Parecem iguais, e agora?

Chegou na loja e não sabe escolher uma smart TV? Especialista tira as principais dúvidas dos internautas

Guilherme Tagiaroli De Tilt, em São Paulo Mariana Pekin/UOL

Você chega numa loja, e as TVs são todas muito parecidas: telona, bordas finas, muitos recursos, várias letrinhas e imagens pra lá de impactantes. O vendedor faz questão de enfatizar os vídeos de demonstração, saturados e definidos, que chamam a atenção para cores, brilho e contraste únicos. Mas como saber se o produto é realmente bom?

É isso que explicamos no primeiro Tilt Lab Day. No comparativo de quatro smart TVs 4K, enviadas por LG, Samsung, Toshiba e Philco, convidados e especialistas fizeram suas análises e tiraram dúvidas da audiência ao vivo. Foram tantas perguntas boas, que reunimos aqui as principais respostas.

Confira abaixo as explicações para termos técnicos e guarde este guia para ficar mais seguro na hora de escolher um aparelho.

Sempre aconselho que a família vá à loja e fique um tempo lá assistindo à TV. Tem que degustar. Existem questões muito pessoais na aquisição dessa tecnologia, até porque vamos desfrutar de uma experiência imersiva de som e imagem

Marcello Zuffo, professor de engenharia de sistemas eletrônicos da USP (Universidade de São Paulo)

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Qual tamanho e onde coloco?

Antes de mais nada, é preciso saber que as fabricantes medem o tamanho da tela em polegadas e na diagonal. Então, se 1 polegada é igual a 2,54 cm, isso quer dizer que as telas de 55" ou 65" medem mais de 1,5 metro da ponta esquerda superior até a ponta direita inferior. É muita coisa! Se sua sala é pequena, não adianta sonhar alto e comprar um modelo tão grande como esse.

Antes de ir até a loja para analisar o aparelho de perto, calcule qual o tamanho de tela ideal para o espaço que tem. Existe uma fórmula padrão para isso: medir a distância da TV até o sofá, converter o valor para polegadas (você pode usar o Google para isso) e dividir por dois.

Exemplo: uma distância de 2 metros = cerca de 79 polegadas. O tamanho sugerido é 79/2 = 39,5 polegadas. Portanto, uma TV de 40" dá conta do recado.

Caso você queira fixá-la na parede, a conta é a mesma, mas compre um suporte Vesa —padrão universal que encaixa nos principais modelos. Todos os modelos já vêm com uma base, que ajuda a posicionar a TV num rack ou outro móvel. Essa estrutura pode servir para esconder os fios em alguns modelos — no nosso teste, Toshiba e LG vinham com suportes assim.

Onde você vai posicionar o aparelho pode determinar sua vida útil. "TVs temem calor e sol. Certifique-se de que ela não receba luz solar e tente colocá-la num lugar fresquinho. Aí, ela vai vai durar muito tempo", explicou Zuffo.

Todos os modelos modernos contam com conexão wi-fi ou via cabo de rede. Então, se for a TV para um cômodo com sinal fraco (você verifica isso com o próprio celular conectado à rede), tente passar um cabo ou use um repetidor para estender o sinal wi-fi para aquele ambiente.

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LCD, LED, Oled ou Qled?

Tela é o ponto que mais importante de uma TV. São muitas as siglas, mas de forma resumida você vai encontrar na loja dois tipo de tecnologias:

  • painéis LCD com iluminação LED (com ou sem pontos quânticos)
  • painéis Oled (exclusivos da LG)

As TVs com tela de cristais líquidos (LCD), mais comuns e baratas, contam com uma iluminação de fundo LED que ajuda a "desenhar" a imagem exibida. Por isso, não conseguem altos níveis de contraste —ao exibir uma cena escura, sempre haverá uma luz de fundo.

A indústria tenta aprimorar esta tecnologia usando o que ficou conhecido como pontos quânticos. Na Samsung, o nome comercial é Qled. Na Toshiba, quantum dot.

"É uma camada de filtro, que faz uma equalização física das cores. A luz de fundo do LED tende ao azul, mas o fóton, quando bate neste filtro quântico, desvia para o vermelho e verde, melhorando a definição de cores", explica o professor.

Algumas TVs modernas contam ainda com mini-LEDs, pontos menores e direcionados de luz, que permitem um melhor controle da iluminação da tela —em vez de uma grande fonte de luz, os pontos são controlados por região, o que ajuda a chegar mais perto do preto real.

