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Estudo defende valor nutritivo de alguns insetos

15/07/2019 18h12

Washington, 15 jul (EFE).- Ingerir gafanhotos e bichos da seda tem um valor nutritivo similar ao do consumo de suco de laranja e azeite de oliva, é o que diz um estudo divulgado nesta segunda-feira sobre o nível de antioxidantes presentes em insetos e aracnídeos, elaborado por um grupo de cientistas da Universidade de Teramo, na Itália.

"Os insetos comestíveis são uma excelente fonte de proteínas, ácidos graxos poli-insaturados, minerais, vitaminas e fibras", explicou em entrevista à revista especializada "Frontiers in Nutrition" o professor Mauro Serafini, pesquisador principal do estudo e professor de Nutrição Humana da Universidade de Teramo.

De acordo com o cientista, a contribuição de sua pesquisa é que, "até agora" ninguém tinha comparado "em termos de contribuição de antioxidantes" o valor nutritivo desses seres vivos com o de outros alimentos mais "clássicos", como o azeite de oliva e o suco de laranja.

Para a elaboração do estudo, a equipe de pesquisadores realizou testes com uma série de insetos e animais invertebrados considerados comestíveis, nos quais analisaram seus níveis moleculares, tanto no que se refere ao conteúdo como à sua atividade.

"Para termos uma perspectiva, usando os mesmos parâmetros sobre a capacidade de antioxidantes, realizamos testes no suco de laranja fresco e no azeite de oliva, dois alimentos comuns cujo efeito antioxidante nos humanos é bastante conhecido", explicou o professor.

A análise feita com partes de animais secos diluídas em água descobriu que um gafanhoto fornece 559 quilocalorias (Kcal) para cada 100 gramas; um bicho de seda 487 Kcal; uma tarântula 450 Kcal e uma formiga negra 329 Kcal.

Serafini, que classificou os resultados da pesquisa como "promissórios", reconhece que são necessários mais estudos para esclarecer qual é o impacto real deste tipo de molécula nos seres humanos.

"No futuro, poderíamos adaptar nossos regimes alimentares ao consumo de insetos para aumentar o nível de conteúdo de antioxidantes", concluiu o cientista, cujo propósito é encontrar caminhos para reduzir a pegada ecológica do ser humano. EFE

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