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Revolucionário: Galaxy Fold reinventa celular, mas gera medos de protótipo

Gabriel Francisco Ribeiro

De Tilt, em São Paulo

29/01/2020 04h00

O Galaxy Fold é o celular mais legal (e diferente) que testei nos últimos anos, marcando uma reinvenção do smartphone como passamos a conhecer na última década. O aparelho da Samsung chegou ao país no último mês com vendas que duraram apenas 24 horas e, de fato, merece toda a atenção recebida.

O primeiro celular com tela dobrável lançado no Brasil é, mesmo, revolucionário, mas ainda está longe de ser perfeito - passei cerca de 10 dias com ele e agora conto a experiência completa.

É bem verdade que o preço dele não é nada camarada: por aqui, foi lançado por nada menos que R$ 12.999, sendo o smartphone mais caro atualmente no país. Ainda assim, a Samsung alega que "todas as unidades do Fold disponibilizadas no Brasil se esgotaram em 24 horas" - ela não explica, contudo, se vendeu 10, 100, 1000. 10.000... O preço alto é fora dos padrões brasileiros, mas isso é típico com tecnologias novas que, posteriormente, acabam se popularizando.

As telas que se dobram são tidas como uma das inovações do futuro, já virando tendência entre fabricantes de celulares - além da Samsung, a Huawei e a Motorola, entre as grandes, já contam com seus próprios smartphones com displays dobráveis anunciados. Se depender do que vi do Fold, esse futuro é bastante animador - apesar de, por enquanto, muitas vezes parecer que estamos lidando com um protótipo do futuro e isso deixar a experiência com o aparelho pior.


Divulgação

Galaxy Fold

Preço

R$ 12.999 R$ 12.999
TILT
4,3 /5
USUÁRIOS
4,1 /5
ENTENDA AS NOTAS DA REDAÇÃO

Adesivo de proteção e curvatura no centro da tela não me incomodaram tanto - tela gigante em dispositivo de bolso é incrível.

Touch não foi perfeito como em celulares normais talvez por causa do adesivo, mas não tive muitos problemas.

Ótimas fotos, principalmente para a câmera frontal da tela interna.

Modos variados de fotografia e ótima qualidade das imagens.

É um celular pesado, mas o design dele e a forma que ele é feito para ser usado aliviam isso

Espetacular, principalmente se considerarmos as duas telonas. Rendeu acima do esperado.

Novamente, o design e a maneira que ele é pensado para ser usado ajudam na usabilidade de um celular desse tamanho. Mas os medos e cuidados com ele atrapalham.

Por um lado o design alcançou a inovação de uma tela dobrável, mas por outro ainda pode ser melhorado - celular bem grosso e a tela exterior é estranha

Custando R$ 13 mil no Brasil, não é um celular para todos.

Pontos Positivos

  • Tela foi ótima para ver vídeos e usar conteúdos diversos no celular com o display gigante
  • Design de abertura como um livro é acerto para os celulares dobráveis
  • Câmeras muito boas e com ótima qualidade de fotos
  • Desempenho e bateria excelente, essa última ainda superando as expectativas

Pontos Negativos

  • Defeitos do aparelho geraram cartilha de cuidados e isso atrapalha experiência
  • Celular não tem nenhuma resistência a água e poeira
  • Design e a tela exterior ainda são um ponto fraco do Fold, que é meio "estranho" quando fechado
  • Aparelho extremamente caro e com preço acima da realidade brasileira

Veredito

O Galaxy Fold é um celular do futuro e, por isso, você não precisa comprá-lo agora. A tela dobrável interna é incrível, mas ele ainda é um aparelho frágil e uma tecnologia em evolução. Só vale a pena se você quiser, mesmo, ter um aperitivo do amanhã - e tiver muita grana.

De cara, o design do Galaxy Fold é meio estranho. Ele lembra, um pouco, os antigos celulares da década de 90. Fechado, ele é um aparelho comprido e estreito. Nos lados, ele tem uma espessura maior do que a que estamos acostumados atualmente em celulares - dá cerca de dois smartphones normais da atualidade colados um no outro.

Eu achei que essa espessura fosse atrapalhar, mas acabou não incomodando muito. De fato, o dobrável da Samsung tem uma construção de design que acaba sendo bacana para o uso propiciado por ele. Apesar de grosso, comprido e estreito quando fechado, o design é tão bem trabalhado que nada disso incomoda.

