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Bóson de Higgs foi o maior avanço científico do ano, diz revista Science

O físico Peter Higgs, pai da teoria do bóson de Higgs, posa ao lado de estátua de Albert Einstein, em Barcelona, na Espanha - Toni Albir/EFE
O físico Peter Higgs, pai da teoria do bóson de Higgs, posa ao lado de estátua de Albert Einstein, em Barcelona, na Espanha Imagem: Toni Albir/EFE

21/12/2012 09h22

A descoberta do Bóson de Higgs, partícula que explica o mistério da massa, lidera uma lista dos 10 principais avanços científicos de 2012, divulgada esta sexta-feira (21) pela revista Science. A "Partícula de Deus" recebeu o nome de Peter Higgs, um britânico tímido e de fala mansa de 83 anos que, em 1964, publicou um trabalho conceitual sobre a partícula - o físico belga François Englert, 79, contribuiu com a pesquisa separadamente.

Na sua teoria, Higgs explicou que o bóson de Higgs, que ficou desconhecido por quase 50 anos, é responsável por criar um campo de força dentro do átomo que dá massa às partículas. Isso significa que se elas interagem bastante com o campo, como é o caso dos quarks, elas passam a ser mais massivas; mas se interagem menos, elas ficam com pouca massa, como os életrons. 

Sem essa partícula, os cientistas dizem que os átomos agrupados do Universo - inclusive os seres humanos, que são feitos de uma cadeia de carbono - não poderiam existir. E afirmam que todos nós seríamos como os raios de luz, já que os fótons (partículas que não têm massa no átomo) não são atraídos pelo bóson de Higgs e passam direto pelo campo de força.  

Os outros grandes avanços científicos, segundo a renomada revista Science, foram:

- Cientistas na Alemanha usaram uma nova técnica para sequenciar o genoma completo de um grupo enigmático de humanos denominado denisovanos, com base em uma minúscula amostra do osso de um dedo de cerca de 80 mil anos encontrado em uma caverna na Sibéria. Nada se sabia sobre os denisovanos, a não ser que eles foram contemporâneos dos neandertais, outro "primo" do homem moderno.

- Cientistas japoneses criaram óvulos viáveis usando células-tronco embrionárias de camundongos adultos. A descoberta traz a possibilidade de que mulheres que são incapazes de produzir óvulos naturalmente possam obtê-los em um tubo de ensaio, a partir de suas próprias células, e depois implantá-los em seu corpo.

- Engenheiros da Nasa (Agência Espacial Norte-Americana) fizeram o veículo-robô Curiosity, com 3,3 toneladas, pousar em Marte usando um sistema de pouso inovador que fez pender o veículo, com as rodas para fora, usando três cabos. "O pouso sem falhas reassegurou seus desenvolvedores de que a Nasa poderá, algum dia, levar uma segunda missão para apanhar amostras coletadas e trazê-las de volta à Terra", reportou a Science.

- O uso de um laser de raio-X, que brilha um bilhão de vezes mais do que fontes de síncroton tradicional, permitiu a cientistas determinar a estrutura da proteína envolvida na transmissão da doença do sono africana. "O avanço demonstrou o potencial de lasers de raios-X para decifrar proteínas que os raios-X convencionais não podem", destacou a Science.

- Uma nova ferramenta permitiu a cientistas modificar ou desativar genes em animais de laboratório. Esta tecnologia poderá ser tão eficaz, e até mais barata, do que as técnicas direcionadas a genes e permitiria que cientistas se focassem em papéis específicos e mutações em pessoas saudáveis e doentes.

- Cientistas confirmaram a existência de férmions de Majorana, partículas que podem agir como sua própria antimatéria e se autodestruir. Cientistas acreditam que bits quânticos (ou qubits) feitos pelos férmions de Majorana poderão ser usados para armazenar e processar dados de forma mais eficaz do que os bits usados atualmente nos computadores.

- O projeto ENCODE demonstrou que 80% do genoma humano é ativo e ajuda a ligar e desligar genes. A nova informação pode ajudar cientistas a compreender os fatores de risco genéticos para doenças.

- Uma interface cérebro-máquina que permite humanos paralisados a mover um braço mecânico com a mente e executar movimentos em três dimensões. A tecnologia experimental é promissora para pacientes paralisados por derrames e lesões na medula.

- Cientistas chineses descobriram o parâmetro final desconhecido de um modelo que descreve como partículas subatômicas, conhecidas como neutrinos, mudam à medida que viajam na velocidade próxima à da luz. Os resultados sugerem que a física de neutrinos pode um dia ajudar os cientistas a compreender porque o universo contém tanta matéria e tão pouca antimatéria.