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OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Por que a gordofobia não pode tirar o direito de se vacinar contra covid-19

A produtora de conteúdo Layla Brígido, do Espírito Santo, tem obesidade grau 3 e pôde ser vacinada - Reprodução/Instagram @laylabrigido
A produtora de conteúdo Layla Brígido, do Espírito Santo, tem obesidade grau 3 e pôde ser vacinada Imagem: Reprodução/Instagram @laylabrigido
Bárbara Forte

Jornalista do UOL. Cria conteúdo desde 2018 sobre autoestima e corpo livre com muita CNV (comunicação não-violenta) para não pirar na internet. Também tem um cantinho no Instagram em @barbaraforte_

Do UOL

23/05/2021 04h00

A criadora de conteúdo Layla Brígido, de 27 anos, tomou a primeira dose da vacina contra a covid-19, na última semana, no Espírito Santo.

Ela, assim como outras pessoas com o IMC (Índice de Massa Corpórea) acima de 40, têm o direito de se vacinar em alguns outros Estados já em maio deste ano, porque a obesidade grau 3 é considerada pela OMS (Organização Mundial da Saúde) uma comorbidade.

Layla foi questionada por ser uma militante antigordofobia — que luta para que sua existência seja respeitada, e que seu corpo deixe de ser vistos como incapaz ou doente. "Está aí a hipocrisia", disseram alguns dos seus seguidores no Instagram.

Imediatamente, outras pessoas gordas, sobretudo as mulheres, começaram a se questionar se deviam ir até o posto de vacinação —eu, que também crio conteúdo sobre gordofobia e corpo livre na internet, fui uma das pessoas que se questionaram se não estaria tirando o direito de outra pessoa.

Mas, a resposta para esta pergunta é: NÃO!

E por quê? Eis aqui alguns motivos:

1. É um direito seu!

Apesar de estudos revelarem que o IMC (Índice de Massa Corpórea) entre 18,5 e 24,9 não é mais um indicador de saúde, e que pessoas com sobrepeso ou consideradas obesas, muitas vezes, são mais saudáveis que os considerados magros por meio do cálculo, a OMS ainda considera uma característica que valida a necessidade prioritária de vacinação.

2. Não é uma questão de opinião

Apesar de ter consciência de que você não é uma pessoa mais ou menos doente por causa do seu peso, não podemos usar essa ferramenta para julgar o que é certo e errado. Nem para você, pessoa gorda, nem para quem é magro: Não opine sobre o corpo de ninguém!

3. A gordofobia não é um problema seu

Constrangimento, vergonha e outros sentimentos são latentes em nós, pessoas gordas, todos os dias. No caso da vacina não é diferente. Mas, se tem uma coisa que sabemos, é que este é um direito seu que faz bem a todos.

4. A gordofobia está nos hospitais

Sabemos que todos nós podemos ter complicações por conta da covid-19 independentemente se você é magro ou gordo. Mas, os hospitais, além de lotados, também têm um sistema que dificulta a vida do gordo em todas as camadas — até na infraestrutura, que não está preparada para o corpo fora do padrão.

5. Você vacinado ajuda todo mundo

Fazer a nossa parte é se vacinar, pois estamos cuidando de nós mesmas e dos outros. Portanto, ir ao posto de saúde na sua vez garante que menos pessoas fiquem doentes e, também, menos mortes ocorram.

Campanha nas redes

O perfil Saúde sem Gordofobia criou uma campanha em que chamou algumas criadoras de conteúdo numa corrente pela vacinação.

A iniciativa tem o intuito de desmitificar a ideia constrangimento que é incluída em nossas cabeças, e fazer o sentimento de culpa deixar de existir.

Vacina, sim! Para você e para todos, sem vergonha de fazer a sua parte.

*Bárbara Forte é jornalista do UOL. Cria conteúdo desde 2018 sobre autoestima e corpo livre com muita CNV (comunicação não-violenta) para não pirar na internet. Também tem um cantinho no Instagram em @barbaraforte_