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Contra sindicalização, Apple aumentará salário de vendedores nos EUA

Mike Segar/Reuters
Imagem: Mike Segar/Reuters

Adriano Ferreira

Colaboração para Tilt*, em São Paulo

26/05/2022 16h56

A Apple vai aumentar o salário mínimo dos vendedores de suas lojas nos Estados Unidos. Segundo reportagem do Wall Street Journal, o valor de cada hora trabalhada passará a valer no mínimo US$ 22 (R$ 105,00, em conversão direta) a partir de julho.

O jornal teve acesso a um email enviado pela fabricante aos seus funcionários na quarta-feira (25). A mudança representa um aumento de 45% em relação a 2018.

O comunicado interno também menciona a possibilidade de salários mínimos maiores, variando de acordo com a cidade. Entretanto, não existe um esclarecimento oficial da Apple sobre isso.

Por que o aumento foi dado agora?

O acréscimo no valor por hora é a resposta da empresa para lidar com alta da inflação no país —que chegou a 8,5% em março— e com os esforços de sindicalização por parte de colaboradores.

Alguns críticos, porém, consideram esse aumento modesto, sendo que alguns trabalhadores de outros setores recebem até US$ 17/hora em cidades com um alto custo de vida, como Nova Iorque e São Francisco.

No último ano fiscal da Apple, o faturamento da empresa foi de US$ 366 bilhões (R$ 1,6 trilhões em conversão direta).

"Apoiar e reter os melhores membros da equipe do mundo nos permite oferecer os melhores e mais inovadores produtos e serviços para nossos clientes", disse um porta-voz da Apple em comunicado, de acordo com o site MacRumors.

"Este ano, como parte de nosso processo anual de avaliação de desempenho, estamos aumentando nosso orçamento geral de remuneração", acrescentou a empresa.

Pressões sindicalistas

Funcionários de diferentes lojas da Apple nos Estados Unidos, como em Nova York, Washington e Maryland, começaram a se organizar para se sindicalizarem.

Em abril, os colaboradores de Atlanta iniciaram uma petição para formalizar o processo, buscando se tornar a primeira loja da empresa nos EUA a ter funcionários organizados em sindicato, destacou a agência de notícias Reuters.

Além de salários maiores, os profissionais querem maior tempo de férias e opções mais favoráveis de aposentadoria.

E hoje a organização dos colaboradores ganhou um novo capítulo. Um vídeo com a chefe de varejo da empresa, Deirdre O'Brien, vazou. No material, ela diz aos colaboradores da Apple que a sindicalização poderia retardar melhorias no ambiente de trabalho.

*Com informações do Wall Street Journal e Bloomberg.