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Amazon se desafia a antecipar 10 anos os objetivos de Paris para o clima

19/09/2019 15h58

Washington, 19 Set 2019 (AFP) - O fundador e CEO da Amazon, Jeff Bezos, prometeu nesta quinta-feira (19) que a empresa terá uma pegada de carbono zero até 2040 e incentivou outras empresas a seguirem o exemplo para antecipar em dez anos uma das metas climáticas estabelecidas pelo Acordo de Paris.

"Queremos usar nosso alcance e nossa escala para liderar o caminho", disse Bezos em uma entrevista coletiva na capital dos EUA, com o objetivo de afastar a reputação da empresa de atrasada em questões ambientais.

A Amazon anunciou sua iniciativa "Compromisso Climático" e disse que seria seu primeiro signatário como parte de um esforço para reduzir as emissões, em linha com a meta de 2050 para a neutralidade de carbono estabelecida pelo Acordo de Paris.

"Nós paramos de estar no meio do rebanho nessa questão", disse Bezos. "Se uma empresa com tanta infraestrutura física quanto a Amazon - que entrega mais de 10 bilhões de itens por ano - pode cumprir o Acordo de Paris dez anos antes, então qualquer empresa pode", completou.

Bezos disse que conversou com outros CEOs de empresas globais e observou que está "encontrando muito interesse em aderir ao compromisso".

Como parte do esforço intensificado, Bezos disse que a Amazon concordou em comprar 100.000 vans elétricas de entrega da startup de veículos Rivian, para ajudar a reduzir sua pegada de carbono. A Amazon anunciou anteriormente um investimento de US$ 440 milhões na Rivian.

As primeiras vans vão pegar a estrada em 2021, e a frota deverá estar totalmente operacional em 2030. A Amazon também prometeu investir US$ 100 milhões em esforços de reflorestamento em cooperação com a Nature Conservancy.

- Ação climática avança -O anúncio de Bezos chega na véspera de um dia global de manifestações para exigir ações sobre as mudanças climáticas, antes da cúpula da ONU sobre emissões zero, em 23 de setembro.

A Amazon enfrenta uma pressão crescente para lidar com seu impacto ambiental, com mais de 1.000 de seus funcionários planejando participar da Greve Global do Clima na sexta-feira.

Questionado sobre os funcionários da Amazon que se juntariam à greve, Bezos qualificou a situação de "totalmente compreensível".

"As pessoas são apaixonadas por esse assunto", disse, acrescentando que "todos nesta sala deveriam ser apaixonados por esse assunto".

Bezos foi acompanhado por Christiana Figueres, ex-chefe do clima da ONU e fundadora do grupo ativista climático Global Optimism.

"Com este passo, a Amazon também ajuda muitas outras empresas a acelerarem sua própria descarbonização", afirmou Figueres.

"Se a Amazon pode estabelecer metas ambiciosas como essa e fazer mudanças significativas em sua escala, pensamos que muitas outras empresas devem poder fazer o mesmo e aceitarão o desafio. Estamos empolgados em ter outras pessoas se juntando" a esse objetivo.

Bezos disse que espera que a Amazon atinja uma meta de 80% de uso de energia renovável até 2024, em comparação com os 40% atuais, e de 100% de energia renovável até 2030, em um caminho para gerar zero carbono até 2040.

Isso envolverá investimentos em projetos de energia eólica e solar e iniciativas para reduzir as emissões de carbono em suas instalações, incluindo a segunda sede, HQ2, nos arredores da capital dos EUA.

Bezos destacou que a mudança da Amazon para remessas mais rápidas, incluindo entrega em um dia para muitos itens, seria um positivo líquido em termos ambientais, mesmo que isso seja "contraintuitivo".

"O motivo é que, uma vez que você chega a um dia e no mesmo dia, não pode mais fazê-lo por transporte aéreo", disse.

Isso significa manter armazéns e produtos mais próximos do consumidor e, como resultado, "você está realmente transportando os produtos de uma maneira muito eficiente, a uma distância muito curta", o que se torna menos intensivo em carbono, concluiu.

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