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Estudo explica por que cheiro de bebê dá vontade de mordê-lo

Do Uol, em São Paulo

29/09/2013 18h18

Bebês às vezes são tão "fofos" que chegam a dar em suas mães a vontade de mordê-los. Apesar de inusitado, o comportamento é corriqueiro e foi tema de estudo conduzido pela Universidade de Montreal, no Canadá, e destaque da recente edição do periódico científico Frontiers in Psychology.

O estudo credita tal desejo a um "mecanismo biológico" existente no organismo feminino. Segundo a pesquisa, essa vontade insólita ocorre porque o cheiro do recém-nascido desencadeia na mãe uma forte produção do hormônio dopamina, em efeito semelhante ao visto quando alguém satisfaz a fome com a comida favorita, por exemplo.

Autor do estudo, o pesquisador Johannes Frasnelli explica que os cheiros são parte de um rede de sinais de comunicação química estabelecida entre mãe e filho e que podem formar uma intensa ligação.

"O que identificamos, pela primeira vez, é que o odor exalado pelo recém-nascido, que faz parte dessa rede de sinais, ativa no cérebro das mães a área referente a recompensas. Esses circuitos podem ser especialmente ativados em situações de muita fome ou até mesmo de vício, entre um usuário e a droga", diz o cientista, na divulgação do estudo.

Olfatômetro com cheirinho de nenê

Mas como os pesquisadores chegaram a essa descoberta? O time liderado por Frasnelli recrutou dois grupos de 15 mulheres cada. O primeiro era composto apenas por mulheres sem filhos, e o segundo, por mães de primeira viagem que tivessem dado à luz há, no máximo, um mês e meio.

Os dois grupos de mulheres tiveram suas atividades cerebrais medidas, por meio de ressonância magnética, enquanto cada uma delas sentia cheiros usando um aparelho chamado olfatômetro.

Ao todo, cada participante sentiu o odor contido em peças de roupas usadas por 18 recém-nascidos.

As mulheres não sabiam de onde vinha o cheiro que sentiam, e os pesquisadores as perguntavam quão agradável, intenso e familiar era cada um dos odores.

Assim, o grupo de mulheres que não tinham filhos se referiu aos odores como fracos, desconhecidos e razoavelmente agradáveis. Já o grupo composto por mães registrou maior atividade cerebral ligada à área de recompensas, com um pico na produção de dopamina.

A razão do odor do bebê desencadear essa alta na produção do hormônio, contudo, permanece em aberto para os cientistas. Eles não sabem precisar se existe alguma alteração fisiológica que ocorre nos cérebros das mães ou se a reação se dá apenas quando o cheiro sentido é do próprio bebê.

O estudo afirma também que a descoberta não pode ser aplicada a pais porque homens não foram incluídos nessa etapa da pesquisa.

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