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Agência do governo americano adverte que jogar bomba atômica em furacão seria má ideia

O furacão Florence atingiu a costa leste dos EUA no ano passado - NOAA
O furacão Florence atingiu a costa leste dos EUA no ano passado Imagem: NOAA

26/08/2019 19h50

Usar bombas nucleares para impedir a formação de furacões não é uma boa ideia, disse a agência do governo dos EUA para os oceanos e a atmosfera (NOAA, na sigla em inglês).

O órgão precisou formalizar a declaração depois de vários meios de comunicação dos EUA noticiarem que o presidente, Donald Trump, chegou a pedir que essa opção fosse avaliada.

Segundo o site de notícias Axios, Trump teria perguntado a vários assessores da área de segurança nacional a respeito desta possibilidade.

Segundo a NOAA, os resultados seriam "devastadores".

Após a publicação do Axios, Trump negou ter cogitado esta possibilidade.

Furacões costumam afetar a costa leste dos EUA, frequentemente com resultados devastadores.

Esta não é a primeira vez que a ideia de usar bombas atômicas para desfazer os redemoinhos é cogitada.

Depois das reportagens sobre a suposta ideia de Trump, a hashtag #ThatsHowTheApocalypseStarted chegou à lista de assuntos mais comentados do Twitter.

O que aconteceria?

Trump teria perguntado por que os EUA não poderiam simplesmente jogar uma bomba atômica no olho de um furacão para tentar desfazê-lo antes que atingisse a costa americana, segundo o Axios.

Segundo a NOAA, usar armas nucleares contra um furacão "poderia não ter qualquer efeito sobre a tempestade". Além disso, "a precipitação radioativa seria rapidamente carregada pelos ventos até o continente".

O problema de usar explosivos para desfazer os furacões, diz a agência, é a quantidade de energia necessária.

A liberação de energia de um furacão é equivalente à de uma bomba nuclear de 10 megatons explodindo a cada 20 minutos. Para efeito de comparação, uma bomba de 10 megatons é 476 vezes mais poderosa que o artefato "Fat Man", usado pelos EUA para atacar a cidade de Nagasaki em agosto de 1945.

"Atacar ondas tropicais fracas ou depressões antes que elas tenham a chance de se transformar em furacões também não é promissor", diz a NOAA.

"Cerca de 80 desses distúrbios se formam por ano na bacia do Atlântico, mas apenas cerca de cinco se tornam furacões em um ano típico. Não há como saber com antecedência quais deles irão se desenvolver."

Há quanto tempo essa ideia existe?

A ideia de bombardear um furacão existe há décadas.

Durante um discurso no National Press Club em 1961, Francis Riechelderfer, chefe do Serviço Meteorológico dos EUA, disse que conseguia "imaginar a possibilidade de um dia explodir uma bomba nuclear em um furacão no mar".

O Serviço Meteorológico, no entanto, só começaria a adquirir armas nucleares quando "soubermos o que estamos fazendo", disse ele, de acordo com reportagem da National Geographic.

Segundo a NOAA, a ideia é frequentemente sugerida durante a temporada de furacões.

Professora da Universidade George Washington (EUA), Sharon Squassoni diz à BBC que a ideia deriva do Programa Ploughshares, dos anos 50, quando "uma lista de usos controversos e um pouco malucos" para armas nucleares começou a ser pesquisada por cientistas do governo.

Em quase 20 anos, os EUA explodiram 31 ogivas em 27 testes nucleares. A ideia era saber se o arsenal atômico dos Estados Unidos poderia ser usado para escavar canais ou minas, ou criar um porto para navios.

À medida que os perigos da radiação se tornaram mais claros, a ideia foi abandonada, disse Squassoni à BBC News, acrescentando que os atuais tratados internacionais proibiriam os EUA de explodirem uma arma nuclear em um furacão.

Diversas outras ideias extravagantes foram lançadas nos últimos anos, incluindo um evento no Facebook pedindo aos donos de armas dos EUA para "abaterem" o furacão Irma em 2017 com balas e lança-chamas.

O evento atraiu 55 mil pessoas para se inscrever e foi levado tão a sério que um xerife da Flórida emitiu um aviso severo no Twitter dizendo: "Você não vai conseguir fazer o furacão dar meia-volta. E terá efeitos colaterais muito perigosos".

A temporada de furacões nos EUA e no Caribe

A temporada de furacões do Atlântico vai de 1º de junho até o final de novembro. O pico da temporada acontece em setembro, quando a temperatura do mar é mais alta.

A tempestade tropical Dorian está atualmente indo em direção às ilhas do Caribe e deve tornar-se um furacão na terça-feira (27).Pode chegar a Porto Rico nos próximos dias.

Procurado pela BBC News, um porta-voz do Centro Nacional de Furacões de Miami disse que a agência está focada na tempestade Dorian. Sobre o assunto "furacões e armas nucleares", disse para consultarmos o comunicado do NOAA.

O NOAA alertou no início deste mês que as condições este ano são mais favoráveis que o normal para a formação de furacões. Prevê-se entre 10 e 17 tempestades grandes, das quais de 5 a 9 se tornarão furacões - entre eles, de 2 a 4 furacões de grande porte.

Quatro tempestades grandes se formaram até agora este ano. Foram batizadas de Andrea, Barry, Chantal e Dorian.