Design de abrir como um livro é ponto positivo para o Galaxy Fold - Gabriel Francisco Ribeiro/UOL
Design de abrir como um livro é ponto positivo para o Galaxy Fold
Imagem: Gabriel Francisco Ribeiro/UOL

Por fora, o Fold ainda é todo de vidro e bonito. Tanto a traseira como a frente são espelhadas e elegante, mas essa beleza se perde com as primeiras marcas de dedo que começam a aparecer no smartphone - na versão preta, que foi lançada no Brasil, isso fica ainda mais evidente. O Galaxy Fold ainda tem uma tela exterior esquisita (falarei logo abaixo sobre ela) e que destoa no design por não ser muito bem alinhada com o aparelho.

Internamente, quando aberto, o Galaxy Fold conta com uma grande tela praticamente sem bordas, o que é bem legal no design e uso do dispositivo. A exceção fica para um entalhe para duas câmeras frontais internas na parte superior direita, que pode acabar vez ou outra cortando algum conteúdo.

O formato de abertura como um livro do celular é outro ponto positivo do Galaxy Fold - é o movimento contrário do feito com o Huawei Mate X. Preferi muito mais o aparelho da Samsung nesse quesito, já que a tela interna acaba ficando mais protegida e sujando menos. Aberto, o Fold é ainda um celular para ser usado com as duas mãos, obviamente.

Aqui é a parte do review em que vou dedicar a maior parte da explicação - afinal, a grande inovação está nesse assunto. Pela primeira vez não falarei em uma tela, mas sim em duas em um review de celular. Sim, isso é muito louco e precisei me acostumar com a ideia. Para começar, temos uma tela externa de 4,6 polegadas.

Tela exterior do Galaxy Fold é pequena e estranha - Reprodução
Tela exterior do Galaxy Fold é pequena e estranha
Imagem: Reprodução

Com o celular fechado, a tela exterior acaba ficando bem estreita. Ela tem uma qualidade HD+ e Super Amoled, com o formato 21:9 já visto em outros aparelhos. O tamanho dela em polegadas não é ruim (apenas 0,1" a menos que o iPhone 8), mas o fato dela ser bem estreita prejudica o uso.

Quando peguei o celular pela primeira vez, imaginei que não fosse usar essa tela externa. Mas, no fim das contas, até que ela foi útil. Utilizei para fazer ligações, zerar notificações do WhatsApp (digitar não é muito legal nesse display), mexer em configurações do celular e postar stories no Instagram. Ah, e usei também, claro, na rua: seja para não dar bandeira de que estava com a tela dobrável, seja para usar o Fold com uma só mão.

É quando a gente abre o Fold que a maravilha começa. É incrível ter um tablet de bolso. Com ele aberto, você tem nada menos que 7,3 polegadas de tela - inferior, contudo, ao tamanho do celular da Huawei. A qualidade da tela é bem boa mesmo com o adesivo de proteção para o display - imaginei que fosse ter um aspecto mais de "plástico" e opaco como o rival chinês, mas isso não rolou.

Telona interna é grande destaque do Galaxy Fold - Gabriel Francisco Ribeiro/UOL
Telona interna é grande destaque do Galaxy Fold
Imagem: Gabriel Francisco Ribeiro/UOL

Nos 10 dias de testes, usar o Fold para ver séries e filmes foi muito melhor do que com os celulares padrões da atualidade - mesmo eles tendo telonas acima de 6 polegadas. Confesso: até passei a jogar mais games enquanto utilizava o Galaxy Fold. O tamanho da tela faz você ter mais vontade de consumir conteúdo mobile.

Os pontos fracos do display que achei que fossem atrapalhar nem me incomodaram tanto. Sim, tem um entalhe para duas câmeras frontais que corta alguns vídeos e isso pode ser chato. Além disso, há uma saliência no meio onde a tela se dobra que pode te incomodar se tiver algum TOC, mas não atrapalha tanto a experiência.

O maior problema dessa telona é no excesso de cuidado que a Samsung coloca no celular. Os famosos problemas do display que adiaram seu lançamento em cinco meses fizeram a Samsung colocar uma série de recomendações sobre o aparelho (como não aplicar força excessiva na tela, não colocar objetos dentro do celular ao fechá-lo e deixá-lo longe de cartões por conter imãs), o que gera um medo na hora de utilizar o celular. Isso não é bacana para a experiência em geral.

Além disso, alguns apps não funcionam bem com a resolução do Galaxy Fold. Entre os famosos, o Instagram é o mais problemático: quando o smartphone está aberto, os stories são cortados no topo e na parte de baixo. Isso, claro, é um problema do aplicativo, não do celular.

As câmeras do Galaxy Fold são fantásticas e no nível dos tops de linha da Samsung, como o S10 e o Note 10. E olha que são muitas: no total, são seis câmeras espalhadas por todo o aparelho. Vamos começar pela traseira, que tem três câmeras: uma principal, uma grande angular e outra teleobjetiva. É um conjunto excelente.

Foto espetacular tirada com o modo noturno do Galaxy Fold - Gabriel Francisco Ribeiro/UOL
Foto espetacular tirada com o modo noturno do Galaxy Fold
Imagem: Gabriel Francisco Ribeiro/UOL

As fotos tiradas com a câmera traseira ficaram todas muito boas, com alto nível de contraste e cores bem reais. O desfoque de fundo vai bem, assim como todas as opções de lente rendem vários ângulos de imagens. Cheguei a achar algumas fotos com o modo noturno e em ambientes mais escuros um pouco abaixo do esperado, mas isso depende do ambiente - em outros cenários, o modo noturno funcionou muito bem.

Estádio Limeirão, da Inter de Limeira, com a grande angular do Galaxy Fold, da Samsung - Gabriel Francisco Ribeiro/UOL
Estádio Limeirão, da Inter de Limeira, com a grande angular do Galaxy Fold, da Samsung
Imagem: Gabriel Francisco Ribeiro/UOL

Estádio Limeirão, da Inter de Limeira, com a lente principal do Galaxy Fold, da Samsung - Gabriel Francisco Ribeiro/UOL
Estádio Limeirão, da Inter de Limeira, com a lente principal do Galaxy Fold, da Samsung
Imagem: Gabriel Francisco Ribeiro/UOL

Estádio Limeirão, da Inter de Limeira, com a teleobjetiva do Galaxy Fold, da Samsung - Gabriel Francisco Ribeiro/UOL
Estádio Limeirão, da Inter de Limeira, com a teleobjetiva do Galaxy Fold, da Samsung
Imagem: Gabriel Francisco Ribeiro/UOL

Com a tela aberta, o celular tem mais duas câmeras frontais. Elas também fazem um trabalho espetacular, no mesmo alto nível das câmeras frontais que a Samsung colocou nos últimos anos nos seus tops de linha. As fotos saem com muita riqueza de detalhes e gostei principalmente do modo foco dinâmico, já que o desfoque de fundo foi aprimorado pela Samsung no ano passado.

Câmera de selfie da tela interna do Galaxy Fold, celular da Samsung - Gabriel Francisco Ribeiro/UOL
Câmera de selfie da tela interna do Galaxy Fold, celular da Samsung
Imagem: Gabriel Francisco Ribeiro/UOL

Câmera de selfie da tela interna do Galaxy Fold, celular da Samsung, com desfoque de fundo - Gabriel Francisco Ribeiro/UOL
Câmera de selfie da tela interna do Galaxy Fold, celular da Samsung, com desfoque de fundo
Imagem: Gabriel Francisco Ribeiro/UOL

Falta uma câmera, né? Essa última eu não gostei muito. Ela também serve como câmera frontal, mas da tela exterior. Apesar de também fazer imagens com boa qualidade, o formato da foto acabou ficando semelhante ao formato estranho da tela exterior. Acabei quase não usando essa lente por causa disso.

O único asterisco que coloco para a experiência com as câmeras do Fold é que você acaba tendo que tirar fotos da mesma maneira que tira com um tablet: ou seja, com um aparelho gigante em mãos. Como não sou lá muito fã de tirar fotos com tablet, acabei achando isso um pouco esquisito. Mas nada que afete o resultado das fotos.

Desfoque de fundo com a câmera traseira do Galaxy Fold, da Samsung - Gabriel Francisco Ribeiro/UOL
Desfoque de fundo com a câmera traseira do Galaxy Fold, da Samsung
Imagem: Gabriel Francisco Ribeiro/UOL

Veja mais fotos tiradas com o aparelho ao fim do review.

O desempenho do Galaxy Fold é tão grandioso como o seu tamanho. O celular vem com o processador top de linha da Qualcomm do ano passado e com absurdos 12 GB de RAM - superior a muitos notebooks por aí. E ter um desempenho desse é essencial para usar um aparelho como o celular dobrável.

Afinal, com um brinquedinho desse a gente quer testar os limites da potência. Assistir conteúdos, ver redes sociais, alternar entre aplicativos, usar câmera e, principalmente, jogar games pesados foi tranquilo com o dispositivo da Samsung. A função de usar a tela exterior e depois continuar utilizando do mesmo ponto quando abre a tela interna também funcionou perfeitamente, o que mostra o quão bom é o desempenho.

O Fold também tem uma função multitarefa excelente: dá para usar até três aplicativos ao mesmo tempo, em janela dividida. Nas vezes que testei isso, os três aplicativos funcionaram sem problemas. Celulares como o Note 10 já têm modos multitarefa, mas nada como usá-lo em um aparelho com a tela desse tamanho.

A bateria foi mais uma surpresa positiva do Galaxy Fold. Imaginava que a tela gigante iria comer muita energia do celular, mas não foi isso que rolou. Por ser dobrável, a Samsung teve que dividir a bateria de 4.380 mAh em duas para acomodar dentro dos componentes do desportivo. Na prática, a carga foi suficiente para o uso do celular.

Em dias em que não dependi muito do celular e acabei utilizando ele moderadamente - para ver conteúdos como redes sociais, WhatsApp, mexer na câmera, jogar um pouco e ver um episódio de série -, usei o aparelho por dois dias sem colocá-lo na tomada entre um dia e outro. Já quando dependi mais dele e utilizei mais intensamente durante todo o dia, consegui chegar ao final do uso diário com uma pequena carga sobrando.

Destaque também para o carregamento bem rápido do celular, como já tem sido comum em celulares da Samsung: ele carrega de 0% a 100% em 1 hora e XX minutos.

Aqui é a parte que o Galaxy Fold não fica tão bom assim. O grande problema dele é que o celular não tem nenhuma resistência a água e poeira. Convenhamos: um celular de R$ 13 mil sem nenhuma resistência a esses dois elementos não se justifica. Isso aumentou ainda mais a sensação de medo e de usar um protótipo de uma tecnologia do futuro.

Não daria, por exemplo, para você usar o celular em uma praia. Eu estava usando o Fold na estreia da Inter de Limeira no Paulistão 2020 e tive que sair caçando sacos para esconder o celular na hora que começou a chover, com medo de que ele pifasse - além disso, não podia tocar no celular enquanto a água caía. Isso foi bem chato e diferente da maioria dos celulares atuais.

Outro ponto é para o leitor de digitais do celular, que fica na lateral do Galaxy Fold. Achei o local dele um pouco ruim e muitas vezes falhava na hora de desbloquear o celular. Acabei por ativar o reconhecimento facial, mesmo sabendo que essa tecnologia é menos segura no caso da Samsung.

O Galaxy Fold, por enquanto, é um celular que se justifica apenas se você tiver muito dinheiro e curte ter a última tecnologia em mãos. Não me leve a mal: ele é um ótimo celular e senti muita falta da telona dele quando voltei para meu aparelho de pouco mais de 6 polegadas. Mas, ainda assim, não pagaria o preço exigido para ter o celular da Samsung agora.

Vamos relembrar: ele é um aparelho que já deu alguns defeitos (apesar de não ter visto nenhum nos meus testes), que tem um preço alto e que sequer conta com resistência a água. No fim das contas, a experiência com ele é um pouco de protótipo do futuro, com medos constantes de que possíveis problemas possam ocorrer.

Caso você não tenha pressa em ter um aperitivo do futuro em mãos, recomendo que espere mais alguns anos até a tecnologia dos celulares com telas dobráveis se popularizar e ficar mais estável.

Especificações técnicas
  • Sistema Operacional

  • Android

  • Dimensões

  • Aberto: 160.9 x 117.9 x 6.9 mm; Fechado: 160.9 x 62.9 x 15.5 mm

  • Resistência à água

  • Não tem

  • Cor

  • Preto

  • Preço

  • R$ 12.999 (lançamento)

Tela
  • Tipo

  • Amoled Dinâmico (interna) e Super Amoled (externa)

  • Tamanho

  • 7,3 polegadas (interna) e 4,6 polegadas (externa)

  • Resolução

  • 1536 x 2152 pixels (aberta) e 720 x 1680 (externa)

Câmera
  • Câmera Frontal

  • Interna dupla (10 MP + 8 MP) e exterior (10 MP)

  • Câmera Traseira

  • Tripla: 12 MP (principal) + 12 MP (teleobjetiva) + 16 MP (grande angular)

Dados técnicos
  • Processador

  • Snapdragon 855

  • Armazenamento

  • 512 GB

  • Memória

  • 12 GB de RAM

  • Bateria

  • 4.380 mAh

Review