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Facebook ampliará unidade de criptografia apesar de alertas sobre crimes

Novo logo do Facebook foi divulgado nesta segunda-feira (4/11) - Handout / FACEBOOK / AFP
Novo logo do Facebook foi divulgado nesta segunda-feira (4/11) Imagem: Handout / FACEBOOK / AFP

Lisboa (Portugal)

06/11/2019 09h05

O Facebook irá delinear nesta quarta-feira os planos de expandir a criptografia em sua plataforma Messenger, apesar dos avisos de autoridades reguladoras e governamentais de que a segurança aprimorada ajudará a proteger pedófilos e outros criminosos.

Os executivos disseram à Reuters que também detalharão as medidas de segurança, incluindo alertas reforçados para destinatários de conteúdo indesejado.

As medidas vêm após queixas de autoridades nos Estados Unidos, Reino Unido e Austrália de que o plano do Facebook de criptografar mensagens em todas as suas plataformas dificultaria a detecção de predadores sexuais e pedófilos.

As mudanças, apoiadas por grupos de direitos civis e muitos especialistas em tecnologia, serão descritas mais detalhadamente pelos executivos da empresa em uma conferência de tecnologia de Lisboa no final do dia.

O chefe de privacidade de mensagens do Facebook, Jay Sullivan, e outros executivos disseram que a empresa continuará com as mudanças enquanto examina com mais cuidado os dados que coleta.

Sullivan planeja chamar atenção para uma opção pouco divulgada de criptografia de ponta a ponta que já existe no Messenger. A empresa espera que o aumento do uso forneça à empresa mais dados para elaborar medidas de segurança adicionais antes de tornar os chats privados a configuração padrão.

"Este é um bom teste para nós", disse Sullivan. "Faz parte da direção geral."

A empresa também publicará mais em suas páginas para os usuários sobre como funciona a função Conversas Secretas. O recurso está disponível desde 2016, mas não é fácil de encontrar e leva cliques extras para ativar.

A empresa também está considerando proibir novas contas do Messenger que não estejam vinculadas a perfis regulares do Facebook. A grande maioria das contas do Messenger está associada aos perfis do Facebook, mas uma proporção maior de contas independentes é usada para crimes e comunicações indesejadas, disseram executivos.

"Estamos considerando um processo de registro no qual os usuários em potencial do Messenger só poderão se inscrever no Messenger criando ou acessando uma conta do Facebook", disse um porta-voz do Facebook.

A exigência de um link para o Facebook reduziria as proteções de privacidade desses usuários do Messenger, mas forneceria à empresa mais informações que ela poderia usar para alertar ou bloquear contas problemáticas ou relatar suspeitos de crimes à polícia.

As medidas de segurança aprimoradas que a empresa planeja incluem enviar lembretes aos usuários para denunciar contatos indesejados e convidar destinatários de conteúdo indesejado para enviar versões em texto sem formatação dos chats ao Facebook para proibir os remetentes ou potencialmente denunciá-los à polícia.

O Facebook também pode enviar mais avisos aos usuários contatados por pessoas sem amigos compartilhados ou que tiveram muitas mensagens ou solicitações de amizade rejeitadas.

O Facebook havia dito anteriormente que queria facilitar a denúncia de má conduta por parte dos usuários, à medida que avança gradualmente em direção a mais criptografia, mas deu poucos detalhes.

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