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Documentos vazados mostram que Huawei escondeu operação ilegal no Irã

Huawei enfrenta batalha contra os Estados Unidos, que fizeram várias sanções à empresa - Soe Zeya Tun/Reuters
Huawei enfrenta batalha contra os Estados Unidos, que fizeram várias sanções à empresa Imagem: Soe Zeya Tun/Reuters

03/06/2020 17h41

A Huawei tentou encobrir a ligação com uma empresa que tentou vender equipamentos proibidos de informática dos Estados Unidos para o Irã, mostraram documentos internos da Huawei.

A Huawei há muito tempo descreve a empresa - Skycom Tech - como parceira comercial no Irã. Agora, documentos obtidos pela Reuters mostram como a Huawei de fato controlava a Skycom. Os documentos incluem registros comerciais, memorandos, cartas e acordos contratuais - que foram analisados pela Reuters.

Um documento descreveu como a Huawei tentou se separar da Skycom no início de 2013 por preocupações com sanções comerciais contra Teerã. Os documentos mostram que a Huawei tomou uma série de ações - incluindo mudar os gerentes da Skycom, fechar o escritório da Skycom em Teerã e formar outro negócio no Irã para assumir dezenas de milhões de dólares em contratos da Skycom.

As revelações nos novos documentos podem sustentar um processo criminal de alto escalão que está sendo movido por autoridades norte-americanas contra a Huawei e sua vice-presidente financeira (CFO), Meng Wanzhou, filha do fundador da empresa. Os EUA estão tentando extraditar Meng do Canadá, onde foi presa em dezembro de 2018. Um juiz canadense permitiu na semana passada que o caso continue, rejeitando os argumentos da defesa de que as acusações não constituem crimes no Canadá.

Uma acusação alega que a Huawei e Meng participaram de um esquema fraudulento para obter bens e tecnologia proibidos nos EUA para negócios da Huawei no Irã via Skycom, e tirar o dinheiro do Irã enganando um banco. Pela acusação, a Skycom era uma "subsidiária não oficial" da Huawei, não uma parceira.

Huawei e Meng negaram as acusações criminais, que incluem fraude bancária, fraude eletrônica e outras alegações. A Skycom, registrada em Hong Kong e dissolvida em 2017, também é ré. A Huawei foi acionista da Skycom, mas, segundo registros corporativos, vendeu sua participação há mais de uma década.

Os documentos parecem minar as alegações da Huawei de que a Skycom era apenas uma parceira de negócios. Eles oferecem uma visão dos bastidores do que aconteceu nas duas empresas dentro do Irã há sete anos e como as empresas estavam interligadas.

A Huawei se recusou a comentar esta matéria.

O Ministério das Relações Exteriores da China disse que os EUA estão politizando questões econômicas e comerciais, o que não é do interesse de empresas chinesas ou norte-americanas. "Pedimos aos Estados Unidos que parem imediatamente sua supressão irracional de empresas chinesas, incluindo a Huawei", afirmou. Mas enviou à Huawei perguntas sobre esta matéria.