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Baleias-azuis preferem não adaptar seu ritmo migratório ao alimento

25/02/2019 21h11

Washington, 26 Fev 2019 (AFP) - Todas as primaveras, os maiores animais do mundo se trasladam da sua estação de reprodução invernal, ao longo da Costa Rica, para o norte, na costa oeste dos Estados Unidos, para degustar sua comida favorita: o krill, um minicrustáceo.

A migração de baleias-azuis, mamíferos de mais de 100 toneladas, é estudada há muito tempo, mas até agora não se sabia como estabeleciam seu itinerário: se adaptam para seguir em tempo real as áreas ricas em kril? Ou sempre fizeram a mesma peregrinação nas mesmas datas?

Um estudo realizado por pesquisadores do governo e universitários dos Estados Unidos, publicado nesta segunda-feira na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (Pnas), conclui que o que guia as baleias azuis é a memória, diferentemente da maioria dos animais terrestres, que com frequência fazem desvios em seus périplos anuais para se adaptarem às variações de recursos.

Como as baleias, o krill sobe pela costa com a estação. Mas às vezes chega com atraso, ou cedo demais. Não muda nada para as baleias: aparentemente, elas preferem não se arriscar apressando-se para alcançá-lo.

Os pesquisadores observaram que sua rota imutável correspondia à média dos picos de krill em um período de 10 anos. "Usam sua memória ou experiência passada, para se resguardar", diz em Monterrey (Califórnia) Briana Abrahms, cientista da administração federal dos oceanos, a Noaa, e coautora do estudo.

Sessenta baleias foram monitoradas diariamente de 1999 a 2008 por satélites.

As concentrações de krill foram controladas indiretamente por três satélites, através da concentração de clorofila no oceano. A clorofila indica a presença de fitoplâncton, do qual o krill se alimenta.

Assim, os pesquisadores somente tinham que comparar os calendários.

Segundo os cientistas, esta é a primeira vez que se estabelece que as baleias-azuis não ajustam em tempo real suas migrações em função do alimento.

Isto pode se dever ao fato de que os oceanos variam muito mais que os ambientes terrestres, explicou Abrahms. "Os oceanos são lugares muito dinâmicos", afirma.

O ponto fraco desta estratégia é que as variações anuais se tornam extremas com o aquecimento global, e podem estar muito longe da média de que as baleias tanto gostam.

"A amplitude das mudanças ameaça ocorrer muito mais rápido do que as baleias e outros animais tiveram para se adaptar até o momento", adverte a cientista.

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