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Há um 'batedor de carteira' em todos nós: estudo revela segredo dos furtos

Conseguimos visualizar o objeto a partir do tato, ou senti-lo fisicamente a partir da visão - Jacob Ammentorp Lund/iStock
Conseguimos visualizar o objeto a partir do tato, ou senti-lo fisicamente a partir da visão Imagem: Jacob Ammentorp Lund/iStock

Luiza Ferraz

Colaboração para o UOL

25/05/2019 04h00Atualizada em 27/05/2019 08h03

Resumo da notícia

  • Pesquisa de três universidades descobre como cérebro identifica objetos
  • Cérebro relembra padrões e fraciona informações sensoriais, diz professor
  • Assim, o tato ajuda a 'visualizar' um objeto invisível aos olhos, e vice-versa

Quem já teve sua carteira furtada conhece o sentimento de impotência: "Como conseguiram pegar a minha carteira sem que eu ao menos percebesse?". Esses "batedores de carteira" profissionais muitas vezes conseguem roubar certo objeto sem ao menos avistá-lo dentro de uma bolsa. Isso deve-se ao "sensor de toque" que existe em todos nós.

Uma pesquisa realizada pelas universidades de Cambridge, Columbia e da Europa Central descobriu a habilidade do cérebro de identificar determinadas peças apenas ao tocá-las, mesmo sem nunca as terem visto antes.

É uma sensação parecida com quando você está no shopping e vê uma bolsa ou sapato de determinado tecido. Você consegue imaginar a sensação de seu material mesmo sem tocá-lo, certo?

Tanto no caso do batedor quanto do shopping, estamos confiando na capacidade do cérebro de dividir o fluxo de informações recebidas por nossos sentidos e transformá-los em novos "pacotes". É como se ele complementasse o que está faltando.

"Descobrimos que o cérebro é uma máquina muito inteligente que relembra padrões e procura maneiras de pegar essas informações sensoriais e transformá-las em objetos", afirmou o professor Máté Lengyel, colíder do experimento, segundo reportagem da Universidade de Cambridge.

Diagrama do estudo com as simulações visuais (acima) e hápticas (abaixo) dos objetos abstratos do experimento - Universidade de Cambridge/Divulgação
Diagrama do estudo com as simulações visuais (acima) e hápticas (abaixo) dos objetos abstratos do experimento
Imagem: Universidade de Cambridge/Divulgação

Para o experimento, foi desenvolvida uma série de formas abstratas de um quebra-cabeça. A partir disso, um grupo de participantes tinha que escolher entre observar as formas em uma tela ou separá-las sem vê-las, mas com a ajuda de um mecanismo com uma mola que tentava simular as dimensões e a tensão entre esses objetos.

Depois os participantes tinham que descrever tanto o visual final do quebra-cabeça quanto suas propriedades físicas a partir do toque.

Os pesquisadores descobriram que os dois grupos de participantes foram capazes de formar o modelo mental correto das peças do quebra-cabeça a partir tanto da experiência visual ou da háptica (toque), além de serem capazes de prever imediatamente as propriedades hápticas a partir do visual, e vice-versa.

"É importante ressaltar que nenhum dos participantes era batedor de carteira --ou seja, isso quer dizer que, mesmo sem ser profissional, há um batedor de carteira em todos nós", finalizou Lengyel ao portal.

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