Topo

Resgate do acervo do museu começa em uma semana; cobrir prédio é prioridade

Museu Nacional visto do alto; por ameaça de chuva, cobertura do prédio é prioridade - Mauro Pimentel/AFP
Museu Nacional visto do alto; por ameaça de chuva, cobertura do prédio é prioridade Imagem: Mauro Pimentel/AFP

Gabriel Sabóia

Do UOL, no Rio*

04/09/2018 17h20Atualizada em 04/09/2018 19h19

A vice-diretora do Museu Nacional, Cristiana Serejo, disse nesta terça-feira (4), que o trabalho de resgate de peças do acervo no interior do prédio incendiado deve começar em uma semana. Nas palavras dela, esse é o tempo necessário para que o aporte federal de R$ 10 milhões, anunciado pelo ministro da Educação, Rossieli Soares, chegue aos cofres da UFRJ e possa ser destinado a essa espécie de garimpo.

"O museu destruído virou um sítio arqueológico. O trabalho é minucioso, para evitar um dano maior a essas peças. A defesa civil vai precisar fazer a contenção de eventuais áreas de risco e uma empresa especializada trabalhará em parceria com funcionários do museu", disse.

Neste momento, o maior medo da direção do museu é com a previsão de chuva para os próximos dias no Rio de Janeiro. Por isso, o foco inicial é cobrir o museu. "O telhado cedeu e a chuva pode danificar materiais soterrados, trazer fungos e mofo inexistentes", explicou Cristiana.

Veja também:

De acordo com ela, um sobrevoo feito com drones, nas próximas 48 horas, vai estimar o tamanho dessa cobertura e o material adequado a ser usado.

Além disso, explicou Cristiana, alguns acervos do museu que ficavam em prédios anexos, foram preservados, num total de um milhão e seiscentos mil itens. Entre eles, os 500 mil volumes da biblioteca (com 1.560 obras consideradas raras), a coleção de botânica (com 550 mil peças), o acervo de vertebrados (de 460 mil itens) e pelo menos 150 mil invertebrados. O acervo do museu reunia mais de 20 milhões de itens.

Peças do próprio Museu Nacional que estavam cedidas a outras instituições também estão sendo requisitadas. Cristiana contou que um fóssil de baleia que já pertencia ao museu deve ser devolvido. Acervos de insetos, por exemplo, foram oferecidos como doação, bem como de peças indígenas. "Vamos manter a pesquisa, o ensino e a extensão", disse a diretora. "Estamos vivos aqui no museu."

"Fizemos uma reunião com os funcionários hoje cedo e já estamos nos reorganizando nessa parte do Horto, que comporta mais gente e algumas coleções", explicou Cristiana. "As pós-graduações estão sendo realocadas lá, o museu está se reorganizando para recuperar a pesquisa."

Ossos em análise

Os fragmentos de um crânio achados no Departamento de Paleontologia deram esperanças aos pesquisadores de que poderia se tratar de Luzia, o fóssil mais antigo já achado nas Américas, de cerca de 12 mil anos. O fóssil é precioso porque foi responsável por mudanças significativas nas teorias de ocupação humana do continente. Entretanto, alertou Cristiana, o departamento de paleontologia tinha centenas de fósseis humanos.

"A gente não sabe dizer se é o crânio de Luzia, temos que avaliar", explicou. "Os escombros são muito grandes, especialistas têm que analisar para darmos uma informação correta. Mas, claro, sempre temos esperança."

O prédio principal do Museu Nacional foi destruído por um incêndio que começou na noite de domingo (2) e avançou pela madrugada de segunda-feira. Uma das peças mais importantes do acervo, de 20 milhões de itens, era o fóssil de Luzia, que estava exposto à visitação. Pesquisadores constataram que o fóssil, encontrado em Minas Gerais, tem 12 mil anos.

Segundo a vice-diretora do Museu Nacional, foram encontrados alguns ossos em uma área próxima ao local onde Luzia ficava exposta, mas ainda não é possível concluir se os restos pertencem a ela.

Uma tela do Marechal Rondon foi encontrada chamuscada nos escombros, e os pesquisadores devem iniciar um trabalho de recuperação da obra de arte.

Um dos destaques do museu, a coleção egípcia reunida pela Família Real no Século XIX foi praticamente toda perdida, de acordo com a vice-diretora. "Estamos recebendo várias ofertas de doações, e de várias instituições estrangeiras, inclusive. Vamos fazer uma campanha para receber material e reerguer o Museu Nacional com as coleções. Temos muitos contatos internacionais", disse Cristiana, que contou que o museu está se articulando internamente para receber as doações.

(*Com Agência Brasil e Agência Estado)

Mais Tilt