Nas lojas, você encontra com o nome de Neo Qled, da Samsung, ou D-LED (Direct LED), na Toshiba ou Philco.

No outro lado, temos a tecnologia Oled, patenteada pela LG. Nela, os pixels (minúsculos pontos da TV que forma a imagem) são orgânicos e se autoiluminam. Essas TVs costumam ter uma qualidade de imagem impressionante, com altos níveis de contraste. É o chamado "preto mais preto", em que os pontos escuros do vídeo ficam apagados e, portanto, sem qualquer luz.

Apesar de serem superiores (e bem mais caras), essas telas são mais suscetíveis ao "burn-in", quando o monitor fica permanentemente marcado pela longa exposição de uma mesma imagem num mesmo ponto (por exemplo, um placar de jogo ou logotipo). Em geral, com um uso convencional, a retenção da imagem desaparece com o tempo.

Em ordem de qualidade de imagem, seria mais ou menos assim:

  • Oled
  • mini-LED com pontos quânticos
  • LED com pontos quânticos
  • LED

Pergunta de Roberto Alves de Oliveira Junior: As TVs NanoCell são boas?

Essa é uma nova tecnologia de imagem da LG que agrupo LEDs da luz de fundo (backlight) em células, que se adaptam ao tipo de imagem. Isso ajuda a controlar e equalizar a luz de fundo, o que aumenta a experiência de imagem —o que sempre é bom. É uma alternativa da marca aos pontos quânticos.

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HD, Full HD, 4K ou 8K?

O próximo passo é pensar na resolução. Ela é medida em pixels e define a qualidade que a imagem pode alcançar. Quanto mais pontinhos de luz na tela, maior o nível de detalhes exibidos.

  • HD: 1280 pixels x 720 pixels
  • Full HD: 1920 pixels x 1080 pixels
  • 4K (ou UltraHD): 3840 pixels x 2160 pixels
  • 8K (ou Ultra Full HD): 7680 pixels x 4320 pixels


Para você ter uma ideia do tipo de conteúdo encontrado:

  • HD: conteúdos da TV aberta (futebol, novela, noticiário)
  • Full HD: streaming e consoles mais antigos, como o Playstation 3 e Xbox 360
  • 4K: consoles como Playstation 4 e Xbox One X, filmes e séries da Netflix, HBO, Amazon Prime e outros
  • 8K: são uma raridade, mas podem ser encontrados no Xbox Series X e Playstation 5 ou em vídeos do YouTube.

No caso dos serviços de streaming, é preciso uma internet banda larga compatível. A Netflix, por exemplo, recomenda uma conexão mínima de 5 Mbps (Megabits por segundo) para vídeos em HD e 25 Mbps para assistir filmes e séries em 4K.

Sabendo que as pessoas consomem vídeo em diferentes resoluções, muitas TVs contam com sistemas de upscalling (quando um sinal de qualidade inferior é melhorado via software). A maioria dos modelos recentes conta com processador —semelhante ao de celulares e computadores— para executar este tipo de tarefa.

É por isso que muitas vezes TVs de lojas exibem belas imagens mesmo geradas em TV aberta. Existe um baita processamento por trás disso com uso de inteligência artificial.

Se for para uso simples, como ver o noticiário e as novelas, não é necessário um modelo muito sofisticado —Full HD dá conta. Mas quem busca um modelo mais duradouro deve apostar em uma 4K, porque logo teremos muito conteúdo nessa resolução. O 8K é para entusiastas, pois ainda está engatinhando.

Pergunta de Robson Coutinho: Vai ter transmissão das Olimpíadas em 4K? O que dá para assistir nessa resolução, além de filmes e séries das plataformas de streaming?

Durante as Olimpíadas no Rio de Janeiro em 2016 e a Copa do Mundo de 2018, até rolaram alguns experimentos com transmissão de jogos em 4K, mas neste ano as emissoras brasileiras não anunciaram nada do tipo. Fora das plataformas de streaming, você encontra games com essa resolução.

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HDR e taxa de atualização

Boa parte dos games e algumas séries e filmes está disponível em 4K HDR. Essa é uma sigla para Grande Alcance Dinâmico, uma tecnologia que melhora bastante o nível de cores e contrastes das imagens —áreas escuras e muito claras passam a ter muito mais detalhes.

As TVs já mandam sinais em 256 níveis de RGB (vermelho, verde e azul), que forma 16 milhões de cores. No HDR, a paleta chega na casa do bilhão de cores e cobre todo o espectro visual de cores do olho humano. "Isso melhora bastante a qualidade de imagem", diz Zuffo.

Pode parecer frescura, mas esta melhoria das cores faz diferença em games de tiro em que o inimigo fica escondido em um ambiente escuro, por exemplo, ou numa cena noturna de um filme.

Vale também observar a taxa de atualização. A maioria das TVs trabalha com 60Hz (a tela "atualiza" 60 vezes por segundo), mas quem curte games deve mirar uma taxa de 120 Hz. Isso aumenta a responsividade e pode definir numa partida: quem tem tela de 120 Hz consegue ver o oponente antes... e matá-lo.

Se você tem um Playstation 5 ou Xbox Series X, compatíveis com essa tecnologia, use a porta HDMI 2.1 para garantir essa rapidez —geralmente ela já vem com um ícone gamer.

Thiago Rosa: O que é Dolby Vision? Quais serviços já oferecem?

Dolby Vision é o padrão de HDR (alta alcance dinâmico) do renomado Dolby Laboratories, que está presente em filmes 4K da Netflix, Disney+ e Prime Video, além de consoles como Xbox Series X.

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Portas e sons

Por falar em portas, elas viraram um item muito importante diante de tantos aparelhos pendurados na TV: videogames, home theater, stickers ou set-top box, TV a cabo, Blu-Ray, etc.

Boa parte dos modelos vem com mais de uma porta HDMI, mas confira se elas são suficientes ou se você precisa de uma TV com mais (ou de um adaptador).

As portas USB são menos usadas, mas ainda são importantes para aparelhos que requerem energia ou troca de dados. É nelas que você conecta pendrives com fotos ou vídeos ou liga o Roku TV ou Chromecast.

Você também vai precisar de entradas para conectar caixas de som ou soundbars. Apesar de as TVs terem muitas tecnologias embarcadas, os modelos recentes contam com som que "dá para o gasto" para a maioria das pessoas, medido em Watts RMS. Os modelos mais premium contam com alto-falantes potentes, que podem chegar a 40W ou mais, mas esse não é o padrão.

Na loja, peça para o vendedor para colocar o volume no talo para sentir se a potência é suficiente para o seu uso. Se você curte jogar e não quer acordar toda a casa, cheque se a TV tem conexão Bluetooth.

Pergunta de Cristóvão: Alguma TV permite a conexão de mais de um fone de ouvido por Bluetooth simultaneamente?

Sim. Algumas TVs da Samsung e LG oferecem suporte para até duas conexões de fone Bluetooth. Também é possível comprar um adaptador, que fica ligado a uma porta P2 da TV e possibilita essas conexões. Busque por "adaptador Bluetooth para TV".

Mariana Pekin/UOL

Sistema operacional é tudo igual?

Como nos celulares, o sistema operacional da TVs pode ser decisivo. É ele que vai mediar atividades como trocar de canal ou buscar um filme num app de streaming. Um sistema obsoleto, que não atualiza nunca, pode significar uma experiência muito limitada —e irritante. O Disney+, por exemplo, foi lançado em 2020 e não chegou para modelos mais antigos, como os da Sony.

"O mundo da TV está indo para o streaming. Para quem curte apps e quer ter um aparelho que dure bastante, é preciso considerar o sistema operacional e suas atualizações", afirmou o professor da USP.

As marcas trabalham com seus próprios sistemas: WebOS (LG), Tizen (Samsung) e Vidaa (Toshiba). A Philco mandou bem e optou pelo conhecido Roku embarcado, um dos sistemas mais completos disponíveis hoje e que pode ser encontrado também em stick (bastão que você pluga na TV para torná-la smart).

Aproveite a visita à loja para testar a navegação dos sistemas. Quanto mais intuitivo e cheio de apps, melhor. Cheque se seus apps favoritos estão disponíveis e pergunte sobre a frequência da atualização. Nisso, você também vai perceber se o sistema trava ou responde rápido.

Um jeito de contornar a falta de um sistema completo é comprar um set-top-box mais robusto. São as caixinhas que você pluga nas entradas USB (energia) e HDMI (imagem) da TV comum para ter apps de streaming.

