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O bocejo é contagioso? Estudo explica por que é tão difícil evitar

Reprodução/Bluetooth bus
Imagem: Reprodução/Bluetooth bus

Do UOL, em São Paulo

31/08/2017 20h33

Por que bocejamos, mesmo sem estarmos cansados, quando alguém próximo a nós boceja? Um estudo britânico publicado na revista científica "Current Biology" explica o fenômeno e garante que a capacidade de resistir a esse estímulo involuntário é bastante limitada.

Segundo pesquisadores da Universidade de Nottingham, na Inglaterra, a propensão humana para o chamado bocejo contagioso é desencadeada automaticamente por reflexos primitivos no córtex motor primário --uma área do cérebro responsável pela função motora.

Tentar resistir ao bocejo, de acordo com os cientistas, só tende a intensificar o desejo. O máximo que pode acontecer com esse sufocamento são mudanças na forma como bocejamos. 

O bocejo contagioso é desencadeado quando observamos que outra pessoa boceja, como explica o estudo. É uma forma comum de imitação automática, o que não é uma exclusividade dos seres humanos. Os chimpanzés e os cães, como identificaram os pesquisadores, também fazem isso.

Para testar a ligação entre a excitabilidade e a base neural para o bocejo contagioso, a equipe inglesa usou a estimulação magnética transcraniana (TMS). Eles recrutaram 36 adultos, que viram videoclipes mostrando outras pessoas bocejando. Ora eles eram instruídos a resistir ao bocejo ora a seguir ao estímulo.

O estudo ajuda a entender o aumento da excitabilidade do cérebro e/ou diminuição da inibição fisiológica, que também se repete em condições clínicas, como a epilepsia, demência, autismo e síndrome de Tourette.
 
"Se pudermos entender como as alterações na excitabilidade do cérebro dão origem a distúrbios neurais, podemos potencialmente reverter algumas doenças. Estamos buscando possíveis tratamentos personalizados, não tratados com drogas, usando TMS", afirma Stephen Jackson, professor de Neurociência Cognitiva, que liderou o estudo.