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Ana Canosa

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Mapa sexual e erótico: como fazer para aumentar o prazer no corpo todo

"Se você faz o estilo "como assim não pode transar? Não vou aguentar", sugiro que se esforce, pois valerá a pena"  - iStock
"Se você faz o estilo 'como assim não pode transar? Não vou aguentar', sugiro que se esforce, pois valerá a pena" Imagem: iStock
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Ana Canosa

Ana Canosa é psicóloga clínica, sexóloga, professora, escritora e comunicadora. Apresenta o podcast Sexoterapia, em Universa/UOL. Sendo há 28 anos testemunha das mais diferentes histórias afetivas, é categórica em afirmar que muitas vezes, só o amor não é suficiente. Fala de sexualidade desde que se entende por gente, unindo seus estudos acadêmicos com a experiência clínica e seu olhar de observação do mundo.

Colunista do UOL

02/11/2021 04h00

Na urgência da relação sexual baseada na penetração — por acharmos que sabemos o que excita ou, quem sabe, apenas por preguiça — com frequência esquecemos que o corpo todo é um parque de diversões.

Desde a metade do século 20, os sexólogos William Masters e Virginia Johnson já tinham percebido que, principalmente para as pessoas com algum tipo de disfunção, a relação sexual se torna uma atividade cheia de ansiedade. Será que terei uma ereção? Será que chegarei ao orgasmo? O que a outra pessoa vai pensar se eu não corresponder às expectativas? A adrenalina só atrapalha a fisiologia da resposta sexual e os pensamentos de temor de desempenho distraem as pessoas do foco sensorial. Aliás, esse é o nome que deram para uma atividade que proíbe o coito e tem função de aproximar as pessoas e ajudá-las a se engajarem no sexo. Por aqui, eu gosto mais de chamar de mapa sexual. Vou contar como faz.

Passo a passo do mapa sexual

Primeiro procure na internet uma imagem de corpo humano vazada, só com o contorno, e imprima. Deixe à mão, com uma caneta ao lado.

Em seguida, os envolvidos devem tomar um banho, não necessariamente juntos. Hidratantes corporais, perfumes e desodorantes são proibidos. Preparem o ambiente: uma vela perfumada, uma música gostosa, meia-luz. Vistam calcinha ou cueca e nada mais.

É importante ter tempo para fazer a atividade com calma. Desligue o celular e evite qualquer outra situação que distraia o casal. Uma pessoa deve ser eleita para fazer o mapa e a outra para receber. Sugiro que a pessoa que está se sentindo mais insegura com a exploração do corpo comece fazendo o mapa, para ir se acostumando com esse momento de contato e entrega.

Quem recebe deve deitar-se de barriga para o colchão, em posição confortável. A parceria vai começar pela parte superior, estimulando o corpo da pessoa de formas diferentes: chupar, lamber, assoprar, beijar, morder. Vale passar a barba, o cabelo, a unha. Os movimentos devem ser diferentes, mais intensos, mais leves, mas o mapeamento tem que ser feito com calma, pedacinho por pedacinho.

Quando o estímulo despertar tesão, não precisa ser um mega tesão, pode ser um tesãozinho mesmo. Aquele que está recebendo deve se manifestar: "Gosto. Delícia, faz mais. Hummm". Já quando a sensação provocar cócegas ou qualquer outro tipo de incômodo, quem está mapeando deve trocar o estímulo, antes de abandonar a região.

Às vezes o problema não é a parte do corpo, mas a maneira de estimulá-la. Uma pessoa pode ser sensível na região da orelha, por exemplo, mas detestar a sensação de muita saliva. Com receio de falar para a parceria, acaba se esgueirando com o corpo, evitando, e o outro, percebendo, acaba abandonando a região. Esse é o momento de, inclusive, orientar: "Tente assoprar ou mordiscar".

É impressionante o que a permissão para a comunicação, motivada pela "tarefa" a fazer, viabilizam descobertas. Críticas são expressamente proibidas.

O mesmo processo deve acontecer com a pessoa de barriga para cima. Não esqueçam de alternar também a maneira de beijar na boca: muita língua, pouca língua, mordiscando os lábios.

Mamilos devem receber atenção especial e criatividade na maneira de sugá-los e brincar com eles. Ressalto que os casais podem se surpreender com o tanto que os homens podem ficar excitados quando os tem estimulados.

Não esqueçam as axilas, os dedos das mãos, o antebraço, o torso, o umbigo. Outro dia alguém me disse que adorou a sensação quando recebeu um sopro dentro dele.

"Sexo só depois de duas a três horas"

Ao chegar na região pubiana, a pessoa deve pular os genitais e ir para a parte interna das coxas, descendo até os pés, dando um trato neles. Entenderam agora por que se faz necessário tomar banho antes, não é?

Contato nos genitais e relação sexual são proibidos. Não esperem excitação constante, embora algumas pessoas possam tê-la. Se você faz o estilo "como assim não pode transar? Não vou aguentar", sugiro que se esforce, pois valerá a pena. Ao final, o casal deve marcar no desenho do corpo o mapa erótico da pessoa.

Então ocorre a inversão: quem recebe agora faz. Ela pode ser realizada no mesmo dia ou em outro. O sexo só é liberado depois de aproximadamente 2 ou 3 horas.

É bastante impressionante como, mesmo casais com longo tempo de relacionamento, sempre descobrem algo novo. Para aqueles que estão afastados da intimidade, perceber que ainda há prazer no toque pode ser muito gratificante.

Perdi a conta de quantas pessoas, independentemente do gênero, descobrem que é muito gostoso ter um sexo mais calmo, com muitos estímulos, para que a experiência tenha um sentido diferente, menos erotizado e mais sensorial. Faz lá e depois me conta!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL