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Nasa quer mudar rota de asteroide: entenda a ciência atrás da missão Dart

Registro do lançamento da sonda da Nasa desenvolvida para a Missão Dart, que pretende desviar rota de asteroide - Reprodução/Nasa
Registro do lançamento da sonda da Nasa desenvolvida para a Missão Dart, que pretende desviar rota de asteroide Imagem: Reprodução/Nasa

24/11/2021 13h01

A Nasa lançou na noite desta terça-feira (23), às 22h21 pelo horário do Pacífico (3h21 de quarta-feira em Brasília), sua primeira operação de defesa para tentar desviar a trajetória de um asteroide. A missão da agência espacial americana, batizada de Dart, decolou da base de Vandenberg, na Califórnia (EUA), a bordo do foguete Falcon 9, da SpaceX. Como o asteroide alvo não representa uma ameaça para a Terra, alguns cientistas consideram que este é apenas um ensaio geral para situações similares.

A sonda enviada pela agência espacial americana visa atingir um asteroide a 11 milhões de quilômetros da Terra, tentando desviar sua trajetória ao final de uma viagem que irá durar dez meses. Esta é uma missão sem precedentes, destinada a testar a defesa planetária.

"Asteroide Dimorphos, estamos indo ao seu encontro", tuitou a Nasa após o lançamento.

Dart (Double Asteroid Redirection Test ou Teste de Redirecionamento de Asteroide Duplo em português) dispõe de uma sonda do tamanho de um pequeno carro, que foi lançada para iniciar sua viagem poucos minutos depois da decolagem do foguete Falcon 9.

O alvo de Dart é Dimorphos, um pequeno asteroide de 160 metros de diâmetro, que é satélite de Didymos, um asteroide maior, com 800 metros de diâmetro. Essas dimensões são irrelevantes em comparação, por exemplo, ao Chicxulub, que atingiu a Terra há 66 milhões anos, causando a extinção dos dinossauros.

A Nasa envia Dart contra Dimorphos a uma velocidade de 24 mil km/hora, testando a capacidade da sonda de alterar a trajetória do asteroide pela energia cinética. O impacto deve ocorrer entre 26 de setembro e 1º de outubro de 2022, quando o par de corpos celestes estará a 11 milhões de km da Terra, o ponto mais próximo que podem chegar.

"O que estamos tentando aprender é como desviar uma ameaça", disse o cientista-chefe da Nasa, Thomas Zuburchen, em uma coletiva de imprensa sobre este projeto inédito de US$ 330 milhões. Atualmente, a agência lista pouco mais de 27,5 mil asteroides de todos os tamanhos próximos à Terra e "nenhum deles representa uma ameaça nos próximos cem anos", assegurou Zurbuchen.

Teste "histórico"

A princípio, os asteroides não representam uma ameaça, mas pertencem a uma classe conhecida como Objetos Próximos à Terra (NEOs, em inglês). São asteroides e cometas que se encontram a menos de 50 milhões de quilômetros do nosso planeta.

O Escritório de Coordenação de Defesa Planetária da Nasa foca seu interesse nos corpos celestes maiores que 140 metros, já que estes têm o potencial de devastar cidades ou regiões inteiras, com uma energia muitas vezes maior do que a de bombas nucleares.

Estima-se que existam cerca de 10 mil asteroides próximos à Terra com esse tamanho, mas nenhum representa uma chance significativa de impacto nos próximos cem anos. Mas também acredita-se que apenas 40% desses asteroides foram localizados até o momento.

O fato é que cientistas podem criar impactos em miniatura em laboratórios e usar os resultados para criar modelos sofisticados de como desviar um asteroide, mas esses modelos são baseados em suposições imperfeitas, por isso a motivação para realizar um teste no mundo real.

Este teste "será histórico", afirmou Tom Statler, um cientista da Nasa que participa da missão. "Pela primeira vez, a humanidade mudará o movimento de um corpo celeste natural no espaço."

"Laboratório natural ideal"

Cientistas afirmam que estas rochas são um "laboratório natural ideal" para o teste porque os telescópios baseados na Terra podem medir facilmente a variação de brilho do sistema Didymos-Dimorphos e calcular o tempo que Dimorphos demora para orbitar seu "irmão maior". Sua órbita nunca se cruza com o nosso planeta, o que proporciona uma forma segura de medir o efeito do impacto.

Andy Rivkin, chefe da equipe de pesquisas de Dart, revelou que o período orbital atual é de 11 horas e 55 minutos. A equipe espera que o impacto reduza em 10 minutos a órbita de Dimorphos.

"É uma mudança muito pequena, mas pode ser tudo o que precisamos para desviar um asteroide que colide com a Terra, se for preciso, desde que tenhamos descoberto este asteroide a tempo", explicou Tom Statler.

Há alguma incerteza sobre a quantidade de energia que o impacto irá gerar, pois se desconhece a composição interna e a porosidade deste pequeno satélite. Quanto mais detritos gerar, mais impulso Dimorphos terá. "Cada vez que vamos rumo a um asteroide, encontramos coisas que não esperávamos", acrescentou Andy Rivkin.

A nave espacial Dart, que também significa "dardo" em inglês, contém instrumentos sofisticados de navegação e obtenção de imagens, como o CubeSat, da Agência Espacial Italiana, que observará o impacto e seus efeitos posteriores. A trajetória do Didymos também pode ser sutilmente afetada, mas isso não alteraria significativamente seu curso, nem colocaria em risco a Terra, também de acordo com os cientistas.

(Com informações da Reuters e da AFP)