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Oi negocia venda de segmento móvel para TIM e Telefônica Brasil, dizem fontes

Efe
Imagem: Efe

Carolina Mandl e Gabriela Mello

19/09/2019 08h51Atualizada em 19/09/2019 16h28

SÃO PAULO, 18 Set (Reuters) - A Oi está em negociações com a espanhola Telefónica (dona da Vivo) e com a Telecom Italia (dona da TIM) para vender seu negócio de telefonia móvel, a fim de evitar uma liquidação, disseram cinco pessoas com conhecimento do assunto.

A Oi tem enfrentado dificuldades para se reerguer desde que entrou com pedido de recuperação judicial em junho de 2016 para reestruturar uma dívida de aproximadamente R$ 65 bilhões.

A maior operadora de telefonia fixa do Brasil espera levantar mais de R$ 10 bilhões com a venda do segmento móvel, de acordo com duas das fontes, que falaram na condição de anonimato porque as negociações são confidenciais.

A Oi contava com uma base de cerca de 35 milhões de clientes em telefonia móvel em 30 de junho, de acordo com o balanço do segundo trimestre.

Os recursos provenientes da venda do negócio seriam usados para fortalecer o serviço de banda larga conhecido como "fiber-to-the-home", considerado chave para o crescimento da companhia, conforme plano estratégico divulgado em julho.

A empresa atualmente tem 360 mil quilômetros de fibra em todo o país, uma infraestrutura que é também utilizada pelas outras operadoras.

A Oi também entrou em conversas preliminares com a norte-americana AT&T e outra empresa chinesa, visando atrair participantes que ainda não operam no maior mercado da América Latina, outras duas fontes disseram.

Representantes da Oi, da AT&T e da subsidiária brasileira da Telefónica recusaram-se a comentar o assunto. O Grupo TIM negou qualquer negociação com a Oi.

Novos entrantes não enfrentariam o mesmo desafio antitruste que as companhias já presentes no país.

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e a agência reguladora do setor de telecomunicações, Anatel, podem resistir à venda da unidade de telefonia móvel da Oi para uma ou duas operadoras que já atuam no mercado brasileiro, afirmaram duas das fontes.

Cade e Anatel não responderam aos pedidos de comentário.

Embora as negociações em andamento estejam focadas no segmento móvel, a venda de toda a Oi não é descartada, uma das fontes acrescentou, ainda que tal acordo seja menos provável.

Desde que entrou com pedido de recuperação judicial, a base de clientes móveis da Oi encolheu mais de 20% e a companhia vem queimando caixa para expandir o serviço de fibra FTTH.

Ao fim de junho deste ano, a posição de caixa da companhia era de cerca de R$ 4,3 bilhões, quase 2 bilhões de reais abaixo do previsto em seu plano de reestruturação, segundo outra fonte.

Sem caixa para manter as operações, a Oi poderia deixar milhões de brasileiros sem serviço ou forçar a Anatel a intervir, criando um fardo adicional para o governo em um momento de profundo desarranjo das contas públicas.

Em relatório publicado na quarta-feira, a Fitch calculou que podem faltar cerca de R$ 7 bilhões para Oi até 2021 devido ao intensivo gasto de capital.

"A Oi depende de venda de ativos e mudanças regulatórias no curto prazo para financiar sua transição para um modelo de negócios sustentável", informou a agência de classificação de risco.

A Oi contratou o Bank of America para assessorar na venda de ativos não essenciais em janeiro, e duas das fontes disseram que o banco agora está assessorando também a venda de operações chave.

Bank of America disse que não comentaria o assunto.

Rotas alternativas

Enquanto negocia a venda da operação móvel, a Oi também avalia alternativas de curto prazo para captação de recursos, observaram as fontes, incluindo a emissão de até R$ 3 bilhões em dívida garantida pela futura venda de ativos.

A empresa ainda vem se esforçando para acelerar a venda da participação que detém na Unitel para alguns dos atuais acionistas da operadora angolana, o que permitiria a captação de cerca de US$ 1 bilhão, ajudando também a destravar o pagamento de dividendos.

A Oi também considera um aumento de capital ou rodada de financiamento por parte dos seus acionistas, o que daria mais espaço para administrar os passivos de curto prazo.

Uma das fontes com conhecimento direto das operações da Oi afirmou que o atual presidente da companhia, Eurico Teles, e alguns dos acionistas se opõem à venda da unidade móvel, já que isso deixaria a empresa fora da corrida pela implementação da futura geração de rede móvel 5G.

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