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Ana Paula Xongani

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Quando falo com a minha filha sobre orgulho LGBTQIA+, converso sobre amor

É possível dialogar com as crianças de forma simples e efetiva - Reprodução
É possível dialogar com as crianças de forma simples e efetiva Imagem: Reprodução
Ana Paula Xongani

Ana Paula Xongani é multiempresária: no Ateliê Xongani, de moda afro-brasileira, e também na empresa que leve o seu nome, de criação de conteúdo. Apresenta o programa Se Essa Roupa Fosse Minha, no GNT, sobre moda consciente. Fala com leveza e responsabilidade sobre temas sempre importantes para que todo mundo junto construa um mundo mais justo e acolhedor para todos, especialmente para as mulheres pretas. Ativismo afetivo, como costuma dizer.

Colunista de Universa

03/06/2021 04h00

Eu sou uma mulher que se identifica com o gênero que a sociedade determinou a partir das minhas características biológicas; sou uma mulher cisgênero. Sou também alguém que se relaciona afetivamente e sexualmente com com o gênero oposto ao meu, ou seja, com homens. Logo, sou uma mulher heterossexual. Além disso, como vocês já sabem, sou também preta e mãe.

Sou mãe da Ayolowa e, neste lugar, sigo consciente da minha responsabilidade não apenas pelos cuidados com ela agora, mas pelas práticas que influenciarão a pessoa que ela será no futuro. É clichê, mas é verdade. Hoje, a gente cria o futuro.

Eu não faço isso sozinha. Meu companheiro, os avós, madrinhas, tios e amigos criam minha filha junto comigo! Já falei aqui sobre não construir minha maternidade a partir de uma perspectiva de protagonista do cuidar. Se não leu, leia aqui — é importante!

O processo de ensinar uma criança é delicioso. É uma possibilidade de direcionar o olhar de um ser humano para o caminho certo! Sim, o caminho certo da compreensão da beleza e concretude da pluralidade. O caminho certo do respeito.

Além de gostoso, é uma responsabilidade gigantesca! Se cuidadores de crianças não estiverem atentes a isso, é o mundo que vai criar estes pequenos indivíduos. E, convenhamos, o mundo ainda está muito longe de ser um lugar justo e ideal.

A minha filha tem seis anos e apesar de parecer que uma conversa sobre o que significam as letras da sigla LGBTQIA+ (Lésbicas, gays, bissexuais, trans e travestis, queers, intersexuais, assexuais e demais existências de gêneros e sexualidades) é muito profunda, na verdade, não é! Conversar sobre isso com uma criança significa ter uma conversa inicial, incompleta e facilitada para abrir as portas do pensamento dela na primeira infância. Seja para ampliar uma compreensão de mundo, seja para criar conforto para falar sobre ela mesma, se for o caso.

Certamente, ao longo de seu desenvolvimento, falaremos mais sobre todas as questões que dialogam com a vivência dessas pessoas. Ainda vamos entrar em detalhes. Mas, antes disso tudo, o que procuro estimular nas conversas com ela, é o que diz a música: "LIBERDEITO: a liberdade e o direito de ser desse ou daquele jeito".

Eu quero que a minha filha respeite as existências plurais. Quero que ela saiba que, para ela ou para o outro, está tudo bem ser quem é

Somando Instagram, YouTube e várias repostagens por outros perfis de mídia, este é, sem dúvida, o vídeo mais visto da minha carreira e eu fico muito orgulhosa e feliz com isso. Por isso, neste início do mês do orgulho LGBTQIA+, quero compartilhar com vocês aqui. É uma conversa sobre amor. O amor que eu espero que ela entregue para o mundo e que o mundo devolva para ela.

Que o mundo aprenda a respeitar as existências e as relações que tantas pessoas têm e terão.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL