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William Kaelin, Gregg Semenza e Peter Ratcliffe ganham o Nobel de Medicina

07/10/2019 09h02

(Atualiza com detalhes sobre os vencedores)

Copenhague, 7 out. (EFE).- Os americanos William G. Kaelin e Gregg L. Semenza e o britânico Peter J. Ratcliffe ganharam o Nobel de Medicina pelos estudos sobre a identificação da capacidade de adaptação das células, tanto humanas como dos animais, anunciou nesta segunda-feira o Instituto Karolinska de Estocolmo.

Os três cientistas conseguiram "identificar a maquinaria molecular que regula a atividade dos genes em resposta aos níveis de oxigênio", comunicou o instituto.

Com isso, estabeleceram a base para entender como os níveis de oxigênio afetam o metabolismo celular e a função fisiológica, o que "prepara o caminho no desenvolvimento de novas estratégias para combater a anemia, o câncer e muitas outras doenças".

A importância fundamental do oxigênio foi estudada durante séculos, mas durante muito tempo se desconhecia como as células se adaptam às mudanças nos níveis de oxigênio. Os premiados desta segunda-feira revelaram os mecanismos moleculares deste processo.

Kaelin, de 61 anos e natural de Nova York, é especialista em medicina interna e oncologia. Professor na Universidade de Harvard, se dedicou à pesquisa dos genes supressores nos tumores e nas funções normais das proteínas.

Seus estudos foram aplicados à investigação de novos tratamentos no âmbito da oncologia, especialmente do câncer de rim e no desenvolvimento dessa doença por causas não genéticas ou hereditárias.

Semenza, também nova-iorquino, de 63 anos, é professor da Universidade Johns Hopkins (EUA) e atua com pediatria, oncologia radioterápica, ciências da radiação molecular, química biológica, medicina e oncologia.

É considerado um grande pesquisador dos mecanismos moleculares da regulação do oxigênio, com destaque para a sua descoberta inovadora da proteína HIF-1 (fator induzido por hipoxia-1), que controla os genes em resposta às mudanças na disponibilidade de oxigênio.

Ratcliffe de 65 anos e nascido em Lancashire, é professor na Universidade de Oxford e conseguiu estabelecer que tanto nas células humanas como na do resto dos animais existe um sistema que mede e canaliza o fornecimento de oxigênio.

O britânico concilia o trabalho científico com o exercício da medicina clínica, assim se mantendo ativo em ambas as competências, a pesquisa e a prática.

O anúncio do Nobel de Medicina abre a série de anúncios dos prestigiados prêmios. Nos próximos dias serão divulgados os vencedores de Física, Química, Literatura, Paz e Economia.

Nesta edição serão anunciados excepcionalmente dois prêmios de Literatura, por 2018 e 2019, já que no ano passado a honraria não foi concedida devido ao escândalo de denúncias de abuso sexual que comprometeu a Academia Sueca.

Os prêmios serão entregues no dia 10 de dezembro, aniversário da morte de seu fundador, Alfred Nobel, em uma cerimônia na Sala de Concertos de Estocolmo. O Nobel da Paz será entregue na Câmara Municipal de Oslo, o único que fora da Suécia, por desejo de Nobel, já que a Noruega fazia parte do Reino da Suécia na sua época.

Além do prestígio, os vencedores ganham um prêmio em dinheiro, que neste ano chega a 9 milhões de coroas suecas (R$ 3,7 milhões). Caso mais de uma pessoa vença em uma mesma categoria, o valor é dividido. EFE

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