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Riscos contraindicam cirurgias de aumento peniano, dizem especialistas

Suzana Ésper*<br>Do UOL Ciência e Saúde

22/05/2009 18h00

Você provavelmente já recebeu algum spam sobre procedimentos para aumentar o pênis. E, mesmo se é do tipo que se sente à vontade com seu dote, pode ter se perguntado até que ponto esses procedimentos funcionam. Antes de mais nada, saiba que nenhuma cirurgia estética para aumento peniano é reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), ou pela Sociedade Brasileira de Urologia.

"Do ponto de vista médico, não há nenhuma técnica cirúrgica aprovada que permita o aumento do pênis, tanto o comprimento quanto a largura", esclarece o urologista João Afif Abdo, mestre pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e titular da Sociedade Brasileira de Urologia e da Sociedade Latinoamericana de Medicina Sexual (Slams).

No Brasil, procedimentos para aumentar o tamanho ou volume do pênis são experimentais, de acordo com a resolução CFM de nº 1.478/97. Pelo documento, eles só podem ser realizados em ambiente acadêmico, com o consentimento assinado pelo paciente sobre todos os riscos envolvidos, que são inúmeros.

"O pênis é um órgão altamente vascularizado e uma relação sexual depende disso. Qualquer veia que seja comprimida pode prejudicar o seu funcionamento", afirma o presidente da Sociedade Brasileira de Medicina Estética (SBME), Valcinir Bedin.

Bedin diz que não há estatísticas sobre as cirurgias de aumento peniano no Brasil, justamente porque a modalidade não é reconhecida como prática médica.

Mesmo fora do país, é difícil encontrar pesquisas que demonstrem a segurança e a eficácia das técnicas para aumento peniano. Em um trabalho publicado na revista "European Urology", cirurgiões do centro St. Peter's Andrology, em Londres, entrevistaram 42 homens que haviam sido submetidos à operação. As conclusões foram desanimadoras: dois terços deles se disseram insatisfeitos com resultados. O incremento médio conseguido com a cirurgia foi de 1,3 cm.

Já o cirurgião plástico norte-americano Mark Solomon, da Filadélfia, garante que certos pacientes conseguem um aumento de até 3,5 cm no comprimento e de 30% na largura do membro. "Mas os resultados variam", ponderou, em entrevista ao UOL Ciência e Saúde. Ele diz que realiza de seis a oito procedimentos por mês e é procurado por homens do mundo todo, especialmente da Europa.

Técnicas
Há basicamente duas técnicas para aumento peniano, dependendo do perfil e do objetivo do paciente. A primeira, voltada para quem quer ganhar comprimento, é a cirurgia do ligamento suspensor. Essa estrutura liga o corpo do pênis ao púbis e, ao ser seccionada, faz com que o membro ganhe projeção.

Para prevenir que o ligamento readquira a função original, Solomon afirma que é necessário fazer exercícios diários com pesos ligados ao pênis, por um período de seis meses. O resultado final é imprevisível, já que depende da anatomia de cada paciente.

A outra técnica é a bioplastia, indicada para engrossar o pênis, que consiste na aplicação de gordura retirada do próprio paciente entre a pele e o corpo cavernoso. Há médicos, ainda, que utilizam o PMMA (polimetilmetacrilato), substância aplicada no preenchimento de rugas, embora a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica já tenha emitido comunicados sobre a falta de estudos que comprovem a segurança do uso desse material em quantidades moderadas.

Pele de cadáver
O médico da Filadélfia não usa PMMA e diz que a aplicação de gordura pode deixar o pênis com ondulações. Além disso, ele lembra que parte dela é reabsorvida pelo corpo. Por isso, Solomon prefere utilizar o "AlloDerm", material processado a partir de pele humana adquirida em bancos de tecidos nos EUA. Em português claro, trata-se de tecido de cadáver. "Uso a técnica desde 1998 e ela proporciona menos complicações que o uso de gordura", relata.

Na clínica de Solomon, as cirurgias para aumento peniano podem variar de US$ 5.000 a US$ 20.000. Em alguns casos, é preciso repetir o procedimento para obter um resultado satisfatório. E as complicações possíveis vão da perda de sensibilidade a infecções que podem levar a necrose, entre outras.

Aos pacientes que o procuram, o médico também ensina outro truque capaz de gerar um bom efeito no tamanho do pênis: emagrecer alguns quilos, ou fazer uma lipoaspiração, já que a gordura faz o órgão ficar "escondido" no corpo.

Síndrome do vestiário
O médico Roberto Tullii, membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular e especialista em disfunção erétil, reitera que as cirurgias penianas com fins estéticos não são algo recomendado, pois os riscos são muito grandes. "O preenchimento pode até fazer o órgão pender", avisa.

Tullii acredita que é preciso considerar as distorções comuns do imaginário masculino. Pela sua experiência, a maior parte dos homens se preocupa com o tamanho do pênis em estado flácido e relata que, em estado ereto, o tamanho é normal. "Em geral, eles ficam mais preocupados quando se comparam com os colegas, e não durante o ato sexual", conta. É o que chamamos de "síndrome do vestiário".

Mas, afinal, quando é que um homem deve se preocupar? Segundo o médico, o tamanho de pênis considerado fora do normal é de 7 cm. E, caso você teime na comparação, saiba que a média do brasileiro é de 14 cm (em ereção). Vale lembrar que a vagina tem de 9 a 11 cm de profundidade.

Para Abdo, a preocupação excessiva com o tamanho do pênis também reflete mais uma questão de ansiedade. "Quem procura uma cirurgia estética para o pênis, de maneira geral, deve ser encaminhado para a psicoterapia", avalia.

*Colaborou Tatiana Pronin