PUBLICIDADE

Topo

Ana Paula Xongani

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Até sobre Angela Davis: as histórias em quadrinhos têm muito o que ensinar

Cena da HQ "Miss Davis"  - Divulgação
Cena da HQ "Miss Davis" Imagem: Divulgação
Ana Paula Xongani

Ana Paula Xongani é multiempresária: no Ateliê Xongani, de moda afro-brasileira, e também na empresa que leve o seu nome, de criação de conteúdo. Apresenta o programa Se Essa Roupa Fosse Minha, no GNT, sobre moda consciente. Fala com leveza e responsabilidade sobre temas sempre importantes para que todo mundo junto construa um mundo mais justo e acolhedor para todos, especialmente para as mulheres pretas. Ativismo afetivo, como costuma dizer.

Colunista de Universa

28/05/2021 04h00

Às vezes, quando a gente chega na vida adulta, maturidade e tal, tem a impressão que já se apaixonou por quase todas as coisas apaixonáveis. Mas vou contar para vocês hoje que eu tenho uma paixão bem recente: as histórias em quadrinhos. Isso mesmo, HQs, os comic books! Deixa eu te contar um pouco dessa relação para, caso você também não goste ou nunca nem tenha pensado em dar uma chance para essa coisa que muita gente gosta de colocar na caixinha "nerd", quem sabe também não se surpreenda.

Eu gosto muito das HQs, porque é uma leitura dinâmica e que tem o apoio de imagens, o que deixa tudo ainda mais lúdico. Como a história é dividida em "quadros", o avanço na história é aparentemente mais rápido. Adoro ter a ideia de que o que eu estou lendo está passando, sabe? Que estou caminhando em uma velocidade legal? Pois sim… Acho muito bonito o fato de que a história é contada a partir de palavras e também com o desenho. Um é complementar ao outro.

Confesso que, em um primeiro momento, fui afastada das HQs. Basicamente, porque não encontrava histórias com as quais eu me identificasse nos personagens. Não conhecia personagens negros nas histórias em quadrinhos. E, mesmo no mundo dos super-heróis, era tudo muito distante de mim, além de que não tive a oportunidade de conhecê-los até ser impactada por Pantera Negra, obviamente.

Hoje, tenho uma pequena coleção e vou indicar quatro das minhas preferidas para vocês. São livros com histórias interessantes e diversas, porque a gente gosta de diversidade por aqui. Vamos lá?

HABIBI

Este romance gráfico do Craig Thompson é demais. É todo preto e branco, com ilustrações belíssimas e ambientada em um país fictício que, de certa forma, presta uma homenagem à riqueza da cultura árabe — sem esquecer de críticas importantes também. Tem arte, tem religião, tem política, tem economia e tem uma história de transição de gênero espetacular. Genial e imperdível.

AYA

Esta HQ é para você ressignificar tudo o que sempre ouviu sobre África. O enredo feminsita se passa na Costa do Marfim e pensa o lugar da mulher neste território. Tem cores e texturas muito bonitas na ilustração! É bem legal acompanhar as escolhas da autora, Marguerite Abouet, para representar as pessoas e o país. Eu amei (e ainda parece o nome da minha filha, Ayo!).

CAROLINA

A minha terceira indicação é uma HQ brasileira, que resgata a memória de uma das mulheres mais importantes da nossa literatura, a escritora Maria Carolina de Jesus. Gostei, porque é uma nova forma de conhecer e se reconhecer na história dela. Os responsáveis são Sirlene Barbosa e João Pinheiro.

MISS DAVIS

Li em uma tarde! Não deu para parar! Uma HQ sobre Angela Davis, não é, pessoal? Não preciso dizer mais nada! Rememora vários detalhes da vida dela e de outros militantes da época. Desenha o caminho de Angela desde a infância até a saída da prisão. Algo que me chamou a atenção é que tem vários tipos de desenho e eles mudam conforme a história avança: tem colorido, tem p&b, tem traço que parece desenhado à lápis; às vezes divertido, outras, tenso.

Para fechar este texto, vou deixar uma dica final: o autor Marcelo D'Salete, que quero muito conhecer mais o trabalho, pois o que já vi eu amo.

E vocês? Costumam ler HQs ou começaram tarde como eu? Me contem aqui nos comentários?

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL