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Fraude sentimental na internet se transforma em fenômeno global

Fraudes sentimentais: quando pessoas aproveitam da solidão alheia para extorquir dinheiro pela Internet - Getty Images
Fraudes sentimentais: quando pessoas aproveitam da solidão alheia para extorquir dinheiro pela Internet Imagem: Getty Images

Sabine Cessou, correspondente da RFI na Holanda

27/01/2020 15h36

Em 2019, o Escritório de Ajuda contra as fraudes (Fraude Help Desk) em Arnhem, na Holanda, recebeu 639 queixas das chamadas fraudes sentimentais. O termo define pessoas que aproveitam da solidão alheia para extorquir dinheiro pela Internet.

Segundo o órgão, 259 denúncias foram feitas por vítimas que perderam, juntas, cerca de 3,74 milhões de euros — o que equivale a uma média de 14.457 euros por pessoa. O fenômeno atinge diversos países. O Escritório lembra que os números de 2019, ao menos no país, são bem superiores aos de 2017: 412 queixas e 1,65 milhão de euros.

A entidade dá suporte jurídico para as vítimas, ainda que poucos casos possam ser levados aos tribunais. Isso porque as extorsões virtuais são feitas do exterior, o que dificulta a obtenção de provas. Segundo os investigadores, muitas vítimas preferem não fazer nenhum tipo de denúncia, por vergonha.

"As mulheres com mais de 45 anos divorciadas ou viúvas são as mais vulneráveis", explica Tanya Wijngaarde, porta-voz do Fraude Help Desk. Os criminosos, diz, exploram "a solidão das pessoas que precisam de contato humano."

Os sedutores on-line se passam por britânicos ou americanos expatriados, em países onde possuem contas bancárias, e investem meses, ou até anos, em uma relação virtual. Depois de conquistar a confiança das vítimas, eles sugerem um empréstimo.

Na Grã-Bretanha a situação também é preocupante. A National Fraud Intelligence Bureau, divisão da polícia de Londres que investiga esse tipo de crime, identificou cerca de 3.890 vítimas em 2017, com perdas estimadas em 46,25 milhões de euros. Os dados de 2019 ainda não foram divulgados. De acordo com os policiais, uma mulher contou que chegou a depositar cerca de 300 mil euros na conta de um caso virtual, que ela encontrou no site Match.com. Ele se identificava como um empresário italiano expatriado na Turquia.

A tática usada pelos criminosos é simples: eles "roubam" uma foto de perfil do Facebook e se passam por pessoas, em geral, da mesma origem que suas vítimas.

Nos Estados Unidos, a divisão do FBI responsável por esse tipo de investigação recebeu 18.000 queixas em 2018, de vítimas que perderam cerca de 362 milhões de dólares — um aumento de 70% em relação a 2017. Com as altas registradas em vários países, o crime se tornou o sétimo mais popular na rede.

Rede da Nigéria

Em agosto de 2019, 17 pessoas — a maioria nigerianos que moravam em Los Angeles, na Califórnia, foram detidos no desmantelamento de uma rede de 80 criminosos. O mini-cartel é acusado de ter obtido 6 milhões de dólares de mulheres mais velhas e solitárias no mundo. Uma japonesa, por exemplo, chegou a depositar 200 mil dólares na conta de um falso soldado americano baseado na Síria.

Outra operação da polícia levou à prisão de sete outros suspeitos, também nigerianos, em Oklahoma, New York e Califórnia. Eles são suspeitos de terem roubado 1,5 milhão de dólares, que foi investido em um negócio de vendas de peças usadas de carro entre a Nigéria e os Estados Unidos.

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