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Fóssil de peixe pré-histórico resolve mistério evolutivo de 160 anos

Um fóssil heterostracan datado de aproximadamente 419 milhões de anos  - Universidade de Manchester
Um fóssil heterostracan datado de aproximadamente 419 milhões de anos Imagem: Universidade de Manchester

Do EurekAlert

30/07/2018 12h00

Cientistas da Universidade de Manchester e da Universidade de Bristol, no Reino Unido, e do Instituto Paul Scherrer, na Suíça, utilizaram poderosos aparelhos de raio-X para espiar dentro do esqueleto de um peixe pré-histórico, um dos mais antigos parentes vertebrados do homem. O que eles encontraram resolveu uma dúvida sobre a origem dos esqueletos --um mistério que já durava 160 anos.

Os vertebrados têm esqueletos construídos a partir de quatro tipos de tecidos: osso, cartilagem, dentina e esmalte. Esses tecidos são únicos porque mineralizam à medida que se desenvolvem, conferindo força e rigidez.

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Evidências da evolução dos esqueletos podem ser encontradas em um grupo de peixes fósseis chamados heterostracanos, que viveram há mais de 400 milhões de anos. O que há 160 anos intriga os cientistas é justamente o tecido que forma o esqueleto desses peixes.

Para finalmente desvendar o mistério, a equipe de pesquisadores examinou detalhadamente esses fósseis usando o Síncrotron: um acelerador de partículas com o qual é possível realizar tomografia computadorizada com raios-X de alta potência produzidos por um acelerador de partículas.

Com essa técnica, a equipe identificou um tecido misterioso. "Os esqueletos de heterostracanos são feitos de 'aspidina', minúsculos tubos que não se assemelham a nenhum dos tecidos encontrados em vertebrados”, explicou o pesquisador chefe da Faculdade de Ciências Ambientais de Manchester, Joseph Keating.

O resultado do estudo, publicado na “Nature Ecology and Evolution”, mostra que esses pequenos tubos originalmente abrigavam feixes de fibras de colágeno, um tipo de proteína encontrada em pele e ossos. “Por 160 anos, os cientistas se perguntam se a aspidina é um estágio de transição na evolução dos tecidos mineralizados."

A descoberta permitiu a Keating descartar todas as outras hipóteses sobre a identidade do tecido, exceto esta: a aspidina, que se tornou a evidência mais antiga de osso em um registro fóssil.

Coautor da pesquisa, o professor Phil Donoghue, da Universidade de Bristol, afirma que essas descobertas "mudam nossa visão" sobre a evolução do esqueleto. "Acreditava-se que a aspidina era o precursor dos tecidos mineralizados dos vertebrados. Mostramos que é, na realidade, um tipo de osso e que todos esses tecidos devem ter evoluído milhões de anos antes."