Google Chromecast, Amazon Fire TV, Apple TV, Roku Stick ou Mi TV Stick costumam ser constantemente atualizados e não custam tão caro —a partir de R$ 150.

Chromecast - Marcio Padrão/UOL - Marcio Padrão/UOL
Google Chromecast
Imagem: Marcio Padrão/UOL

"Sistemas baseados em Linux [sistema aberto] costumam ter maior interoperabilidade", ressaltou Zuffo, porque facilitam o trabalho do desenvolvedor que cria apps para os distintos sistemas operacionais. WebOS, Tizen e Roku são baseados nesse código.

Dentre as caixinhas, quase todas são baseadas em Android, que também "bebe" na fonte do Linux. A Apple TV tem o tvOS, que é baseado no iOS do iPhone.

Pergunta de Márcio Freire: Com tantas TV Box, FireStick e Apple TV por aí, com bons processadores e memória, vale a pena pagar mais caro por uma smart TV com sistemas limitados?

A grande vantagem de TVs novas é a tecnologia de imagem. Por mais que set-top-boxes e sticks tenham bons sistemas e ótimo desempenho, eles não conseguem melhorar a qualidade de exibição das telas mais novas.

Dúvidas do internauta

No Tilt Lab Day, recebemos algumas outras perguntas da nossa audiência, que são mais específicas. Mas fica aqui a resposta para quem quiser se aprofundar no tema:

José Licci: Vale a pena tentar fazer a manutenção da TV ou é melhor descartar e comprar outra?

Depende bastante da situação da TV. Em alguns casos, é preciso trocar a placa do equipamento, e aí o custo é quase de um novo. Sempre vale cotar a manutenção em diferentes assistências técnicas. Mas, em geral, a manutenção não é fácil e as marcas poderiam melhorar nisso.

Rcaldo: O que aconteceu com as TVs 3D? Acham que pode voltar?

As TVs 3D foram um fenômeno, mas não havia conteúdo feito para elas e, com o tempo, deixou de ser interessante comercializá-las. Atualmente, há discussões sobre TVs 8K imersivas, que nem precisam de óculos 3D para dar a sensação de se estar na cena. A tecnologia deve voltar no futuro, pois estará mais madura e deve haver um esforço maior em produzir conteúdo.

Rogério Baboim: Pena que não tem mais Philips e Sony no mercado. São minhas marcas preferidas.

A Philips tinha uma joint venture com a empresa chinesa TPV (que faz as TVs AOC) e vendeu sua parte. Por um tempo, a TPV teve o direito de usar a marca Philips, mas agora isso acabou. Já a japonesa Sony deixou o mercado brasileiro recentemente. No início deste ano, avisou que não venderia mais produtos por aqui. Segundo o professor Marcelo Zuffo, a Sony tinha um dos melhores sistemas de processamento de imagem entre as TVs, uma pena.

Thiago Rosa: E câmera na TV para usar Skype ou outro serviço de videoconferência?

Em 2010, algumas marcas colocaram câmeras nas TVs para facilitar videochamadas, mas logo descontinuaram. Com a pandemia, a vontade de ter esse recurso cresceu. Recentemente, a TCL anunciou o app de videoconferência Google Duo que facilita o uso de uma webcam. Basta ligá-la à porta USB, que ela já funciona.

Já a Samsung tornou as TVs novas compatíveis com as webcams da Logitech. Você conecta a uma porta USB da TV e também usa o Google Duo.

A LG conta com uma linha de câmeras compatíveis com computadores e TVs, que são vendidas separadamente. Antes de comprar, verifique se seu aparelho é compatível.

Marcelo Queiroz: Qual o menor input lag?

Input lag é o tempo entre a execução de um comando em um game e sua execução. Antes de haver a ação no jogo, existe um processamento de imagem, que influencia na rapidez dessa resposta. Quem joga games muito dinâmicos, como os de tiro, percebe isso.

Dá para baixar o input lag ativando o modo game da TV (ele reduz o processamento de imagem, tornando a resposta mais rápida) ou observando essa informação ao comprar uma TV nova. Para os amantes de games, um input lag de até 40 ms dá para o gasto —jogadores mais exigentes devem buscar input lag na casa dos 20 ms (milissegundos).

As TVs identificadas como próprias para games costumam ter baixo input lag.

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