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Ana Paula Xongani

Normal é ser diferente: 3 dicas rápidas para você mudar o mundo

Reprodução/Instagram
Imagem: Reprodução/Instagram
Ana Paula Xongani

Ana Paula Xongani é multiempresária: no Ateliê Xongani, de moda afro-brasileira, e também na empresa que leve o seu nome, de criação de conteúdo. Apresenta o programa Se Essa Roupa Fosse Minha, no GNT, sobre moda consciente. Fala com leveza e responsabilidade sobre temas sempre importantes para que todo mundo junto construa um mundo mais justo e acolhedor para todos, especialmente para as mulheres pretas. Ativismo afetivo, como costuma dizer.

Colunista do UOL

05/11/2020 04h00

O Brasil é essencialmente diverso, com múltiplas etnias convivendo e convergindo seus sonhos e projetos de vida. Isso se deu em razão dos diferentes povos e culturas que fazem parte da construção da história deste país. Temos aqui os indígenas, povo original desta região, e a população negra, amarela e branca, descendentes de povos de diferentes países da África, Europa e Ásia.

Esta "mistura", que é bonita de se ver, sim, é muitas vezes exaltada como uma das características mais positivas do Brasil. E de fato é. Temos por aqui diferentes tons de pele, diferentes texturas de cabelo, diferentes sabores na gastronomia, diferentes religiões, gostos musicais e muito mais.

No entanto, o que poderia ser totalmente positivo, nem sempre é visto desta forma. Ainda existe um grande abismo entre sermos um país diverso e aceitarmos, de fato, a diversidade -o que temos de diferente entre nós. Ainda estamos muito distantes de uma realidade em que se compartilhem oportunidades iguais para toda a diversidade de pessoas que temos por aqui.

Como mulher preta, de corpo volumoso e dreads, passo diariamente por situações que me mostram o quanto o que é diferente ou "não padrão" causa incômodo em muitos espaços, por vezes gerando reações preconceituosas.

Mas, como vocês sabem, minha proposta é fazer o que chamo de "ativismo afetivo", que é propor conversas sobre estas questões, partindo de um lugar de afeto e escuta comprometida com a máxima de que não há problema quando a gente não sabe de algumas coisas e por isso erra. Pra mim, o problema mesmo é, sempre foi e continuará sendo quando a gente não aceita ou não quer mudar quando passa a saber o que estamos fazendo de errado.

É importante termos a humildade de entender e aceitar que muitas das coisas que aprendemos sobre pessoas negras, sobre as mulheres, sobre as pessoas LGBTQ+, por exemplo, estão carregadas de estereótipos que não condizem com as subjetividades destes indivíduos e, muitas vezes, alimentam preconceitos.

Se de fato queremos ser pessoas que respeitam a diversidade e as características de cada indivíduo, mesmo quando diferentes das nossas, precisamos nos comprometer cotidianamente a observar, rever e corrigir nossas atitudes.

Para você que está lendo este post, vou compartilhar três dicas do que costumo fazer:

1. Naturalizar o diferente

O que isso significa? Significa que precisamos entender e aceitar que existências diferentes das nossas são naturais, normais. O normal, justamente, é ser diferente. Somos todos diferentes do colega do lado, não somos? Mas, para dar um exemplo emblemático: eu sou uma mulher preta militante e parte do meu ativismo está nos meus vídeos no YouTube e meu perfil no Instagram.

Por causa deles, muita gente me convida para dar palestras sobre racismo. Até aí tudo bem, pois é um tema que pertence, infelizmente, ao meu cotidiano. No entanto, nas minhas redes sociais, falo de várias outras coisas também: autocuidado, empreendedorismo, família, lifestyle, beleza. Ainda assim, é bem maior o número de convites para falar de racismo. Acaba sendo "natural" que as pessoas negras só falem deste assunto, entendem? Quando na verdade, assim como qualquer outra pessoa, uma pessoa negra pode falar sobre tudo.

2. Conviver com o diferente

Essa é rápida. Todo mundo adora falar que é a favor da diversidade. Mas, ser favorável e não ter uma rede de afeto que inclua as pessoas diferentes de você é ser de fato comprometido com a diversidade? Quantas amigas negras você chamou pra sair no último ano? Ou quantas amigas lésbicas fazem parte do seu convívio íntimo? Sacaram?

3. Diálogo e escuta afetivas

Vamos tentar escutar as pessoas sem um pré-julgamento? Às vezes, sem perceber, a gente julga um apontamento ou opinião alheia com base na nossa própria vivência ou percepção de vida. Isso não é legal, sabe por quê? Porque cada pessoa tem sua própria história, sua própria trajetória e tudo isso faz a gente ser a pessoa que é. As coisas nem sempre significam para o outro as mesmas coisas que significam pra gente.

Então, uma coisa que tem funcionado pra mim é escutar de uma forma desarmada e dialogar com afeto com todo mundo, seja com as pessoas que entendo que vão aprender comigo, seja com as pessoas com as quais quem vai aprender sou eu. Assim, tenho conseguido fazer conexões incríveis, tanto nas relações pessoais, como nas relações de trabalho. Tem sido incrível!

E vocês? Como fazem para lidar com aquilo que é diferente do que estão acostumadas?

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.