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Vice-diretora do Museu Nacional afirma que "menos de 10% do acervo escapou"

Gabriel Sabóia e Luis Kawaguti

Do UOL, no Rio

03/09/2018 16h30Atualizada em 04/09/2018 08h09

Cristiana Serejo, vice-diretora do museu Nacional, afirmou nesta segunda-feira (3) que menos de 10% do acervo de mais de 20 milhões de peças pode ter sido preservado do fogo. Cristiana disse ainda que os bombeiros e homens da Defesa Civil não conseguiram chegar à galeria onde ficava o crânio da Luzia, o mais antigo fóssil humano encontrado no país, com cerca de 12 mil anos, em função do calor que os pequenos focos de incêndio ainda causam no interior do prédio.

Segundo o professor Renato Cabral Ramos, do Departamento de Geologia e Paleontologia da UFRJ, foi retirado um quadro do Marechal Rondon que talvez possa ser restaurado. Ele confirmou ainda que minerais raros que integram a coleção Werner foram retiradas. As pedras estão danificadas, mas podem ser recuperadas.

"O departamento ficava no térreo, então, além do fogo em si, houve o desabamento dos outros pavimentos sobre ele", contou Ramos, que trabalha há 13 anos no museu. "Essa coleção foi trazida para o Brasil pela família real", contou Ramos. "Vamos tentar recuperá-los da melhor forma".

Segundo ele, os armários de metal que guardavam o acervo do departamento estão de pé, fechados e cobertos por entulho. "Primeiro precisaremos limpar o espaço, para ter acesso a eles. Como são rochas, minerais, é possível que dê para salvar alguma coisa", disse.

Numa avaliação preliminar, Renato calcula que consiga recuperar 25% a 30% do acervo. "Outros setores, como entomologia, perderam absolutamente tudo", lamenta. Ele disse ainda acreditar que toda a coleção de Egito foi perdida.

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Uma das bibliotecas de antropologia do museu se perdeu por completo no fogo. Cristiana estimou em R$ 15 milhões o custo da reforma desse espaço, que já pôde ser vistoriado. O acervo de uma outra biblioteca de artigos antropológicos foi recentemente transferido para o prédio do Horto --próximo ao museu-- e foi preservada.

Ainda de acordo com a vice-diretora, desde 2015 a verba vinha sendo contingenciada. No último ano, o montante destinado ao museu foi de R$ 340 mil.

Bombeiros e especialistas entram juntos

Os funcionários removem cuidadosamente restos de escombros, como pedaços de madeiras, telhas e mesmo vigas metálicas, na esperança de encontrar algum objeto de valor histórico. Normalmente, o trabalho de rescaldo é feito apenas pelos bombeiros, mas como se tratam de peças antigas, é necessário acompanhamento dos especialistas, para distinguir um simples resto de escombro de um artigo valioso.

O trabalho é lento e minucioso, pois muitas peças ainda podem estar em condições de recuperação, abaixo de toneladas de madeiras queimadas e telhas de barro. Os três andares do museu desabaram um por cima do outro até o chão.
Munidos com martelos, pás e enxadas e usando apenas capacete, sem luvas, os funcionários trazem para fora as peças que encontram, colocando as menores dentro de caixas plásticas.

Apenas bombeiros e funcionários do museu podem ingressar dentro do prédio. Os jornalistas e demais pessoas ficam a cerca de 20 metros de distância, por questão de segurança.

(*Com Agência Brasil e Agência Estado)

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