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Além de Netuno: Nasa celebra Ano Novo com um sobrevoo histórico

Ilustração fornecida pela Nasa mostra a nave espacial New Horizons - Nasa / JHUAPL / SwRI via AP
Ilustração fornecida pela Nasa mostra a nave espacial New Horizons Imagem: Nasa / JHUAPL / SwRI via AP

Da AFP, em Tampa (EUA)

01/01/2019 14h07

A sonda New Horizons da Nasa conseguiu sobrevoar com sucesso o corpo celeste mais distante já observado de perto, o Ultima Thule, situado a 6,4 bilhões de quilômetros da Terra, anunciou a agência espacial americana nesta terça-feira (1).

A New Horizons enviou um sinal à Terra que demorou cerca de 10 horas a chegar. "Todos os indicadores estão em verde", disse Alice Bowman, uma responsável do projeto espacial.

Às 05h33 GMT (03h33 de Brasília) desta terça, quando a sonda New Horizons orientou as suas câmeras para essa formação rochosa, muitas pessoas explodiram de euforia no Laboratório John Hopkins de Física Aplicada, em Maryland. "Vamos New Horizons!", exclamou o cientista-chefe da missão, Alan Stern.

"Nunca antes uma nave explorou algo tão distante", disse Stern.

A sonda deverá tirar cerca de 900 fotos em questão de segundos, enquanto percorre 3.500 quilômetros.

"Agora é esperar que os dados cheguem, é uma questão de tempo", disse o subdiretor do projeto, John Spencer.

"Uma noite que ninguém vai esquecer!", exclamou o guitarrista do Queen, Brian May, doutor em Astrofísica que realizou um tributo musical para a ocasião.

Brian May, guitarrista da banda de rock Queen e astrofísico, discute o sobrevoo da New Horizons no Cinturão de Kuiper da Ultima Thule no Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins (APL) em Laurel, Maryland, EUA - Bill Ingalls/Nasa/Reuters - Bill Ingalls/Nasa/Reuters
Brian May, guitarrista da banda de rock Queen e astrofísico, discute o sobrevoo da New Horizons no Cinturão de Kuiper da Ultima Thule no Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins (APL) em Laurel, Maryland, EUA
Imagem: Bill Ingalls/Nasa/Reuters

Um primeiro clique do Ultima Thule, tirado a "apenas" 1,9 milhão de quilômetros, já mostrava uma surpresa: o objeto de pequeno tamanho (20 a 30 km de diâmetro) parece ter uma forma alongada, não redonda. Outras fotografias devem chegar à Terra nos próximos três dias.

O objetivo desta missão é entender como os planetas foram formados, explicou Stern.

"Este objeto está tão congelado que permanece em sua forma original", afirmou.

Convidados aplaudem membros da equipe da New Horizons após receberem sinais da sonda durante o voo de Ultima Thule, no Centro de Operações da Missão em Laurel, Maryland, EUA - Bill Ingalls/Nasa - Bill Ingalls/Nasa
Convidados aplaudem membros da equipe da New Horizons após receberem sinais da sonda durante o voo de Ultima Thule, no Centro de Operações da Missão em Laurel, Maryland, EUA
Imagem: Bill Ingalls/Nasa

"Tudo o que aprenderemos sobre Ultima (sua composição, geologia, como se formou, se tem satélites ou atmosfera) nos informará sobre as condições de formação dos objetos do Sistema Solar", acrescentou.

Ultima Thule, descoberto em 2014, se encontra no Cinturão de Kuiper, um enorme disco cósmico que remonta à época da formação dos planetas, que os astrônomos chamam de "celeiro" do Sistema Solar.

Esta missão se mostra perigosa. A New Horizons percorre o universo a 51.500 km/h e, nessa velocidade, se atingir um fragmento do tamanho de um grão de arroz será destruído instantaneamente.

Ultima Thule deve seu nome a uma ilha distante da literatura medieval. "Significa 'além de Thule', além dos limites conhecidos do nosso mundo, simbolizando a exploração além do Cinturão de Kuiper", explicou a agência espacial em um comunicado.

Descoberto na década de 1990, esse cinturão fica a cerca de 4,8 bilhões de quilômetros do Sol, além da órbita de Netuno, o planeta mais afastado do Sistema Solar.

"É a fronteira da Astronomia", aponta o cientista Hal Weaver, da Universidade Johns Hopkins.

"Finalmente atingimos os limites do Sistema Solar", se entusiasma. "Esses objetos estão lá desde o começo e acreditamos que eles não mudaram. Vamos verificar".