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Ana Paula Xongani

Mulheres empoderadas também sofrem depressão. Você sabe pedir ajuda?

Arquivo pessoal
Imagem: Arquivo pessoal
Ana Paula Xongani

Ana Paula Xongani é multiempresária: no Ateliê Xongani, de moda afro-brasileira, e também na empresa que leve o seu nome, de criação de conteúdo. Apresenta o programa Se Essa Roupa Fosse Minha, no GNT, sobre moda consciente. Fala com leveza e responsabilidade sobre temas sempre importantes para que todo mundo junto construa um mundo mais justo e acolhedor para todos, especialmente para as mulheres pretas. Ativismo afetivo, como costuma dizer.

Colunista do UOL

21/01/2021 04h00Atualizada em 21/01/2021 10h34

Quero compartilhar com vocês algo que troquei com os Xongs lá nos meus stories e a escuta foi tão bonita, que acho importante trazer pra cá também. Muita gente que me segue por lá tá adorando as atividades de autocuidado que anda acompanhando: meditação, caminhada, dança, boxe, patinação, leitura, comidinha boa e tal.

Acho importante, pra começar, lembrar que toda jornada tem um ponto de partida. E, pra chegar onde estou agora, o caminho foi bonito, mas não foi fácil. Tudo começou com uma queda grande.

Há uns dois meses, eu passei por uma barra. Não conseguia sair da cama pra nenhum motivo, além de trabalhar. Meu senso de responsabilidade com o trabalho, com as pessoas da minha equipe era o que me fazia levantar. Tem gente que pensa que essas coisas não acontecem com mulheres como eu, independentes, articuladas, empoderadas, donas de si. Mas, acontece sim.

Levantar eu levantava, mas meu sentimento era que eu não estava levantando pelos motivos certos. Eu não levantava querendo levantar, afim, sabe? Conversando com minha terapeuta, chegamos à conclusão que, naquele ponto da vida, eu estava no início de um processo de burnout mesmo, que é um estado de estresse crônico que leva a gente à exaustão física e emocional, sentimentos de ineficácia e falta de realização, ou até de depressão.

Precisei pedir ajuda. E pedi. À minha terapeuta e também ao meu companheiro. Pedi pra ele me ajudar a levantar, a fazer exercícios. Então, ele, que corre diariamente, começou a caminhar comigo. Ficamos nessa por uns 20 dias.

Ana Paula Xongani - Arquivo Pessoal - Arquivo Pessoal
Imagem: Arquivo Pessoal

No processo, eu meio que me cobrava demais. Tipo, como assim? Eu? Uma mulher dona de mim, dos meus caminhos, tendo que pedir ajuda? Fragilizada? Estou perdendo o controle sobre mim mesma? Minha terapeuta então, colocou as coisas numa perspectiva que foi fundamental para virar esse jogo, porque foi algo que ela disse e que impactou diretamente no meu entendimento dos processos de cura e também na minha autoestima.

Ela disse: "Ana Paula, o pedido veio de você, a ação foi sua! Por mais que tenham pessoas te ajudando, a ação foi sua. Foi você que começou o processo de se ajudar e se curar. É você quem está fazendo isso". E isso foi um aprendizado pra vida.

Se você tem dificuldade de pedir ajuda, assim como eu, bem-vinda ao clube. Mas, olha, quando a gente se toca de que, mesmo quando a gente pede ajuda, é a gente que tá fazendo isso, é transformador e facilita muito. Coloca as coisas todas num lugar que é muito do que nos aflige, que é esse lugar de achar que quando a gente pede ajuda é porque tá perdendo a noção da gente mesma. E não é.

A gente está é justamente retomando essa noção, cuidando para seguir tendo conforto emocional e autonomia sobre a gente mesma. E isso não só é potente, como é muito lindo.

E aí, veio o pulo do gato. Pela primeira vez na minha vida eu estava fazendo exercício apenas e exclusivamente com foco na minha saúde mental. Então, tanto fazia se eu corria muito, se corria pouco, quanto tempo, se eu suava, se eu não suava. Meu único objetivo era terminar o dia mais saudável e mais afastada daquele quadro de burnout ou início de depressão. E começou a rolar muito!

No começo, meu companheiro tinha que me tirar da cama, depois eu já conseguia ir sozinha, até o ponto que eu estou agora. Quando as férias chegaram, aproveitei para experimentar. Conhecer as coisas que fazem sentido pra mim, aquilo tudo que falei acima. Óbvio que eu não vou manter tudo. Não tenho tempo e também é caro.

Estou compartilhando com vocês aqui pra dizer basicamente uma coisa: se você não está conseguindo, não consegue sair da cama, não se sente animada com ou vontade de fazer as coisas, quando se coloca uma meta de atividade, faz dois, três dias, depois não vai mais, vou te dizer o seguinte. Você só precisa fazer UMA ÚNICA COISA! Acredita na Xongani!

Cuida da sua cabeça! Só da sua cabeça! Faça terapia, procure ajuda, orientação nesse sentido, porque existem vários tipos de cuidados com a saúde mental. Mas, procure! Faça! O resto vai acontecer, não esqueça que é o seu cérebro que comanda todo o seu corpo.

Eu não sou uma musa fitness e não pretendo ser. Eu não sei quanto tempo eu consigo, eu não sei quais são as próximas lombadas de vida. Hoje eu conheço o que entendo como ideal pra ter uma rotina de autocuidado e autoamor. E conhecer isso já me deu um destino. O resto pessoal, tanto eu aqui quanto vocês aí, a gente vai descobrir no caminho.

Recebo muitas mensagens da galera que me segue dizendo que estão adorando essa nova fase, que estou inspirando um monte de coisa positiva e eu fico muito, muito feliz. Mas eu não podia seguir produzindo conteúdo, inclusive esta coluna, sem contar pra vocês essa jornada. E que essa jornada começou numa grande queda emocional e depois veio uma escada, degrau por degrau, em busca da saúde mental.

E agora sim a gente pode continuar trocando ideia sobre isso, sabe? Então, me contem! Você já passou por uma jornada parecida?