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Humanidade usará Lua como plataforma de lançamento para exploração espacial

16/07/2019 07h12

Marta Garde.

Paris, 16 jul (EFE).- A comunidade científica internacional, que comemora 50 anos da chegada do homem à Lua, planeja agora explorar o satélite por meio de uma estação espacial, que servirá também de possível porta de acesso ao espaço profundo.

Situada a quase 400 mil quilômetros de distância da Terra, a estação lunar, batizada como Gateway, será composta por seis módulos com um peso de cerca de 40 toneladas.

O diretor-geral da Agência Espacial Europeia (ESA), Jan Wörner, disse que a Gateway será uma espécie de "ponto de ônibus". De lá, será possível descer à superfície lunar ou seguir rumo a missões mais distantes.

Os astronautas poderão permanecer no local por até 90 dias. Mas, ao contrário da Estação Espacial Internacional (EEI), que orbita a cerca de 400 quilômetros da Terra, a Gateway não foi pensada para receber pessoas permanentemente. Ela servirá como uma base temporária para missões tripuladas e robóticas.

Embora permita testes de novas ferramentas e tecnologias em um torno distante e hostil, o que facilitará em longo prazo a exploração de Marte, o objetivo imediato e principal da Gateway é a própria Lua.

"Ir a Marte é uma história totalmente diferente. Uma viagem de ida e volta dura cerca de dois anos. Para a Lua é possível fazer em uma semana", afirmou o diretor-geral da ESA, cauteloso ainda com relação ao uso que se possa dar a essa futura base.

Wörner também explica os motivos de focar outra vez na Lua. Segundo ele, o conhecimento ali adquirido pode ajudar os cientistas a entender melhor a origem e as mudanças da Terra. Além disso, os pesquisadores querem entender se materiais extraídos do solo lunar podem ser utilizados como combustível para futuras missões espaciais.

Gateway, que usará energia elétrica gerada a partir da radiação solar, também permitirá uma melhor visão do Universo aos pesquisadores. A órbita da base foi pensada de modo que ela poderá chegar à região mais distante do satélite terrestre.

A base é um local de teste perfeito em nível científico e tecnológico.

Os Estados Unidos, principais apoiadores do projeto, querem lançar o primeiro componente da Gateway em 2022. Dois anos depois, em 2024, serão enviados os primeiros módulos, que permitirão que um homem e, pela primeira vez, uma mulher, coloquem os pés na superfície lunar.

Os participantes do programa projetam que a estação, que segundo a Nasa orbitará a Lua por 15 anos, esteja completamente finalizada em 2028.

A Nasa afirma que a Gateway estimulará o desenvolvimento de tecnologias avançadas, expandirá a economia em torno de missões espaciais e possibilitará que os humanos sigam se beneficiando das descobertas feitas por astronautas e cientistas fora da Terra.

Mas a importância não é somente científica. Ao contrário do programa Apollo há 50 anos, a nova iniciativa é resultado da colaboração internacional.

"Há uma dimensão política. Na estação internacional temos diferentes países trabalhando juntos, embora haja conflitos na Terra. Gateway pode desempenhar o mesmo papel no futuro", disse Wörner.

O orçamento do projeto, porém, ainda não está fechado.

"Ninguém tem uma ideia de quanto ela custará, mas não será uma quantia pequena. Estamos falando de centenas de bilhões de dólares", previu o diretor da ESA.

A Gateway não substituirá a Estação Espacial Internacional, que deve ter vida útil até 2030. Por enquanto, ela conta com apoio de ESA, Nasa, e das agências espaciais de Rússia (Roscomos) , Japão (JAXA) e Canadá (CSA). EFE

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