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Forma oval enigmática em rocha é o mais antigo fóssil animal

Fóssil de Dickinsonia encontrado na região do mar Branco, na Rússia - Ilya Bobrovskiy/Universidade Nacional da Austrália
Fóssil de Dickinsonia encontrado na região do mar Branco, na Rússia Imagem: Ilya Bobrovskiy/Universidade Nacional da Austrália

Do UOL, em São Paulo

20/09/2018 15h01

Um enigma chega ao fim. Uma pesquisa publicada nesta quinta-feira (20) na revista Science revelou o que é o fóssil com formato de bolacha Tostines que os cientistas não sabiam dizer se era um fungo, um protista, um animal ou um ser pertencente a um desconhecido reino extinto. A resposta: é um animal. 

Fósseis de Dickinsonia -- o ser envolto em mistério no caso -- possuem mais de 542 milhões de anos e remontam à época do início da vida complexa no planeta. Pertencem ao conjunto de seres imóveis chamado de biota ediacarana, em referência à era geológica em que viveram, o Período Ediacarano (entre 575 e 541 milhões).

Existem seres multicelulares simples bem mais antigos, como algas. O problema dos macrofósseis ediacaranos é que eles são “tão estranhos quanto seres de outro planeta", como dizem os próprios autores do novo estudo. O termo "biota", que se refere a todos os seres vivos, é utilizado no nome do conjunto justamente pelo fato dos cientistas não saberem como classificá-los.

Para descobrir a verdade desses animais primitivos, os pesquisadores liderados pela paleontóloga Ilya Bobrovskiy, da Universidade Nacional da Austrália, procurou rastros específicos produzidos pelos diferentes seres vivos ao lado dos fósseis de Dickinsonia que pudessem servir como pistas de sua identidade.

Cientistas já cogitaram se Dickinsonia seria protista gigante, animal marinho ou líquen  - Lannon Harley/Universidade Nacional da Austrália
Cientistas já cogitaram se Dickinsonia seria protista gigante, animal marinho ou líquen
Imagem: Lannon Harley/Universidade Nacional da Austrália

Os rastros encontrados pelos cientistas foram biomarcadores de lipídios. Segundo o estudo, a maior parte da vida multicelular deixa para trás hidrocarbonetos estéreis estáveis, que podem ser preservados em sedimentos por centenas de milhões de anos. As estruturas moleculares e a abundância dos compostos variam de acordo com os seres vivos.

No caso dos dickinsoniídeos analisados, foram encontrados esteroides típicos de animais de forma abundante -- cerca de 93% dos biomarcadores identificados. No entorno dos fósseis, esses compostos não ultrapassavam 11%, o que mostra que o biomarcador era mesmo do bicho oval.

"Dickinsonia e seus parentes apenas produziram colesteroides, um marca registrada dos animais", revela a pesquisa. Os fósseis estudados também não possuíam níveis de esteroides característicos de fungos.

"Nossos resultados tornam esses membros icônicos da biota ediacarana os animais macroscópicos mais antigos confirmados em registros de rocha", dizem os autores do estudo.

Precursores da "explosão da vida"

Com a descoberta, o estudo sugere que a biota edicara representa os primeiros organismos complexos da Terra, tendo surgido como um prelúdio para a explosão cambriana da vida -- quando houve um rápido surgimento dos diferentes agrupamentos de seres vivos, no período Cambriano, há 530 milhões de anos.

"A enigmática biota pode ser a chave para nossa compreensão da origem dos animais", dizem os pesquisadores.

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