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Satélite Planck revela a imagem mais precisa já feita do Big Bang

Em Paris

21/03/2013 08h51

O satélite europeu Planck, lançado em 2009 com a missão de detectar o rastro da primeira luz emitida depois do Big Bang, revelou nesta quinta-feira (21) a imagem mais precisa já realizada dos primeiros momentos do Universo. 

"Ousamos olhar para o Big Bang de perto", o que permitiu "uma compreensão da formação do Universo" vinte vezes mais precisa do que antes, comemorou o diretor-geral da Agência Espacial Europeia (ESA, na sigla em inglês), Jean-Jacques Dordain, ao apresentar os primeiros resultados do Planck em Paris, na França.

Com exceção de algumas anomalias que farão os teóricos trabalharem durante semanas, "os dados do Planck corroboram de maneira espetacular a hipótese de um modelo de Universo relativamente simples", plano e em expansão, diz a Agência em comunicado.

A observação da radiação deixada pela criação do Universo mostra, ainda, que o Big Bang aconteceu há cerca de 13,8 bilhões de anos, ou 100 milhões de anos antes do que se pensava. Também permitiram que os cientistas tenham um maior conhecimento dos diferentes componentes do Universo.

"É verdade que a imagem se assemelha um pouco a uma bola de rúgbi deformada ou a uma obra de arte moderna, mas posso assegurar que alguns cientistas teriam trocado seus filhos por esta imagem", brincou George Efstathiou, astrofísico da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, ao comentar os resultados obtidos pela missão Planck, na sede francesa da ESA.

"Trata-se de uma imagem do Universo tal como ele era 380 mil anos depois do Big Bang", explicou. Nesse momento, a temperatura local estava em torno dos 3.000 graus Celsius", acrescentou.

Universo quente

Antes desse momento, o Universo tinha uma temperatura tão alta que nenhuma luz podia sair dele. O Planck captou a integridade do céu, pois o traço fóssil dos primeiros fótons (partículas elementares da luz) que surgiram do cosmos e que viajaram durante mais de 13 bilhões de anos para chegar até nós.

Essa irradiação fóssil é agora muito fria, com 3°C a mais do "zero absoluto" (-273°C). É invisível, mas pode ser detectada na gama das ondas de rádio.

A radiação de fundo cosmológica (CMB, na sigla em inglês) apresenta ínfimas flutuações de temperatura que correspondem a regiões de densidade levemente diferente e portam em si a "semente" de todas as estrelas e das galáxias que nós conhecemos.

Para poder medir essas ínfimas flutuações, com uma precisão de cerca de um milionésimo, e eliminar todas os sinais parasitários emitidos pela Via Láctea e outras galáxias, o instrumento de alta frequência HFI do satélite deve ser esfriado até um décimo de grau acima do zero absoluto.

Essa proeza tecnológica, feita na ausência de gravidade e no vácuo, "não tem equivalente e nenhum artefacto espacial poderá ultrapassá-la por muito tempo", concluiu Jean-Jacques Dordain.