas com algo fundamental para as culturas negras, que é a moda de onde a gente veio, que forma a gente, a partir da música, da dança. Lindo, lindo, lindo!

5 - FERNANDA GARCIA
A Fernanda eu já entrevistei para a coluna "Eu tenho uma dica ótima de série para tempos brutos". Ela é a figurinista da série "Casa da Vó", da WoloTV, streaming focado na produção audiovisual negra. Ela vem surpreendendo, faz muito filme, TV e novela. É carioca e, com base nisso, é muito legal a gente regionalizar as experiências de moda dentro do território brasileiro. Ela traz, por exemplo, a experiência da moda nas comunidades cariocas. Ela traduz, conta histórias através da moda. Histórias de migração, de pessoas que atravessam pontes, conquistam lugares e voltam sempre às suas raízes, seus berços. Na série, isso ficou muito claro. Um trabalho incrível.

Olhar para corpos plurais
Eu respeito demais essa profissão, uma profissão que quem vê close não vê corre. Uma profissão de muito relacionamento, com os fornecedores, com as assessorias, com os clientes, com muita gente. Uma entrega que conta demais com o olhar que elas têm sobre esses corpos.

Como venho da moda, posso dizer que foi um pouco tardio o momento em que me aproximei dessas profissionais, já que eu sempre me vesti e tudo o mais. Mas já trabalhei com essas todas que trago para vocês. Elas são fundamentais para construir meus discursos não verbais a partir do que me vestem.

Além de um trabalho incrível, elas oferecem conforto no processo — principalmente quando fazem parte do processo corpos negros, corpos volumosos, corpos não padrão. Com isso, elas criam imaginário, criam ideias de beleza que não estamos acostumadas a ver. E, dessa forma, inibem processos desgastantes e, por vezes, traumáticos.

Elas conseguem fazer uma leitura corporal muito assertiva de corpos parecidos como o meu, porque também têm experiências, saberes e dedicação sobre corpos plurais e diversos. E é por isso que é fundamental que a diversidade não esteja apenas naquilo que a imagem quer comunicar, no final. É fundamental que as imagens sejam construídas a partir dela.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL