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Computação quântica: por que BMW, Bosch e Merck buscam especialistas nisso?

Computador quântico para empresas da IBM - Divulgação/IBM
Computador quântico para empresas da IBM Imagem: Divulgação/IBM

Kristie Pladson

22/06/2021 17h59

A Alemanha anunciou recentemente o investimento no novo computador IBM Quantum System One, atualmente o mais poderoso do gênero na Europa. Ao mesmo tempo, dez grandes nomes da indústria alemã formaram um consórcio com a meta de testar aplicações industriais promissoras para a computação quântica. BASF, Grupo BMW, Boehringer Ingelheim, Bosch, Infineon, Merck, Munich Re, SAP, Siemens e Volkswagen fazem parte do grupo.

O objetivo geral é ganhar espaço na competição internacional, que tem a China e os EUA como líderes de patentes do setor.

Não à toa: a computação quântica é vista como uma tecnologia capaz de proporcionar enormes vantagens estratégicas às economias que a dominem e deve gerar US$ 69 bilhões de valor até 2035, segundo estudo do Boston Consulting Group.

Muitas das companhias integrantes do consórcio já têm especialistas quânticos em sua folha de pagamento, e essas equipes estão se tornando cada vez mais importantes.

Uma postagem do diretor de informática da Volkswagen no LinkedIn, por exemplo, continha oferta de emprego para um especialista quântico que ajudasse a identificar aplicações potenciais da tecnologia "com a meta final de alcançar uma vantagem operacional" para a empresa automotiva.

O que é computação quântica

Ao contrário dos computadores convencionais, que processam funções de modo binário, realizando as tarefas com o uso de fragmentos de dados que são sempre ou 0 ou 1, as máquinas quânticas empregam partículas subatômicas, sendo capazes de considerar as implicações tanto de 0 como de 1, ao mesmo tempo.

Essas unidades informáticas, denominadas qubits (abreviatura de "quantum bits"), ampliam significativamente o potencial computacional, alcançando velocidades muito superiores às dos supercomputadores existentes.

Os cientistas têm criado problemas que um computador clássico não é capaz de resolver, mas um quântico, sim.

Só que "o problema em si não era útil", explica Christian Ospelkaus, professor de Física Quântica da Universidade Leibniz de Hannover. "Agora estamos chegando ao ponto em que essas máquinas já estão cuspindo resultados úteis."

Mas, para que serve?

Há muitas ideias sobre como a computação quântica é capaz de impulsionar o setor industrial.

Um vídeo da BMW sugere que computadores desse tipo poderiam ajudar os robôs industriais a encontrarem o modo mais eficiente de aplicar material de vedação nas juntas dos automóveis, economizando tempo, dinheiro e material.

Outros empregos incluem

  • identificar as rotas mais eficientes e econômicas para o transporte de mercadorias e materiais;
  • aprimorar o aprendizado automático;
  • ajudar os computadores a entenderem melhor a linguagem natural,
  • aumentar sua capacidade de "ver" e identificar objetos captados pelas câmeras.

Tem sido visto com desconfiança o potencial dos computadores quânticos de decifrar mensagens criptografadas. Essa tecnologia poderia resultar em alternativas mais seguras à criptografia, mas os especialistas veem de modo ambivalente os riscos reais dessa aplicação. Seja como for, ainda é necessário completar muita pesquisa até tais ideias se tornem realidade.

Para funcionar bem, é necessário criar um ecossistema quântico onde indústria e academia, usuários e desenvolvedores de hardware, integradores de sistemas e fornecedores, pequenas e grandes empresas, trabalhem juntos para impulsionar o avanço dessa tecnologia, explica o professor.

Ele calcula que dentro de cinco a dez anos já se pode esperar uma "real vantagem quântica" para os países que investirem nesse sentido.