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Ana Paula Xongani

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

No auge da pandemia, vale tudo em nome da saúde mental?

Estamos todos cansados, mas não é o momento para descuidos - FG Trade/Getty Images
Estamos todos cansados, mas não é o momento para descuidos Imagem: FG Trade/Getty Images
Ana Paula Xongani

Ana Paula Xongani é multiempresária: no Ateliê Xongani, de moda afro-brasileira, e também na empresa que leve o seu nome, de criação de conteúdo. Apresenta o programa Se Essa Roupa Fosse Minha, no GNT, sobre moda consciente. Fala com leveza e responsabilidade sobre temas sempre importantes para que todo mundo junto construa um mundo mais justo e acolhedor para todos, especialmente para as mulheres pretas. Ativismo afetivo, como costuma dizer.

Colunista de Universa

07/05/2021 04h00

Hoje é dia 7 de maio e já passamos do primeiro ano de pandemia. No momento, vivemos uma fase muito ruim, certamente das piores desde o início, com mais de dois mil mortos por dia e uma perda recente simbólica, do humorista Paulo Gustavo. Pouco a pouco, a realidade nos entristece e nos tira os poucos sopros de esperança que ainda alimentam.

Nada é exatamente uma novidade, mas venho me perguntando e pensando sobre o quanto a gente precisa ser responsável pelas pessoas que estão perto da gente.

Penso muito também sobre como eu, uma criadora de conteúdo e formadora de opinião, tenho responsabilidades sobre o que faço e digo.

Muitas pessoas me acompanham nas redes sociais e aqui também. Tenho perdido várias noites de sono pensando nisso e, em uma das várias noites insones, que voltaram com força total nos últimos dias, escrevi um pequeno texto. Acordei e passei para o papel em um impulso para tirar de mim alguns sentimentos. Achei que valia a pena compartilhar com vocês.

Quero que a gente faça um diálogo sobre ele. Vamos trocar aqui nos comentários e nas redes sociais? Ele é um desabafo e diz assim:

"Hoje, agora, na madrugada, mais um choque de realidade, mais uma noite de insônia, mais uma entre tantas outras desde o último ano. Vocês estão conseguindo dormir? Dormir bem?

Nossa! Faz mais de um ano! E é como se eu quisesse evitar falar do assunto, sabe? É como se eu quisesse evitar falar do caos que estamos vivendo, porque é difícil.

Ficar em silêncio, se esquivar das notícias, evitar o assunto por vezes é mais fácil. Se eu não falo, não existe. Mas, não! Eu não acredito nisso!

Por muitas vezes, o meu cérebro acredita e o seu também. Acabamos embarcando em um estado de negação. Negação, negacionismo. Algumas das palavras que estamos ouvindo bastante. Negacionista ou quem nega a ciência, quem nega as vítimas da covid, quem nega a vida.

Reclamamos das posturas negacionistas do governo que temos, mas será que, guardadas as devidas proporções, também não negamos um pouco? Quando você sai de casa ou quando eu saio de casa, quando a máscara ganha cara de acessório, quando vamos dar um pulo na academia ou no apartamento de alguém. Quando foi mesmo que deixei de lavar os legumes como antes? É, eu fiz tudo isso. Talvez você também. Por quê?

Você está cansada? Eu entendo. Eu também estou. Talvez o cérebro queira nos proteger do cansaço, do medo. Então ele esquece, nega o que você quer e não pode fazer. Estamos no meio do caos. E eu não queria ter que repetir isso em voz alta. Caos. Também não estou aqui para te assustar, mas quero que a gente saia do mínimo estado de negação.

Continue fazendo o que te faz bem. É importante. Maquiagem, vídeo de look, ioga, meditação, além do trabalho, que é necessário. Fique fora das redes ou permaneça, o que preferir. Descanse. E, acima de tudo, busque alternativas seguras de fazer o que te faz bem e mantém em pé.

Vale tudo! Será que vale tudo pela saúde mental? Bem, só tem uma coisa que não dá mais: esquecer que estamos no pior momento da pandemia. Se cuida. Mas se cuida como nunca! Até um pouco mais. E, se puder, fique em casa."

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL