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Comissão francesa rejeita estudo que vincula milho transgênico a câncer

Imagem mostra tumores em ratos alimentados com milho da Monsanto. Segundo pesquisa divulgada em setembro na França, a mortalidade e as chances de câncer são até três vezes maiores nas cobaias que comeram transgênicos do que nos outros animais - Criigen/AFP
Imagem mostra tumores em ratos alimentados com milho da Monsanto. Segundo pesquisa divulgada em setembro na França, a mortalidade e as chances de câncer são até três vezes maiores nas cobaias que comeram transgênicos do que nos outros animais Imagem: Criigen/AFP

Em Paris

22/10/2012 13h35

Uma comissão científica francesa rejeitou nesta segunda-feira (22) um polêmico estudo coordenado por pesquisadores do país sobre ratos alimentados com milho transgênico e pediu um estudo independente.

O ACB (Alto Conselho de Biotecnologia) afirmou que não encontrou uma relação de causa entre os tumores dos ratos e o consumo do milho transgênico, como assegurava o estudo divulgado por cientistas da Universidade de Caen. Os métodos utilizados na pesquisa, que mostrou  que ratos alimentados com milho transgênico sofrem tumores cancerígenos e morrem mais cedo, são "inadequados". O órgão examinou a pesquisa a pedido do governo francês.

O estudo publicado em setembro pela equipe do professor de biologia molecular Gilles-Eric Seralini, da Universidade de Caen, reativou a polêmica sobre os riscos para a saúde dos organismos geneticamente modificados. A equipe analisou durante dois anos os efeitos em 200 ratos do milho transgênico NK603 e do herbicida Roundup, o mais utilizado no mundo - os dois produtos são da empresa Monsanto -, e suas conclusões provocaram uma tempestade entre o governo, os cientistas e os defensores do meio ambiente.

O ACB recomendou um "estudo a longo prazo, independente e transparente" sob a autoridade do poder público a respeito da segurança para a saúde do milho transgênico NK603. "Para responder às perguntas da sociedade sobre a toxicidade ou inocuidade do milho transgênico, o estudo deve levar em consideração visões contraditórias", ressaltou o comitê econômico, ético e social do ACB.

O estudo da Universidade de Caen, que advertia sobre os riscos para os seres humanos dos alimentos geneticamente modificados, concluiu que tumores cancerígenos surgiram nos machos alimentados com transgênicos até 600 dias antes do que no grupo de controle, com cobaias que não comem transgênicos, e nas fêmeas aparecem até 94 dias antes. 

Após a decisão do ACB, o professor que coordenou o estudo na Universidade de Caen considerou que a recomendação de realizar um "estudo independente" constitui um "progresso", mas opinou que, enquanto isso, o milho produzido pela gigante americana Monsanto  deve ser "proibido" no país, para segurança das pessoas.

Após a publicação do estudo, o governo da França pediu um procedimento rápido, de algumas semanas, para verificar a validade científica do mesmo. O governo destacou que, se fosse confirmado que os transgênicos são perigosos para a saúde, solicitaria a proibição em toda a Europa - o estudo provocou muitos pedidos de suspensão da autorização do cultivo destes produtos em outros países.

A França apresentou o tema à Agência de Segurança de Saúde. A Comissão Europeia pediu a sua agência responsável pela segurança dos alimentos que examinasse os dados do estudo para "tirar conclusões". 

Ao anunciar os resultados que invalidam o estudo, o ACB ressaltou que a nova pesquisa independente deve oferecer respostas às dúvidas da sociedade sobre os transgênicos. "A meta do novo estudo é tranquilizar a opinião pública, que não sabe mais em que acreditar", disse Christine Noiville, presidente do comitê econômico, ético e social do Conselho.

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