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Museu do Amanhã no Rio quer ser exemplo de arquitetura verde

Imagem mostra como será o Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro; veja mais fotos - Divulgação
Imagem mostra como será o Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro; veja mais fotos Imagem: Divulgação

Fabíola Ortiz

Do UOL, no Rio de Janeiro

02/05/2012 16h36Atualizada em 03/05/2012 11h55

Projetado para ser uma construção sustentável, o Museu do Amanhã, uma das âncoras do projeto de revitalização da zona portuária no Rio de Janeiro, pretende ser um modelo de arquitetura verde com a utilização de recursos naturais como a água da Baía de Guanabara e placas de captação de energia solar.

As obras do que será o complexo no Píer Mauá de 30 mil metros quadrados de jardins, espelho d’água, ciclovia e área de lazer, assim como 15 mil metros quadrados do edifício projetado para seguir os padrões de arquitetura sustentável, se iniciaram em novembro de 2010 e estão previstas para concluir em novembro de 2013. A inauguração será em maio de 2014.

Segundo o arquiteto espanhol Santiago Calatrava, responsável pelo projeto arquitetônico do museu, o objetivo é realizar uma construção de baixo impacto ambiental. “Todos os materiais que estamos utilizando são recicláveis. A pegada ambiental de emissões de carbono será mínima e os materiais que serão utilizados vão ser fabricados o mais perto possível do ponto de destino”, afirmou.

Calatrava participou, pela primeira vez, nesta quarta-feira (2), no Rio de Janeiro, da exposição do conteúdo e design do Museu do Amanhã. “A estrutura em si mesma e o conceito do museu como entidade arquitetônica são completamente novos e se converterá em um paradigma do que se pretende aproximar-se da natureza, como utilização de energia solar, piscinas que filtram e usam a água da Baía de Guanabara e caem como uma cascata. No fundo é o desejo de querer ensinar a um jovem que o futuro passa pela natureza”, argumentou Calatrava.

O renomado arquiteto espanhol foi convidado para desenhar o museu no que classifica como um “projeto audaz que instrumentaliza tudo de melhor na arquitetura que se pôde recorrer para fazê-lo”.

Como uma dos principais projetos do conjunto de obras e intervenções no que terão que ser realizadas pelo consórcio Porto Novo, dentro do projeto Porto Maravilha, oMuseu do Amanhã será erguido no Píer Mauá, uma área atualmente degradada em meio ao abandono da zona portuária, no centro do Rio de Janeiro. Orçado em R$215 milhões na maior parceria público-privada do Brasil, o projeto receberá ainda outros R$ 65 milhões em investimentos de um banco privado.

“Será um museu que dialoga com a cidade. O projeto é tão especial e feito com um corte local para ocupar o píer Mauá, uma zona completamente abandonada que voltará a ser revitalizada. O museu já está gerando em si mesmo uma radiação positiva no que vai ser a cidade do futuro”, afirmou Calatrava.

Certificação LEED

Como construção sustentável, o Museu do Amanhã terá certificação LEED (Liderança em Energia e Projeto Ambiental), concedida pelo Green Building Council. O projeto que não tem previsto nenhum estacionamento para carros quer incentivar o uso do transporte público para que seus visitantes cheguem ao local.

O Píer Mauá abrigará uma ampla área verde num passeio arquitetônico com inspiração nos jardins do paisagista Burle Marx, uma 'promenade architecturale’, como define Calatrava, numa lição de sustentabilidade para seus visitantes.

A ideia ao projetar o edifício é construir uma cobertura vazada que flutue sobre o espelho d’água, esta mesma água que será retirada da Baía de Guanabara e filtrada para a climatização do sistema de refrigeração no interior do museu.

O Museu do Amanhã pretende ser um museu científico que convidará o público a refletir sobre o impacto das ações humanas no planeta. O curador do museu será o físico e doutor em cosmologia Luiz Alberto Oliveira, do CBPF (Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas), e o diretor artístico, Andrés Clerici.

O projeto, segundo Clerici, propõe uma terceira geração de museus que exibem não apenas vestígios do passado ou experiências do presente, mas que transmitem ideias. “Não queríamos pensar o amanhã numa visão futurista e tecnológica, e sim criar uma visão humanista do amanhã. Usaremos a tecnologia para transmitir essa mensagem. Queremos pensar o presente em que o passado e o futuro se entrelaçam”, afirmou o diretor artístico.

O museu fará exibições de conteúdo em plataforma multimídia com paineis gráficos, interativos e visuais, contando ainda com espaços sensoriais e imagens tridimensionais.

O curador Luiz Alberto Oliveira acrescentou ainda que o objetivo será criar um museu de ciência aplicável às possibilidades do futuro. “Estamos entrando na era do Antropoceno. Estamos degradando os biomas, alterando a composição da atmosfera, o clima e temos que nos adaptar a esta nova época. O museu será voltado à exploração deste novo tempo. Será um instrumento educativo para se pensar e construir o amanhã”.

Para o curador e o diretor artístico, a ideia será apresentar as grandes tendências para os próximos 50 anos como as mudanças climáticas, o aumento populacional e a longevidade humana, assim como a diminuição da biodiversidade do planeta, além de apresentar diretrizes para a sustentabilidade.

Para formular o conteúdo e compor a equipe de colaboradores, foram convidados membros de grandes instituições brasileiras e internacionais como o climatologista Carlos Nobre do INPE, o físico Jorge Wagensberg de Barcelona e o arquiteto Paulo Mendes da Rocha. Participaram ainda como consultores do projeto astrônomos, meteorologistas, oceanógrafos, ecologistas, filósofos, historiadores e cientistas políticos de instituições como Fiocruz, USP, UFRJ, PUC, Instituto Nacional de Tecnologia, e também da Universidade de Nova York, Singularity University e Duke University dos EUA, assim como a Academia de Ciências da Califórnia, o Worldwatch Institute e o World Resources Institute.

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