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Astrônomos brasileiros descobrem sistema de anéis em torno de asteroide

Do UOL, em São Paulo

26/03/2014 15h34Atualizada em 26/03/2014 18h31

Astrônomos brasileiros lideraram observações em todo o mundo que descobriram que o asteroide distante Chariklo está rodeado por dois anéis densos e estreitos de poeira. Este é o menor objeto já descoberto com anéis e o quinto astro no Sistema Solar -  além dos planetas gigantes Júpiter, Saturno, Urano e Netuno - com esta caraterística. 

A equipe descobriu que o sistema de anéis é composto por dois anéis com sete e três quilômetros de largura, respectivamente, separados entre si por um espaço vazio de nove quilômetros - e tudo isto em torno de um pequeno objeto com 250 quilômetros de diâmetro que está além da órbita de Saturno.

Os líderes do projeto deram aos anéis os nomes informais de Oiapoque, o maior e mais denso, e Chuí, menor e menos denso, dois rios que se encontram próximos dos extremos norte e sul do Brasil, respectivamente.

Uma colisão teria criado um disco de detritos que foram atraídos pelo corpo. Os resultados estão na revista Nature desta quarta-feira (26).

"Quase a metade dos anéis é feita de gelo, então eles seriam visíveis do espaço, como os anéis de Saturno", diz Felipe Braga-Ribas, do Observatório Nacional no Rio de Janeiro, que é o autor principal do artigo científico.

Apesar de buscas cuidadosas, nunca foram encontrados anéis em volta de outros objetos menores do Sistema Solar. Agora, observações do longínquo asteroide Chariklo, feitas quando este passava em frente a uma estrela, mostraram que a luz da estrela "piscava" quando o asteroide passava, mas também oscilava alguns segundos antes e depois disso.

"Seria muita sorte nossa descobrir o único sistema de anéis em torno de um pequeno astro do Sistema Solar", diz o pesquisador ao afirmar que outros astros também devem ter anéis, mas que ainda não foram descobertos.

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“Não estávamos à procura de anéis, nem pensávamos que pequenos corpos como o Chariklo os poderiam ter, por isso esta descoberta - e a quantidade extraordinária de detalhes que obtivemos do sistema - foi para nós uma grande surpresa”, diz.

Chariklo é o maior membro de uma classe de objetos conhecidos por Centauros, que orbitam o Sol entre Saturno e Urano, no Sistema Solar externo. Previsões da sua órbita mostraram que passaria em frente da estrela UCAC4 248-108672 no dia 3 de junho de 2013, quando observado a partir da América do Sul.

Assim, com o auxílio de 13 telescópios em sete lugares diferentes, incluindo o telescópio dinamarquês de 1,54 metros e o telescópio TRAPPIST, ambos situados no Observatório de La Silla do Observatório Europeu do Sul, no Chile, os astrônomos puderam observar a estrela desaparecer durante alguns segundos, momento em que a sua luz foi bloqueada pelo Chariklo - num fenômeno conhecido por ocultação.

Alguns segundos antes, e também alguns segundos depois, da ocultação principal ainda houve duas quedas de luz, ligeiras e muito curtas, no brilho aparente da estrela. Algo em torno de Chariklo estava bloqueando a luz, foi a conclusão dos pesquisadores.

Ao comparar as observações feitas nos diversos locais, a equipe pode reconstruir não apenas a forma e o tamanho do objeto propriamente dito, mas também a espessura, orientação, forma e outras propriedades dos anéis recém descobertos.

“Acho extraordinário pensar que fomos capazes de detectar, não apenas o sistema de anéis, mas também precisar que este sistema é constituído por dois anéis claramente distintos”, acrescenta Uffe Gråe Jørgensen (Instituto Niels Bohr, Universidade de Copenhaga, Dinamarca), integrante da equipe.

“Tento imaginar como será estar sobre a superfície deste corpo gelado - tão pequeno que um carro esportivo veloz poderia atingir a velocidade de escape e lançar-se no espaço - e olhar para cima para um sistema de anéis com 20 quilômetros de largura e situado 1000 vezes mais próximo do que a Lua está da Terra”.

Embora muitas questões permaneçam ainda sem resposta, os astrônomos pensam que este tipo de anel deve ter se formado a partir dos restos deixados depois de uma colisão. Os restos teriam ficado confinados como dois estreitos anéis devido à presença de pequenos satélites, que supostamente existirão.

“Por isso, além dos anéis, é provável que Chariklo tenha também, pelo menos, um pequeno satélite à espera de ser descoberto”, acrescenta Felipe Braga Ribas.

Os anéis poderão mais tarde dar origem à formação de um pequeno satélite. Tal sequência de eventos, a uma escala muito maior, pode explicar a formação da nossa própria Lua nos primeiros dias do Sistema Solar, assim como a origem de muitos outros satélites em órbita de planetas e asteroides.

Imagens do espaço 2014
Imagens do espaço 2014
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