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Sob pressão, funcionários de lojas da Apple votam por criação de sindicato

Logo da Apple em loja de Nova York - Mike Segar/Reuters
Logo da Apple em loja de Nova York Imagem: Mike Segar/Reuters

De Tilt*, São Paulo

19/06/2022 15h12

Funcionários das Lojas Apple no estado de Maryland, nos Estados Unidos, votaram pela criação do primeiro sindicato de colaboradores da empresa. O registro foi anunciado ontem (18) pelo Quadro de Relações Nacionais de Trabalho, órgão local responsável pela regularização de grupos sindicais, e contou com uma votação de 65 a 33 — margem de dois votos a um para a criação da entidade.

Esta é a primeira vez que trabalhadores da empresa de Cupertino oficializam um sindicato. Nomeado "Applecore" — Apple Coalition of Organized Retail Employees, algo como Coalizão de Empregados Organizados Varejistas da Apple, em tradução livre —, Core também é uma referência ao "miolo" da maçã.

A entidade fará parte da Associação Internacional de Funcionários de Máquinas e Indústria Aerospacial, um grupo que conta com cerca de 300 mil trabalhadores associados.

O grupo segue o exemplo de outras categorias de funcionários de big techs, como a Amazon e a Alphabet — conglomerado empresarial do qual o Google faz parte.

Negociação por salários e segurança

As demandas que levam os funcionários da Apple a se reunirem em sindicato são, inicialmente, maior possibilidade de negociação de salários e outras políticas empresariais para garantir segurança em meio a pandemia de Covid-19.

De acordo com o grupo, a empresa tem demorado para aumentar os reajustes salariais e compensações de funcionários enquanto os lucros da Apple aumentam cada vez mais. Eles ainda argumentam que as habilidades técnicas e conhecimentos específicos de produtos necessários para trabalhar no setor é muito maior do que os de outros setores varejistas.

Num esforço de evitar sindicalização, a Apple anunciou um aumento no salário mínimo dos vendedores de suas lojas nos Estados Unidos. O valor de cada hora trabalhada passará a valer, no mínimo US$ 22 (R$ 105,00, em conversão direta) a partir de julho.

Alguns críticos, porém, consideram esse aumento modesto, sendo que alguns trabalhadores de outros setores recebem até US$ 17/hora em cidades com um alto custo de vida, como Nova Iorque e São Francisco.

No último ano fiscal da Apple, o faturamento da empresa foi de US$ 366 bilhões (R$ 1,6 trilhões em conversão direta).

Em nota, o AppleCore afirma que possui o suporte da maioria de seus colegas de trabalho. "Isso não é algo que fazemos para ir contra ou criar conflito com nossos diretores", afirmam.

Questionado sobre a criação do sindicato dos funcionários da Apple, um porta-voz respondeu ao The Guardian, por email, que a empresa não tem "nada a declarar no momento".

Criação conturbada

No entanto, a Apple parece não ver a organização com os mesmos bons olhos. Um movimento anterior, que tentava fundar o sindicato no estado de Atlanta, retirou o pedido de fundação ao Quadro de Relações Nacionais de Trabalho, alegando intimidações por parte da empresa. Funcionários e ex-colaboradores da empresa passaram a criticar as condições de trabalho nas redes sociais, usando a hashtag "#AppleToo".

À época, um porta-voz da Apple repetiu a declaração da empresa sobre a criação do sindicato em Atlanta.

"Estamos orgulhosos em oferecer compensações muito altas e benefícios a empregados de meio período e tempo integral, incluindo planos de saúde, reembolso universitário, licenças maternidade e paternidade remuneradas, participação nos lucros e muitos outros benefícios."

(*) Com informações do The Guardian, Reuters e AFP